{"id":10048,"date":"2007-06-28T15:08:00","date_gmt":"2007-06-28T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10048"},"modified":"2007-06-28T15:08:00","modified_gmt":"2007-06-28T15:08:00","slug":"comunidade-em-dinamismo-missionario-crescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comunidade-em-dinamismo-missionario-crescente\/","title":{"rendered":"Comunidade em dinamismo mission\u00e1rio crescente"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja come\u00e7a e organiza-se inicialmente na cidade. Depois, parte para os campos por necessidade de fazer o an\u00fancio do Evangelho e atender os crist\u00e3os, entretanto convertidos e agregados em aldeamentos. O clero, que assistia o bispo e cumpria as fun\u00e7\u00f5es que lhe eram atribu\u00eddas no conjunto urbano, desloca-se periodicamente a estes aldeamentos at\u00e9 neles fixar resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Nascem as par\u00f3quias, que se v\u00e3o configurando de diversos modos ao longo dos s\u00e9culos, mas evidenciando sempre tr\u00eas constantes: um povo inserido num meio, um padre com fun\u00e7\u00f5es de \u201cp\u00e1roco\u201d atribu\u00eddas pelo bispo diocesano, um templo onde se re\u00fane a assembleia aos domingos e festas ou em outros momentos marcantes da vida das pessoas e das popula\u00e7\u00f5es. S\u00e3o comunidades da Igreja Episcopal espalhadas pelo territ\u00f3rio, vivendo, normalmente, em harmonia e entreajuda, professando a mesma f\u00e9 e observando a mesma disciplina. As comunidades paroquiais, por meio do Bispo e da fidelidade \u00e0 mensagem legada pelos Ap\u00f3stolos e seus sucessores (Tradi\u00e7\u00e3o viva), mant\u00eam os la\u00e7os de uni\u00e3o com a Igreja de Roma presidida pelo Papa, sucessor do S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o destes elementos nem sempre \u00e9 linear, havendo acentua\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas relevantes. O Vaticano II, apesar das suas inevit\u00e1veis limita\u00e7\u00f5es, rep\u00f5e o equil\u00edbrio e redefine o estatuto teol\u00f3gico da Igreja comunh\u00e3o no seu conjunto e em cada uma das suas comunidades. Assim, a Igreja de Jesus Cristo, que \u00e9 una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica, realiza-se localmente em cada diocese e expressa-se a partir de cada diocese, configurando-se como comunh\u00e3o entre todas as Igrejas diocesanas. No seio destas Igrejas e como realiza\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o, s\u00e3o constitu\u00eddas as par\u00f3quias e eventualmente outras formas comunit\u00e1rias, os institutos de vida consagrada e as associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is leigos, designadamente os movimentos apost\u00f3licos.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9, por natureza, comunidade em tr\u00e2nsito, que, eventualmente, fixa resid\u00eancia entre a popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 comunidade que habita um territ\u00f3rio, \u00e9 comunidade que man-t\u00e9m vivo o sonho do futuro a que aspira. Por isso, nasce da miss\u00e3o e vive para missionar ou evangelizar; est\u00e1 inserida num contexto s\u00f3cio-cultural e pretende encontrar, com outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, respostas adequadas aos desafios emergentes; assume as caracter\u00edsticas do peregrino que, sendo realista, demanda o futuro dos seus sonhos, realizando gradualmente os projectos vi\u00e1veis da sua caminhada.<\/p>\n<p>Nascida da miss\u00e3o, a par\u00f3quia anuncia e celebra a f\u00e9 cat\u00f3lica em toda a sua ac\u00e7\u00e3o pastoral: despertar religioso e inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, catequeses de aprofundamento em todas as modalidades e para todas as idades, liturgias sacramentais ou outras, constru\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, obras de miseric\u00f3rdia adequadas \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es humanas vividas na sociedade, especialmente as que visam a liberta\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria e da exclus\u00e3o em qualquer recanto do mundo.