{"id":10146,"date":"2007-07-04T15:05:00","date_gmt":"2007-07-04T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10146"},"modified":"2007-07-04T15:05:00","modified_gmt":"2007-07-04T15:05:00","slug":"humor-poesia-e-valores-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/humor-poesia-e-valores-do-espirito\/","title":{"rendered":"Humor, poesia e valores do esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<p>Diz o povo, com a sua proverbial sabedoria, que \u201cquem se pica n\u00e3o \u00e9 ouro de lei\u201d. O ouro verdadeiro resiste a riscos e encontr\u00f5es e n\u00e3o se amolga com facilidade. N\u00e3o \u00e9 assim com o ouro fingido, que n\u00e3o passa de quinquilharia e que, facilmente, perde o brilho, denunciando a sua fingida apar\u00eancia. <\/p>\n<p>Est\u00e1 a acontecer entre n\u00f3s algo de estranho e de preocupante. O Primeiro Ministro leva a tribunal, como cidad\u00e3o ofendido, um outro cidad\u00e3o que a ele se referiu num vulgar blog, da Internet. Os Ministros da Educa\u00e7\u00e3o e da Sa\u00fade demitem funcion\u00e1rios dos seus minist\u00e9rios, por os julgarem menos respeitadores das suas pessoas e dos actos do seu governo. Mas, se procuram nos minist\u00e9rios, informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e leg\u00edtimas, ou ningu\u00e9m atende ou fica-se dependurado no telefone \u00e0 espera de quem nunca aparece. Tudo isto denuncia intoler\u00e2ncia, menosprezo, indiferen\u00e7a, sobranceria. Por\u00e9m, n\u00e3o deixamos de sentir que est\u00e1 montada uma rede de videirinhos e denunciadores atentos, com acesso f\u00e1cil ao senhor ministro, gente que alimenta a intoler\u00e2ncia, de quem devia dar exemplo di\u00e1rio de toler\u00e2ncia\u2026 <\/p>\n<p>Quem n\u00e3o respeita, acaba por n\u00e3o ser respeitado. Isto \u00e9 mau e n\u00e3o acaba bem.     <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 menos preocupante, ver hoje, muito mais do que antes se via, como se reprime o humor e a anedota de sabor pol\u00edtico. Num ambiente pesado, o sol escurecer\u00e1, os poetas v\u00e3o calar-se e tudo quanto tem ra\u00edzes no esp\u00edrito vai estiolar e fenecer. <\/p>\n<p>O humor, a poesia, as vozes defensoras de valores espirituais s\u00e3o um t\u00f3nico indispens\u00e1vel para que se possa viver em sociedade, de modo livre e sadio. N\u00e3o se pode correr o risco de termos de falar, nas conversas e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, e mesmo assim com cuidado, porque h\u00e1 ouvidos suspeitos e pouco limpos, apenas de futebol, or\u00e7amento, mercado, impostos, desemprego, greves, esc\u00e2ndalos, festa de gente fina, brigas de mau humor de milion\u00e1rios, telem\u00f3veis de topo de gama, assaltos e raptos, milh\u00f5es por transfer\u00eancias de jogadores e por a\u00ed adiante em coisas de igual teor.<\/p>\n<p>Quem quiser falar de processos mais a guardar prescri\u00e7\u00e3o que senten\u00e7a; de leis que n\u00e3o respeitam o bem comum e destroem o tecido social; de pobres de v\u00e1ria ordem, que a sociedade torna cada vez mais pobres e menos atendidos e defendidos; de desvaloriza\u00e7\u00e3o premeditada da pessoa humana e das pessoas em geral; do ensino, mais dependente das estat\u00edsticas, gerador de incultura e que parece s\u00f3 olhar para um futuro de competi\u00e7\u00e3o; de portas escancaradas \u00e0 entrada de todo o lixo que a Europa exporta; de favores partid\u00e1rios que menosprezam a justi\u00e7a e ro\u00e7am o esc\u00e2ndalo, ent\u00e3o, h\u00e1 que ter cuidado, porque, ao nosso lado, a intoler\u00e2ncia aumenta, os governantes n\u00e3o suportam cr\u00edticas e se generaliza cada vez mais um clima de desconfian\u00e7a. Nunca se sabe quem se senta ao nosso lado, no caf\u00e9 ou no restaurante, no comboio, no autocarro ou na sala de espect\u00e1culo.<\/p>\n<p>D\u00ea-se lugar ao humor e \u00e0s anedotas sadias que fazem rir, antes que tudo se transforme numa anedota, sem gosto nem sal. Apare\u00e7am poetas que falem da beleza das pessoas e das coisas, de um modo livre, que s\u00f3 eles sabem. D\u00ea-se voz e aten\u00e7\u00e3o a quem defende e promove valores espirituais e morais, para que o ambiente social seja respir\u00e1vel e apetec\u00edvel. Olhemo-nos uns para os outros, sem que mutuamente ponhamos r\u00f3tulos na testa. Tenhamos coragem para aplaudir o bem, denunciar o mal, respeitar as pessoas e viver sem medo em qualquer lugar. N\u00e3o nos deixemos envinagrar nem envenenar, com coisas que passam e que passam depressa. N\u00e3o permitamos que apaguem o sol ou o queiram s\u00f3 para alguns, porque \u201co sol quando nasce \u00e9 para todos\u201d, nem que Portugal se extinga e se empobre\u00e7a. O rem\u00e9dio para os nossos males n\u00e3o tem que vir de fora. Est\u00e1 em n\u00f3s. A menos que quem manda nos impe\u00e7a de sermos n\u00f3s pr\u00f3prios e de agirmos com a liberdade que nos assiste. <\/p>\n<p>Se o povo n\u00e3o se dividir mais, nem for abafado no seu bom senso e natural sabedoria, ele servir\u00e1 de corrector normal dos v\u00edcios e dos desvios enganadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz o povo, com a sua proverbial sabedoria, que \u201cquem se pica n\u00e3o \u00e9 ouro de lei\u201d. O ouro verdadeiro resiste a riscos e encontr\u00f5es e n\u00e3o se amolga com facilidade. N\u00e3o \u00e9 assim com o ouro fingido, que n\u00e3o passa de quinquilharia e que, facilmente, perde o brilho, denunciando a sua fingida apar\u00eancia. Est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}