{"id":10234,"date":"2007-07-19T12:09:00","date_gmt":"2007-07-19T12:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10234"},"modified":"2007-07-19T12:09:00","modified_gmt":"2007-07-19T12:09:00","slug":"o-cardeal-de-portugal-evocacao-em-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-cardeal-de-portugal-evocacao-em-roma\/","title":{"rendered":"O &#8220;Cardeal de Portugal&#8221; &#8211; evoca\u00e7\u00e3o em Roma"},"content":{"rendered":"<p>Nos finais de Setembro de 1471, vitorioso da terceira campanha em Marrocos, D. Afonso V, acompanhado pelo pr\u00edncipe D. Jo\u00e3o, seu filho, regressava em gl\u00f3ria ao Reino; desembarcou em Lisboa, onde foi recebido com grandes mostras de regozijo. A princesa D. Joana, filha de el-rei, acompanhada pela tia materna, a infanta D. Filipa, e por toda a sua Casa de donzelas, damas e fidalgos, desceu at\u00e9 junto do rio Tejo, para a cerim\u00f3nia da recep\u00e7\u00e3o. Com ela, estavam altos dignit\u00e1rios da Igreja, nomeadamente D. Jorge da Costa, ent\u00e3o arcebispo de Lisboa, depois de ter sido bispo de \u00c9vora. Nascido em 1406 na vila de Alpedrinha &#8211; nome por que ficou conhecido &#8211; terminaria os seus dias em Roma, com cento e dois anos de idade. Foi um dos prelados mais not\u00e1veis da Igreja Cat\u00f3lica, nos finais do s\u00e9culo XV e princ\u00edpios do seguinte. Na Corte de D. Afonso V, alcan-\u00e7ou grande influ\u00eancia pelo prest\u00edgio que lhe resultava da sua invulgar forma\u00e7\u00e3o intelectual e humana, do seu seguro crit\u00e9rio, da sua extraordin\u00e1ria perspic\u00e1cia e das suas qualidades de diplomata.<\/p>\n<p>Porque o pr\u00edncipe D. Jo\u00e3o n\u00e3o levasse a bem a sua interfer\u00eancia no \u00e2nimo do pai, D. Jorge da Costa, embora j\u00e1 contasse setenta e tr\u00eas anos de idade, decidiu retirar-se para Roma, aonde chegou em 14 de Julho de 1479. Logo obteve grande preponder\u00e2ncia na Corte Pontif\u00edcia, a ponto de ser camerlengo do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio e de conviver com os papas Sisto IV, Inoc\u00eancio VIII, Alexandre VI, Pio III e J\u00falio II, tornando-se uma figura-chave e um verdadeiro \u00e1rbitro em muitos neg\u00f3cios, particularmente dos que respeitavam ao nosso pa\u00eds. H\u00e1 mesmo quem lhe atribua a influ\u00eancia decisiva na demarca\u00e7\u00e3o da linha dos descobrimentos e conquistas entre Portugal e Espanha, estabelecida pela bula pontif\u00edcia \u201cInter C\u00e6tera\u201d, de 04 de Maio de 1493, e ratificada em 1494 pelos respectivos sobera-nos no Tratado de Tordesilhas.<\/p>\n<p>Participou em quatro conclaves e neles se tornou not\u00f3ria a sua interven\u00e7\u00e3o, tendo estado na imin\u00eancia de ser eleito quando, em 1492, Ale-xandre VI foi escolhido como papa. Conta-se tamb\u00e9m que, eleito J\u00falio II em 1503, e indo D. Jorge prestar-lhe homenagem, o novo pont\u00edfice ter-lhe-\u00e1 dito: &#8211; \u201cAmigo, esta cadeira a v\u00f3s se devia e v\u00f3s ma destes; eu serei papa no nome e v\u00f3s na realidade\u201d. Muitas das rendas que obteve gastou-as no culto divino, na protec\u00e7\u00e3o e apoio de v\u00e1rios estudantes e familiares para a sua forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e na caridade em favor dos necessitados, a quem proporcionava