{"id":10092,"date":"2007-06-28T16:14:00","date_gmt":"2007-06-28T16:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10092"},"modified":"2007-06-28T16:14:00","modified_gmt":"2007-06-28T16:14:00","slug":"equivocos-contradicoes-e-injusticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/equivocos-contradicoes-e-injusticas\/","title":{"rendered":"Equ\u00edvocos, contradi\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A lei do aborto, e agora a sua regulamenta\u00e7\u00e3o, constituem, para j\u00e1, um molho de equ\u00edvocos e de contradi\u00e7\u00f5es e mesmo de injusti\u00e7as, que j\u00e1 n\u00e3o deixam ningu\u00e9m surpreendido. Estejamos atentos e veremos como se v\u00e3o multiplicar as surpresas. Tudo j\u00e1 existia nos que lutaram pelo sim e se vangloriaram com a vit\u00f3ria alcan\u00e7ada. Alguns, neste momento, est\u00e3o com o lume na m\u00e3o sem saber como dar sa\u00edda aos problemas surgidos. Solu\u00e7\u00f5es dignificantes, no caso, n\u00e3o parece serem poss\u00edveis. S\u00f3 gente menos esclarecida, com vis\u00e3o unidimensional e teimosa em reduzir o mundo ao rect\u00e2ngulo estreito da sua janela, incapaz, por isso mesmo, de ver a realidade e o horizonte infindo da vida humana e dos seus direitos, da dignidade pessoal e da sua leg\u00edtima defesa, podia ter levado o pa\u00eds para este beco. Hospitais, m\u00e9dicos, enfermeiros reagem \u00e0 matan\u00e7a dos inocentes. Era de esperar. Quem nisto v\u00ea ocasi\u00e3o para ganhar dinheiro, vir\u00e1 \u00e0 pra\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 a democracia, com suas fragilidades, regida por pragmatismos e apoiada em maiorias, que se esquece que servir o conjunto nacional n\u00e3o \u00e9 o mesmo que responder a problemas individuais ou a pequenos grupos de cidad\u00e3os. Para estes, bem consideradas as suas raz\u00f5es, deve haver outro tipo de solu\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o podem subverter o conjunto nacional, nem esquecer valores fundamentais a respeitar, promover e defender.<\/p>\n<p>O que aconteceu, e agora est\u00e1 a acontecer de modo ampliado, \u00e9 dizer ao pa\u00eds que as mulheres que desejam e querem abortar passam \u00e0 frente de tudo e de todos, nos direitos legais da seguran\u00e7a social e da sa\u00fade e nas solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e gratuitas para o seu problema. Disp\u00f5em mesmo de privil\u00e9gios e aten\u00e7\u00f5es que se negam \u00e0s mulheres deste pa\u00eds que querem ter filhos, tantas vezes vitimas de restri\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho e com dificuldade de encontrar emprego por tal motivo, e a muitos cidad\u00e3os que esperam meses, sen\u00e3o mesmo anos, por cuidados m\u00e9dicos necess\u00e1rios, que surgem, n\u00e3o raramente, quando j\u00e1 n\u00e3o precisos, porque o doente morreu. O aborto parece ser a grande prioridade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e dos pol\u00edticos que mandam no pa\u00eds.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, flagrantes contradi\u00e7\u00f5es. Um delas \u00e9 que \u00e0s mulheres, que a nova lei fez hero\u00ednas, se lhes nega agora o mais elementar direito de informa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 permitir que vejam a ecografia do filho que trazem no seio, afim de clarificarem, at\u00e9 ao \u00faltimo momento, a sua decis\u00e3o. Aos poderes governamentais parece interessar mais que elas n\u00e3o desistam, para que as estat\u00edsticas possam justificar uma lei, que j\u00e1 foi classificada de in\u00edqua, dado que o seu \u00fanico objectivo \u00e9 matar um ser humano j\u00e1 gerado. Aqui se mostra a incapacidade pol\u00edtica de se investir na procura de solu\u00e7\u00f5es eficazes e dignificantes, em que o maior de todos os valores humanos, a vida, n\u00e3o esteja \u00e0 merc\u00ea de poderes p\u00fablicos inquinados, de vontades que querem prazer sem responsabilidade, de interesses partid\u00e1rios, e, muito menos, de necessidades sociais sem resposta e de informa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria que nunca chegou. Coisas de que s\u00e3o v\u00edtimas mulheres m\u00e3es, que nesta sociedade julgam n\u00e3o encontrar outra sa\u00edda para a sua gravidez sen\u00e3o abortar. <\/p>\n<p>Ficou bem claro, e os dados s\u00e3o p\u00fablicos, podendo por isso verificar-se, que, praticamente, quase s\u00f3 a Igreja tem institui\u00e7\u00f5es em ac\u00e7\u00e3o e iniciativas em curso, que visam uma protec\u00e7\u00e3o realista \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, \u00e0s m\u00e3es solteiras, \u00e0s esposas espancadas, \u00e0s gr\u00e1vidas tentadas a abortar. A todas se estende, a tempo, a m\u00e3o amiga que lhes d\u00e1 a felicidade impar de acolher, com alegria, o filho gerado, que j\u00e1 julgavam nunca poder ver. N\u00e3o vi nem conhe\u00e7o iniciativas deste teor de grupos e partidos que lutaram pelo \u201csim\u201d e agora controlam a regulamenta\u00e7\u00e3o da lei. Quando se pretende fazer crer que o aborto \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o da mulher e n\u00e3o o admitir nem favorecer \u00e9 farisa\u00edsmo e atitude anti democr\u00e1tica, est\u00e1 tudo dito.<\/p>\n<p>A protec\u00e7\u00e3o ao aborto, que \u00e9 o que est\u00e1 acontecer, n\u00e3o tem qualquer sentido, num pa\u00eds em que a natalidade desce vertiginosamente e o deserto demogr\u00e1fico alastra. Loucamente, parece ser isto o que alguns pretendem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lei do aborto, e agora a sua regulamenta\u00e7\u00e3o, constituem, para j\u00e1, um molho de equ\u00edvocos e de contradi\u00e7\u00f5es e mesmo de injusti\u00e7as, que j\u00e1 n\u00e3o deixam ningu\u00e9m surpreendido. Estejamos atentos e veremos como se v\u00e3o multiplicar as surpresas. Tudo j\u00e1 existia nos que lutaram pelo sim e se vangloriaram com a vit\u00f3ria alcan\u00e7ada. 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