{"id":10275,"date":"2007-07-26T09:54:00","date_gmt":"2007-07-26T09:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10275"},"modified":"2007-07-26T09:54:00","modified_gmt":"2007-07-26T09:54:00","slug":"parece-mas-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/parece-mas-nao-e\/","title":{"rendered":"Parece&#8230; mas n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O nosso poeta Aleixo versejou fortemente esta realidade: parecer n\u00e3o significa ser; ser nem sempre parece. Dizia ele: \u201cSei que pare\u00e7o um ladr\u00e3o; mas h\u00e1 muitos que eu conhe\u00e7o, que, sem parecer o que s\u00e3o, s\u00e3o aquilo que eu pare\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito de uma lei dita de despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto, que, a cada dia, se revela mais uma verdadeira promo\u00e7\u00e3o do aborto, uma descarada liberaliza\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica desumana, ou mais uma vulgar forma de controlo da natalidade. <\/p>\n<p>Veja-se, por exemplo, como as consultas pr\u00e9-aborto s\u00e3o, na realidade, pr\u00f3-aborto. Basta pensar que est\u00e1 vedado mostrar \u00e0 mulher em causa a ecografia do seu filho (para que se n\u00e3o deixe impressionar?&#8230;), que os m\u00e9dicos objectores de consci\u00eancia n\u00e3o poder\u00e3o fazer essas consultas (entretanto, os mesmos servem para encaminhar as mulheres que o solicitam para institui\u00e7\u00f5es e pessoas que realizam o aborto), que n\u00e3o se esgotam informa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e totais sobre outras sa\u00eddas\u2026<\/p>\n<p>As garantias de assist\u00eancia de sa\u00fade \u00e0s candidatas tomam prioridade sobre muitas situa\u00e7\u00f5es graves, que se arrastam indefinidamente no nosso sistema. E &#8211; pasme-se! &#8211; a remunera\u00e7\u00e3o, quando a recupera\u00e7\u00e3o o exigir, supera a das gr\u00e1vidas com necessidades de repouso ou das que fazem o acompanhamento dos rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p> Afinal, a lei n\u00e3o parece promotora da cultura da morte, da liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto; mas \u00e9. Afinal, a lei parece ser uma resposta poss\u00edvel a um problema social grave; mas, na realidade, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>A par com isto, vem a governa\u00e7\u00e3o divulgar medidas que parecem de apoio \u00e0 natalidade. Mas, de facto, embora signifiquem alguma melhoria na pol\u00edtica de apoio \u00e0 fam\u00edlia, n\u00e3o promovem a invers\u00e3o do decr\u00e9scimo demogr\u00e1fico. <\/p>\n<p>Para al\u00e9m de serem das mais insignificantes medidas, neste campo, dentro da Uni\u00e3o Europeia, n\u00e3o manifestam qualquer estrat\u00e9gia na correc\u00e7\u00e3o do d\u00e9fice demogr\u00e1fico. Isto, porque\tn\u00e3o enunciam estrat\u00e9gias nem prazos para inverter esta tend\u00eancia de extin\u00e7\u00e3o da \u201cesp\u00e9cie\u201d. Afinal, parece ser uma resposta ao inverno demogr\u00e1fico que atravessamos; mas n\u00e3o \u00e9. S\u00e3o apenas medidas avulsas, certamente com o intuito de conquistar a simpatia da opini\u00e3o p\u00fablica; mas, de modo algum, medidas de fundo em busca do bem comum.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos at\u00e9 pensar que estamos perante um pai cruel que, por um lado, veda o direito \u00e0 vida a um seu filho nascituro; e, por outro, vai procurar compensar o remorso com um miminho sobre o filhote sobrevivente. Todavia, n\u00e3o resulta. Quem morreu, morreu; e ningu\u00e9m o substitui!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nosso poeta Aleixo versejou fortemente esta realidade: parecer n\u00e3o significa ser; ser nem sempre parece. Dizia ele: \u201cSei que pare\u00e7o um ladr\u00e3o; mas h\u00e1 muitos que eu conhe\u00e7o, que, sem parecer o que s\u00e3o, s\u00e3o aquilo que eu pare\u00e7o\u201d. 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