asilo no seu pal\u00e1cio. Alguns anos antes de morrer, renunciou a quase todos os benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Desde 1488, o cardeal D. Jorge da Costa residiu num pal\u00e1cio constru\u00eddo na primeira metade do s\u00e9culo XV, sito no \u00e2ngulo formado pela via do Corso e a pra\u00e7a de S. Louren\u00e7o in Lucina e adossado \u00e0 igreja deste Titular \u2013 o pal\u00e1cio Fiano (hoje chamado Almagi\u00e0). Junto, e sobre a via do Corso, existiu o demolido arco de triunfo do imperador Domiciano, que, em homenagem do mesmo prelado, se passou a chamar \u201cArco di Portogallo\u201d \u2013 Arco de Portugal.<\/p>\n<p>O seu \u00f3bito, em 19 de Setembro de 1508, constituiu um acontecimento que enlutou a C\u00faria Pontif\u00edcia e toda a cidade de Roma; os restos mortais jazem na capela de Santa Catarina, a quarta \u00e0 direita de quem entra, da formosa e multisecular igreja de Santa Maria del P\u00f3polo. Ainda em vida, o cardeal portugu\u00eas a\u00ed mandou fazer artisticamente o pr\u00f3prio t\u00famulo com est\u00e1tua jacente. Obedecendo ao seu testamento, lavrado em 1492, a consider\u00e1vel fortuna, de que dispunha, em 1515 foi atribu\u00edda pelo papa Le\u00e3o X ao nosso rei D. Manuel I, a fim de prosseguir na cruzada contra os infi\u00e9is, reservando um quinto para a constru\u00e7\u00e3o da bas\u00edlica de S. Pedro, iniciada por J\u00falio II; tamb\u00e9m foram beneficiados alguns conventos, igrejas e capelas. Os bens restantes seriam distribu\u00eddos pelas noivas sem dote, pelos cativos a remir, pelas obras pias e pelos pobres.<\/p>\n<p>Se eu recordo nestas colunas o cardeal D. Jorge da Costa \u2013 depois de o ter evocado em Roma no passado m\u00eas de Junho \u2013 \u00e9 porque ele foi o arcebispo de Lisboa durante os anos da adolesc\u00eancia e da juventude da princesa Santa Joana. Admirando o seu retrato no Painel do Arcebispo, sa\u00eddo do g\u00e9nio art\u00edstico de Nuno Gon\u00e7alves, passando junto do pal\u00e1cio Almagi\u00e0 onde viveu e peregrinando at\u00e9 ao t\u00famulo que guarda os seus restos mortais, um portugu\u00eas n\u00e3o pode deixar de se emocionar com um extraordin\u00e1rio compatriota\u2026 e um aveirense rememorar\u00e1 naturalmente a sua inesquec\u00edvel diocesana, a nossa Padroeira.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se esque\u00e7a de F\u00e1tima\u201d<\/p>\n<p>Na audi\u00eancia geral do dia 20 de Julho, Bento XVI saudou Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar. O vig\u00e1rio geral da diocese disse ao Papa que provinha de Aveiro, \u201centre o Porto e Coimbra\u201d, e acrescentou: \u201cN\u00e3o se esque\u00e7a de F\u00e1tima!\u201d<\/p>\n<p>Bento XVI, \u201cmeio em portugu\u00eas, meio em italiano\u201d, como disse o Monsenhor ao Correio do Vouga, afirmou, sorrindo: \u201cJ\u00e1 falei de F\u00e1tima no Brasil\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos finais de Setembro de 1471, vitorioso da terceira campanha em Marrocos, D. Afonso V, acompanhado pelo pr\u00edncipe D. Jo\u00e3o, seu filho, regressava em gl\u00f3ria ao Reino; desembarcou em Lisboa, onde foi recebido com grandes mostras de regozijo. A princesa D. Joana, filha de el-rei, acompanhada pela tia materna, a infanta D. 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