{"id":10271,"date":"2007-07-19T15:07:00","date_gmt":"2007-07-19T15:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10271"},"modified":"2007-07-19T15:07:00","modified_gmt":"2007-07-19T15:07:00","slug":"os-nao-nascidos-e-os-impedidos-de-nascer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-nao-nascidos-e-os-impedidos-de-nascer\/","title":{"rendered":"Os n\u00e3o nascidos e os impedidos de nascer"},"content":{"rendered":"<p>A not\u00edcia, a princ\u00edpio bem discreta, s\u00f3 vinha em poucos jornais, se comparada com o grande relevo dado, sem recrimina\u00e7\u00f5es, \u00e0 desobedi\u00eancia dos hospitais do Estado sobre os abortos j\u00e1 realizados. \u201c Mais de 60 abortos s\u00f3 num m\u00eas e ainda sem lei\u201d era t\u00edtulo do dia. Uma lei, como sabemos, que permite a algumas m\u00e3es, muitas a custas do er\u00e1rio p\u00fablico, que mandem matar o filho que trazem no seio, se assim o pedirem de harmonia com o que est\u00e1 determinado. <\/p>\n<p>Antes da lei, j\u00e1 nada \u00e9 ilegal. E isso n\u00e3o interessa aos servidores do Estado que lhe d\u00e3o cobertura e retiram import\u00e2ncia, n\u00e3o v\u00e3o as coisas complicar-se mais.<\/p>\n<p>Diz a princ\u00edpio a tal not\u00edcia discreta, depois j\u00e1 em primeira p\u00e1gina e devido relevo, que \u201cA natalidade atinge em Portugal o valor mais baixo de sempre\u201d, ou que \u201cNascimento de beb\u00e9s em 2006 \u00e9 o mais baixo desde que h\u00e1 estat\u00edsticas\u201d. \u00c9 o Instituto Nacional de Estat\u00edstica a fonte. O \u00edndice de natalidade foi de 1,36, com tend\u00eancia a descer e sem se ver sa\u00edda para situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o preocupante, para quem ainda se preocupa.<\/p>\n<p>O pa\u00eds endoidou, est\u00e1 visto. E s\u00e3o os servi\u00e7os oficiais que adiantam, triunfantes, todos os dados sobre os hospitais credenciados para abortar, os que \u00e0 revelia da lei se anteciparam \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o, as cl\u00ednicas particulares autorizadas para o mesmo efeito. J\u00e1 se anunciam dez! S\u00e3o eles que garantem, por fim, que onde houver m\u00e9dicos objectores de consci\u00eancia, s\u00e3o sempre os m\u00e9dicos \u201co problema mais complicado\u201d, est\u00e1 desde j\u00e1 assegurado que o aborto se executar\u00e1 em qualquer outro s\u00edtio, p\u00fablico ou privado. O Estado paga, ou seja, n\u00f3s pagamos. Que especiais deveres estes do Estado!&#8230;<\/p>\n<p>As cl\u00ednicas espanholas j\u00e1 est\u00e3o a actuar e a escolher, pressurosas, as cidades mais aptas para facilitar o neg\u00f3cio e sossegar os governantes, os partidos e os votantes do sim. Para j\u00e1, Lisboa em ac\u00e7\u00e3o e Porto em prepara\u00e7\u00e3o. Por c\u00e1, cl\u00ednicas com longa hist\u00f3ria e onde sempre se fizeram abortos, agem agora com plena tranquilidade. O minist\u00e9rio j\u00e1 fez c\u00e1lculos ao pre\u00e7o e os outros publicaram, de imediato e para que se saiba, as tabelas, segundo as diversas modalidades abortivas. Coisa que n\u00e3o acontece em nenhum outro caso cl\u00ednico cir\u00fargico. \u00c9 preciso cativar a freguesia que se vai dispersar. Onde estiver a imagina\u00e7\u00e3o e a perspic\u00e1cia do neg\u00f3cio, estar\u00e1 o poder de competir e triunfar.<\/p>\n<p>Tudo isto merece uma leitura cuidada. O que se previa est\u00e1 j\u00e1 a\u00ed \u00e0 vista na pra\u00e7a p\u00fablica. Adiante se ver\u00e1 mais, que o tema n\u00e3o se esgota, nem depressa, nem de vez.<\/p>\n<p>Mas, se h\u00e1 muita gente euf\u00f3rica com este triunfo de uma cultura de morte que legalmente se implantou em Portugal, sem que deixemos de denunciar o que muito nos envergonha e em nada nos dignifica, h\u00e1 que unir vontades e for\u00e7as ante o decrescimento galopante da natalidade, para que a vida possa triunfar e seja sempre considerada o maior e o mais indiscut\u00edvel dos valores humanos, o \u00fanico que \u00e9 comum a todos.<\/p>\n<p>Porque se manifestam t\u00e3o pouco interessados, quer o governo, quer a opini\u00e3o p\u00fablica, em encontrar raz\u00f5es v\u00e1lidas para esta situa\u00e7\u00e3o, em promover a natalidade e em ajudar e exigir condi\u00e7\u00f5es para que os casais fecundos possam gerar filhos? Toda a gente diz que gosta de crian\u00e7as. Por\u00e9m, os pais que t\u00eam coragem para gerar filhos, se v\u00e3o al\u00e9m de dois, s\u00e3o taxados de insensatos. O fisco, atento \u00e0s ofertas feitas, ainda que esporadicamente e por vezes com sacrif\u00edcio, pelos pais que querem ajudar os seus filhos, casais novos com filhos e dificuldades acrescidas, logo se apressa a cortar o abono de fam\u00edlia das crian\u00e7as com direitos, se a oferta parece grande e sem se atender a de que maior \u00e9 a necessidade de quem a recebe. Para fazer bem j\u00e1 se paga imposto!<\/p>\n<p>N\u00e3o se aprecia a vida nascente, a generosidade dos familiares generosos e atentos, a estabilidade do casal em dificuldade, as despesas necess\u00e1rias com os filhos, a coragem dos cidad\u00e3os mais sacrificados, socialmente mais determinantes, castigados at\u00e9 por terem filhos e por haver av\u00f3s que os ajudam a criar\u2026 Ent\u00e3o, o que \u00e9 agora verdadeiramente importante neste pa\u00eds e para quem governa?<\/p>\n<p>Temos de nos interrogar, seriamente, sobre um problema t\u00e3o grave, como actual.<\/p>\n<p>O acomodar-se indiferente ante o drama das crian\u00e7as n\u00e3o nascidas ou impedidas de nascer \u00e9 atitude suicida, por mais que se diga o contr\u00e1rio. A hist\u00f3ria anotar\u00e1 os novos criminosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A not\u00edcia, a princ\u00edpio bem discreta, s\u00f3 vinha em poucos jornais, se comparada com o grande relevo dado, sem recrimina\u00e7\u00f5es, \u00e0 desobedi\u00eancia dos hospitais do Estado sobre os abortos j\u00e1 realizados. \u201c Mais de 60 abortos s\u00f3 num m\u00eas e ainda sem lei\u201d era t\u00edtulo do dia. Uma lei, como sabemos, que permite a algumas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}