{"id":10208,"date":"2007-07-11T16:02:00","date_gmt":"2007-07-11T16:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10208"},"modified":"2007-07-11T16:02:00","modified_gmt":"2007-07-11T16:02:00","slug":"agilizar-o-processo-romper-o-tecido-destruir-os-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/agilizar-o-processo-romper-o-tecido-destruir-os-nos\/","title":{"rendered":"Agilizar o processo, romper o tecido, destruir os n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Que desgra\u00e7a nos havia de acontecer, esta de uma destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, programada ou inconsciente, e do casamento que lhe d\u00e1 origem e a enra\u00edza no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, bem como do div\u00f3rcio com despacho imediato. Coisa t\u00e3o grande, a fam\u00edlia, que ultrapassa uma dimens\u00e3o puramente legal e n\u00e3o se pode entender ao sabor de gostos pessoais, passou a ser talhada \u00e0 medida de gente que n\u00e3o a sabe nem estimar, nem respeitar.<\/p>\n<p>Quem no casamento \u00e9 incapaz de ver um projecto de vida, s\u00e9rio e respons\u00e1vel, para ver apenas uma experi\u00eancia pessoal, fugaz e an\u00f3dina, n\u00e3o devia, por honestidade, entrar em decis\u00f5es que desvirtuam e prejudicam socialmente esta institui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o faltam governantes, da primeira e da segunda fila, que v\u00e3o no segundo e nem sei se alguns mesmo j\u00e1 no terceiro casamento ou uni\u00e3o de facto, por esta ser agora processo mais r\u00e1pido, vantajoso e menos consequente. Como n\u00e3o faltam deputados em igual situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>S\u00e3o estes que fazem os decretos e aprovam as leis. Quem nestes of\u00edcios parece andar, por for\u00e7a de cargos e encargos, a aproveitar-se para justificar a sua vida e agradar a grupos e opini\u00f5es de rua, faz-me lembrar uma onda de gente pouco consciente e respons\u00e1vel. Para ganharem alguma coisa, cedem a tudo.<\/p>\n<p>Est\u00e1-se a deslizar aceleradamente. Dos tribunais passou-se \u00e0s conservat\u00f3rias, destas \u00e0 loja do cidad\u00e3o\u2026 Tudo aponta, dado que em cada dia se promete mais, a que o processo v\u00e1 terminar em barraca de feira, uma vez que se anuncia e pretende que tudo seja r\u00e1pido e mais barato. Uma vergonha!<\/p>\n<p>O que interessa \u00e9 agilizar o processo e quanto mais depressa melhor, porque n\u00e3o se pode perder tempo a casar e a descasar, coisas que valem e significam cada vez menos.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que quem n\u00e3o disp\u00f5e de tempo para estudar a hist\u00f3ria e ler a vida, para reflectir, dialogar, recordar momentos felizes, perdoar e aceitar o perd\u00e3o, olhar com serenidade e amor os filhos gerados e criados e perceber neles o sentimento mais profundo que \u00e9 de n\u00e3o quererem os pais divididos, n\u00e3o tem estofo humano e, tamb\u00e9m, n\u00e3o quer perder tempo em processos in\u00fateis e morosos.<\/p>\n<p>De facto, se o casamento nada tem a ver com constituir uma fam\u00edlia, nascida do amor, esse dom que nunca e por nenhuma raz\u00e3o se dispensa, se ele n\u00e3o passa de uma simples experi\u00eancia, descart\u00e1vel e renov\u00e1vel, porque perder tempo a faz\u00ea-lo e a desfaz\u00ea-lo?<\/p>\n<p>Se falarmos de dinheiro, prest\u00edgio, projectos a dar nas vistas, n\u00edveis da Europa avan\u00e7ada, a gente de cima isso entende-o bem. Mas se falarmos de dignidade das pessoas, respeito profundo por elas, condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis a criar e a fomentar em ordem a um bem-estar justo e s\u00f3lido, a conversa j\u00e1 interessa menos.<\/p>\n<p>H\u00e1 que resistir, quanto antes, a este vendaval destruidor de pessoas concretas e dos la\u00e7os mais profundos que as unem, das fam\u00edlias que o querem ser de verdade e de uma sociedade humana, que vale para al\u00e9m dos n\u00fameros e das sondagens encomendadas. <\/p>\n<p>Em Portugal, h\u00e1 cada vez mais pessoas a valerem bem pouco. Est\u00e1 \u00e0 vista. <\/p>\n<p>\u00c0s invas\u00f5es dos b\u00e1rbaros resistiram for\u00e7as humanizantes, organizadas e motivadas, dispostas a ir at\u00e9 \u00e0 morte para evitar a destrui\u00e7\u00e3o total. A \u201cterra queimada\u201d, trinta anos depois da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 agora o deserto dos valores \u00e9ticos e o desprezo pelas pessoas e seus direitos mais leg\u00edtimos e pelas institui\u00e7\u00f5es sociais b\u00e1sicas. Em democracia, diga-se.<\/p>\n<p>As for\u00e7as morais, que n\u00e3o faltam em Portugal, s\u00e3o capazes de uma nova revolu\u00e7\u00e3o que quebre grilh\u00f5es que escravizam. Unidas num mesmo projecto, estas for\u00e7as t\u00eam de vir para a rua e gritar, sem medo, e de modo a que o seu grito possa acordar e escandalizar, ao perto e ao longe, porque ao longe incomoda mais: Basta! Basta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que desgra\u00e7a nos havia de acontecer, esta de uma destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, programada ou inconsciente, e do casamento que lhe d\u00e1 origem e a enra\u00edza no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, bem como do div\u00f3rcio com despacho imediato. 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