{"id":10145,"date":"2007-07-04T15:05:00","date_gmt":"2007-07-04T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10145"},"modified":"2007-07-04T15:05:00","modified_gmt":"2007-07-04T15:05:00","slug":"quem-nos-governa-as-forcas-contestatarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-nos-governa-as-forcas-contestatarias\/","title":{"rendered":"Quem nos governa? &#8211; As for\u00e7as contestat\u00e1rias?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> As for\u00e7as contestat\u00e1rias det\u00eam um poder enorme em Portugal e, em geral, nos demais pa\u00edses democr\u00e1ticos: p\u00f5em em causa, mais ou menos sistematicamente, o Estado e outras institui\u00e7\u00f5es; consideram-se genu\u00ednos porta-vozes do povo, verdadeiras autoridades morais e garantes da liberdade e da democracia. Influenciam, limitam e corroem o Estado, p\u00f5em em causa a sua legitimidade, e arrastam contra ele uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o. Parece que s\u00f3 condescenderiam em aceit\u00e1-lo, se ele fosse legalista em extremo, at\u00e9 ao ponto de nada fazer, eficac\u00edssimo at\u00e9 ao ponto de fazer tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio, e sumamente bondoso at\u00e9 ao ponto de agradar a toda a gente. Reivindicam, assim, um Estado divino, totalmente perfeito, sem ser totalit\u00e1rio para elas.<\/p>\n<p>A contesta\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel, evidentemente; deixa, por\u00e9m, de ser saud\u00e1vel, quando as respectivas for\u00e7as s\u00f3 contestam e n\u00e3o assumem responsabilidades, ou quando, infantilmente, lutam por ideais irrealistas, sem projectos consistentes, ou ainda quando \u00abn\u00e3o olham a meios para atingir os seus fins\u00bb.<\/p>\n<p>No vasto leque de for\u00e7as contestat\u00e1rias, real\u00e7am-se porventura tr\u00eas conjuntos: as que se encontram institu\u00eddas como tais; as que se encontram inseridas no pr\u00f3prio Estado; e as que se caracterizam pelo pedantismo sobranceiro. No primeiro conjunto, incluem-se especialmente os partidos pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o (qualquer que seja o Governo), os sindicatos em geral e v\u00e1rios movimentos sociais.<\/p>\n<p>No segundo conjunto, figuram as \u00abcorpora\u00e7\u00f5es\u00bb profissionais dos grandes sistemas do Estado, tais como a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a social, a justi\u00e7a, as for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a. Este conjunto de for\u00e7as disp\u00f5e de um ascendente medi\u00e1tico not\u00f3rio em rela\u00e7\u00e3o, sobretudo, ao Governo: conhecem, melhor do que ele, os diferentes quadros normativos; participam na elabora\u00e7\u00e3o das leis; t\u00eam responsabilidades e poder espec\u00edficos para a respectiva aplica\u00e7\u00e3o; permitem-se identificar o bem comum com os seus pr\u00f3prios interesses; e, para c\u00famulo, aproveitam bem, a seu favor, o facto de estarem dentro do Estado.<\/p>\n<p>Nas for\u00e7as caracterizadas pelo pedantismo sobranceiro, t\u00eam particular relevo os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social, os intelectuais exibicionistas e a maledic\u00eancia popular, conjugada com o anedot\u00e1rio difuso e com o humorismo dominante, mais ou menos estereotipado. Estas for\u00e7as deturpam factos, substituem not\u00edcias por coment\u00e1rios, e estes por ju\u00edzos inquisitoriais, fazem processos de inten\u00e7\u00e3o ofensivos da dignidade humana e, ao mesmo tempo, consideram-se propriet\u00e1rios da verdade, sentinelas da liberdade e l\u00eddimos expoentes de valores e de princ\u00edpios. Assim, do alto do seu pedestal sobranceiro e de uma susceptibilidade extrema, reprovam quem se atreva a contact\u00e1-los (dizem \u00abpression\u00e1-los\u00bb) para a correc\u00e7\u00e3o de alguma not\u00edcia. Reprovam, especialmente, qualquer interfer\u00eancia, ou informa\u00e7\u00e3o alternativa, do poder pol\u00edtico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}