<\/p>\n<p>A f\u00e9 cat\u00f3lica constitui, a seu n\u00edvel, a express\u00e3o mais qualificada da globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade, da interdepend\u00eancia das pessoas e dos povos, da caridade que a todos irmana e congrega na fam\u00edlia dos filhos de Deus. F\u00e9 que n\u00e3o se abra \u00e0 miss\u00e3o sem fronteiras, n\u00e3o \u00e9 f\u00e9 cat\u00f3lica aut\u00eantica. F\u00e9 que n\u00e3o se enra\u00edze nas realidades temporais e tente revelar o sentido escondido em cada uma, n\u00e3o \u00e9 f\u00e9 cat\u00f3lica aut\u00eantica. F\u00e9 que se limite a uma fase da vida e n\u00e3o envolva definitivamente a vida inteira, n\u00e3o \u00e9 f\u00e9 cat\u00f3lica aut\u00eantica. Estes elementos podem constituir a \u201cprova de fogo\u201d da catolicidade da nossa f\u00e9, da sua qualidade e efic\u00e1cia, da sua consist\u00eancia e flexibilidade.<\/p>\n<p>A missionaridade paroquial \u00e9, por consequ\u00eancia, uma caracter\u00edstica fundamental do ser e agir da par\u00f3quia enquanto comunidade institu\u00edda no seio da Igreja diocesana. Diz respeito a quem vive o seu baptismo, embora a preocupa\u00e7\u00e3o pela \u201csorte\u201d de toda a fam\u00edlia humana e pelo equil\u00edbrio dos sistemas da biodiversidade na terra enquanto \u201cplaneta azul\u201d seja responsabilidade de todas as pessoas. Despertar para esta preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 tarefa b\u00e1sica constante do processo de evangeliza\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas de missiona\u00e7\u00e3o e constitui uma ponte de contacto com outras vis\u00f5es do mundo ou cren\u00e7as religiosas. Defender a \u201cterra m\u00e3e\u201d, como bem que pertence a todos e a que cada um deve ter acesso como direito de propriedade pessoal, configura um modo especial de compreender o projecto de salva\u00e7\u00e3o universal que Deus a todos oferece. Descobrir, respeitar e valorar as culturas dos povos, ainda que pare\u00e7am muito rudimentares, desvenda e apregoa a riqueza que elas cont\u00eam enquanto express\u00e3o do engenho humano e sinal das \u201csementes do Verbo\u201d.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o, no seu sentido global, comporta o ser e agir da Igreja, como sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o. Brota explicitamente do \u201cfazei isto em minha mem\u00f3ria\u201d, do \u201cide e fazei disc\u00edpulos de todos os povos\u201d, do envio do Esp\u00edrito que guiar\u00e1 os seus arautos e protagonistas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma modalidade especial de miss\u00e3o: a \u201cad gentes\u201d, que tem como destinat\u00e1rios preferenciais os povos n\u00e3o evangelizados, as culturas onde a Igreja n\u00e3o est\u00e1 devidamente constitu\u00edda a n\u00edvel de leigos amadurecidos na f\u00e9 e no compromisso apost\u00f3lico, designadamente no envolvimento social e pol\u00edtico, a n\u00edvel de fam\u00edlias estruturadas como comunidades de amor e de vida, a n\u00edvel de clero aut\u00f3ctone suficiente para as necessidades locais e, como \u00e9 normal, para ir em miss\u00e3o pelo mundo fora.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das par\u00f3quias constitui uma estrat\u00e9gia pastoral fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o da autenticidade da f\u00e9 cat\u00f3lica, para a renova\u00e7\u00e3o fiel da Igreja, para o refor\u00e7o do di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso, para a realiza\u00e7\u00e3o de parcerias de coopera\u00e7\u00e3o em prol dos mais empobrecidos, para a efic\u00e1cia da evangeliza\u00e7\u00e3o onde predomina ainda o esp\u00edrito da envelhecida cristandade. Felizmente \u00e9 uma realidade eclesial em dinamismo crescente, sobretudo entre os jovens, que augura um novo e promissor Pentecostes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja come\u00e7a e organiza-se inicialmente na cidade. Depois, parte para os campos por necessidade de fazer o an\u00fancio do Evangelho e atender os crist\u00e3os, entretanto convertidos e agregados em aldeamentos. 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