{"id":1,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"festas-e-procissoes-acolher-e-evangelizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/festas-e-procissoes-acolher-e-evangelizar\/","title":{"rendered":"Festas e prociss\u00f5es, acolher e evangelizar"},"content":{"rendered":"\n<p>O cristianismo nunca foi, nem pode ser, uma religi\u00e3o de elites. A sua hist\u00f3ria est\u00e1 no povo, um povo com os seus membros diversificados, a sua tradi\u00e7\u00e3o e cultura, a sua hist\u00f3ria e os seus projectos. Coexistem nele situa\u00e7\u00f5es sociais e graus de escolaridade diferentes e t\u00eam a\u00ed lugar, de pleno direito, novos e velhos, rurais e citadinos, iletrados e doutorados. Nada nem ningu\u00e9m mais rico na sua express\u00e3o real, que o povo, o povo que somos. <\/p>\n<p>Foi num povo concreto, com as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, que nasceu e se desenvolveu o projecto religioso que Cristo personalizou e deixou como encargo aos seus disc\u00edpulos e a quantos n\u00b4Ele viessem a acreditar.<\/p>\n<p>Quando se respeita o povo que acolhe a mensagem evang\u00e9lica e se ajuda a progredir, quando se apreciam, com discernimento criterioso, os seus valores pr\u00f3prios, as suas manifesta\u00e7\u00f5es culturais e o seu modo de traduzir sentimentos, ent\u00e3o pode-se construir e ver, nos valores espirituais e evang\u00e9licos que lhes s\u00e3o propostos como conte\u00fado da f\u00e9, um povo que, sem perder a sua originalidade, conhece Deus na verdade e O serve com generosidade. O povo servido por pastores que o ajudam a possuir a dignidade crist\u00e3 exprime sempre, e desde j\u00e1, o projecto divino de salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ao falar do seu modo de agir com todos, o Mestre disse que n\u00e3o vinha destruir nada, mas completar. Este modo t\u00e3o directo de dizer exprime o respeito pelas pessoas, n\u00e3o obstante os seus defeitos, pelo seu patrim\u00f3nio espiritual, pela sua tradi\u00e7\u00e3o e cultura, pelo modo de se exprimirem, pelos seus valores natos ou adquiridos, pela sua capacidade de aceita\u00e7\u00e3o e de progresso espiritual. <\/p>\n<p>A Igreja luta, por vezes, com dificuldades na sua rela\u00e7\u00e3o com o povo, mormente quando as pessoas se julgam mais religiosas que ningu\u00e9m e n\u00e3o aceitam outras propostas que n\u00e3o sejam as dos seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es, por vezes j\u00e1 vazios de sentido e que s\u00f3 superficialmente as comprometem. Quando neste sentimento comunga a maioria da popula\u00e7\u00e3o, a tenta\u00e7\u00e3o de um bra\u00e7o de ferro \u00e9 evidente. \u00c9 o problema das festas, das promessas, dos pedidos de sacramentos tradicionais, dos costumes vazios de Evangelho.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode canonizar nem condenar tudo o que o povo quer ou pede. O que nele est\u00e1 menos bem cai por si quando a proposta catequ\u00e9tica se integra num processo de maturidade de f\u00e9, \u00e9 aceite como ajuda, se faz em tempo pr\u00f3prio, \u00e9 clara e sobre ela se pode dialogar, respeita o tempo e n\u00e3o precisa de outra autoridade que a da verdade dela mesma. O povo \u00e9 teimoso e tem as suas convic\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se abalam com um sopro de quem quer que seja. \u00c9 verdade que n\u00e3o se pode confundir ser crist\u00e3o com considerar-se crist\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m, este discernimento n\u00e3o \u00e9 fruto de uma an\u00e1lise laboratorial. S\u00f3 respeitando e dialogando se pode ajudar a purificar e a crescer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cristianismo nunca foi, nem pode ser, uma religi\u00e3o de elites. A sua hist\u00f3ria est\u00e1 no povo, um povo com os seus membros diversificados, a sua tradi\u00e7\u00e3o e cultura, a sua hist\u00f3ria e os seus projectos. 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