{"id":10204,"date":"2007-07-11T15:57:00","date_gmt":"2007-07-11T15:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10204"},"modified":"2007-07-11T15:57:00","modified_gmt":"2007-07-11T15:57:00","slug":"nada-de-confusoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nada-de-confusoes\/","title":{"rendered":"Nada de confus\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d, na sua edi\u00e7\u00e3o de 30 de Junho passado, na sec\u00e7\u00e3o das \u201cArtes\u201d, publicou uma entrevista de Isabel Lucas com o conhecido historiador Marsilio Cassotti, que estudou Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Cat\u00f3lica de Buenos Aires e L\u00ednguas no Instituto Cat\u00f3lico de Paris; foi director de uma colec\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria pertencente a uma editora de Barcelona e \u00e9 autor de estudos sobre diversas mulheres, como a princesa \u00c9boli, esposa do nosso Rui Gomes da Silva, membro da casa da imperatriz D. Isabel de Portugal, a princesa castelhana D. Joana, filha de el-rei D. Henrique IV, a duquesa de Alba, mecenas de Goya, e a rainha D. Maria Lu\u00edsa de Parma, av\u00f3 da infanta D. Maria Isabel de Bragan\u00e7a. Recentemente escreveu um trabalho hist\u00f3rico sob o t\u00edtulo \u201cInfantas de Portugal \u2013 Rainhas em Espanha\u201d, traduzido em portugu\u00eas por Francisco Paiva Bol\u00e9o e publicado por \u201cA Esfera dos Livros\u201d (Lisboa).<\/p>\n<p>Pessoalmente, li com interesse as diversas al\u00edneas esclarecedoras da referida entrevista, onde se menciona D. Joana de Portugal, filha do rei D. Duarte e de sua esposa D. Leonor de Arag\u00e3o, nascida em 1438 e falecida em 1475; foi rainha de Castela, por ter casado com D. Henrique IV, em 1455. Efectivamente, consta que a sua vida moral n\u00e3o ter\u00e1 sido recomend\u00e1vel, dadas as suas rela\u00e7\u00f5es amorosas com D. Beltr\u00e1n de la Cueva, marqu\u00eas de Ledesma, duque de Albuquerque e gr\u00e3o-mestre da Ordem de S. Tiago. A princesa Santa Joana, nascida em 1452 e falecida em 1490, era sua sobrinha pelo lado do pai, D. Afonso V, e prima pelo lado da m\u00e3e, D. Isabel.<\/p>\n<p>Restringindo-me apenas aos s\u00e9culos XIV e XV, sabemos que muitas outras infantas e princesas, com o nome de Joana, nasceram e viveram ao longo desses anos \u2013 o que pode confundir os menos atentos. Nomeio apenas as seguintes, que foram rainhas: &#8211; D. Joana de Borgonha (nascida nos finais do s\u00e9culo XIII e falecida em 1325), que casou com D. Filipe V, rei de Fran\u00e7a; &#8211; D. Joana de Navarra (1273-1365), rainha de Fran\u00e7a e de Navarra, filha de D. Henrique, o \u201cGordo\u201d, que casou com D. Filipe, o \u201cBelo\u201d, rei de Fran\u00e7a; &#8211; D. Joana de Bourbon (1338-1378), que foi esposa do imperador D. Carlos V; &#8211; D. Joana I (1326-1382), filha de D. Carlos, duque da Cal\u00e1bria, que foi rainha de N\u00e1poles; &#8211; D. Joana Henriquez (1425-1468), que casou com D. Jo\u00e3o de Arag\u00e3o, rei de Navarra, sendo m\u00e3e de D. Fernando, o \u201cCat\u00f3lico\u201d; &#8211; D. Joana, a \u201cBeltraneja\u201d ou a \u201cExcelente Senhora\u201d (1462-1530), princesa castelhana, considerada filha adulterina dos acima referidos D. Joana de Portugal e de D. Beltr\u00e1n de la Cueva; &#8211; D. Joana, a \u201cLouca\u201d (1479-1555), rainha de Castela e de Arag\u00e3o, segunda filha dos Reis Cat\u00f3licos de Espanha, D. Fernando e D. Isabel, a qual casou com D. Filipe, o \u201cBelo\u201d, filho e herdeiro do imperador Maximiliano da Alemanha.<\/p>\n<p>Saindo das fronteiras nobili\u00e1rquicas, n\u00e3o esque\u00e7o a camponesa e pastora Santa Joana d\u2019Arc (1412-1431), hero\u00edna francesa apelidada a \u201cDonzela de Orle\u00e3es\u201d e canonizada pela Igreja Cat\u00f3lica em 1920.<\/p>\n<p>Ao ver a p\u00e1gina n\u00ba 46 do citado di\u00e1rio, depara-se imediatamente com a reprodu\u00e7\u00e3o do quadro quatrocentista da princesa Santa Joana, coevo da retratada, que se encontra no Museu Nacional de Aveiro. Mas\u2026 que tem a ver esta gravura com a rainha D. Joana, mencionada na entrevista e na legenda? Ali\u00e1s, no livro, por baixo da ilustra\u00e7\u00e3o, encontra-se escrito: &#8211; \u201cA f\u00faria dos nobres depois de a rainha Joana, mulher de Henrique IV de Castela, ter tido dois filhos de um amante, n\u00e3o s\u00f3 arruinou definitivamente os direitos din\u00e1sticos da filha, a \u201cExcelente Senhora\u201d, como ter\u00e1 sido talvez o motivo por que n\u00e3o se conhe\u00e7am hoje retratos de uma mulher cuja rara beleza foi cantada pelos melhores poetas castelhanos. A sobrinha, e hom\u00f3nima, a princesa Santa Joana, talvez se assemelhasse a ela fisicamente\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito que houvesse m\u00e1 f\u00e9, mas apenas uma distrac\u00e7\u00e3o. Entre as pessoas que me escreveram e contactaram, algu\u00e9m classificou o acto de \u201cultraje feito \u00e0s gentes de Aveiro com o infame atentado \u00e0 nossa Padroeira e \u00e0 hist\u00f3ria de Portugal\u201d. Julgo que isso n\u00e3o ter\u00e1 sido consciente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d, na sua edi\u00e7\u00e3o de 30 de Junho passado, na sec\u00e7\u00e3o das \u201cArtes\u201d, publicou uma entrevista de Isabel Lucas com o conhecido historiador Marsilio Cassotti, que estudou Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Cat\u00f3lica de Buenos Aires e L\u00ednguas no Instituto Cat\u00f3lico de Paris; foi director de uma colec\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10204","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10204\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}