{"id":10313,"date":"2007-08-01T16:58:00","date_gmt":"2007-08-01T16:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10313"},"modified":"2007-08-01T16:58:00","modified_gmt":"2007-08-01T16:58:00","slug":"santa-joana-em-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/santa-joana-em-roma\/","title":{"rendered":"Santa Joana em Roma"},"content":{"rendered":"<p>A igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, situada na Via dei Portoghesi, deriva de outra muito mais antiga, que teve por titular n\u00e3o o nosso Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, mas Santo Ant\u00e3o (ou Ant\u00f3nio), c\u00e9lebre anacoreta da Tebaida (Egipto), dos princ\u00edpios do s\u00e9culo IV, que viveu no deserto, em cavernas e entre os animais, afastado dos homens e s\u00f3 em ora\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Porque Santo Ant\u00e3o era e \u00e9 invocado como protector dos animais, por conviver com eles, foi-lhe dedicada esta zona de Roma \u2013 o Campo Marzio &#8211; onde se realizavam feiras para compra e venda de animais. Uma capela, que a\u00ed existia, por volta de 1440 foi adquirida pelo cardeal portugu\u00eas D. Ant\u00e3o Martins de Chaves (bispo do Porto em 1424-1447), anexando-a ao hosp\u00edcio que D. Guiomar de Lisboa havia fundado, cerca de 1363, para assist\u00eancia dos peregrinos e peregrinas pobres, idos de Portugal com o fim de venerar os t\u00famulos dos Ap\u00f3stolos S. Pedro e S. Paulo e de lucrar indulg\u00eancias. Da invoca\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00e3o (que em latim e italiano se diz Santo Ant\u00f3nio) tornou-se f\u00e1cil passar \u00e0 do nosso Santo Ant\u00f3nio, dito de Lisboa porque aqui nasceu, ou de P\u00e1dua porque a\u00ed morreu e foi sepultado.<\/p>\n<p>No decurso dos tempos, a igreja foi ampliada e diversas vezes restaurada e sempre cada vez mais enriquecida. A fachada ostenta o bras\u00e3o de Portugal. O interior \u00e9 harmonioso, rico em m\u00e1rmores, estuques e bronzes; consta de uma s\u00f3 nave, com quatro capelas laterais e amplo transepto.<\/p>\n<p>Na primeira capela do lado esquerdo, h\u00e1 um quadro de Antoniazzo Romano (1430-1508), pintado sobre madeira, que representa a Virgem Maria com o Menino, Santo Ant\u00f3nio e S. Francisco de Assis; \u00e9 talvez a obra de arte mais antiga e de maior valor. Os restantes quadros s\u00e3o de autores mais recentes. A grande tela do ret\u00e1bulo da \u00e1bside, que representa a apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora com o Menino a Santo Ant\u00f3nio, \u00e9 do pintor Giacinto Calandrucci (1646-1707). Tamb\u00e9m \u00e9 do mesmo o Baptismo de Jesus, na segunda capela do lado direito.<\/p>\n<p>Singularmente expressivo \u00e9 o grande quadro de Santa Isabel (entre o marido D. Dinis e o filho D. Afonso IV), no lado direito do transepto dos pintores romanos Jos\u00e9 Cades (1750-1799) e Luigi Agr\u00edcola (1710-1801), que o terminou. Na extremidade oposta do mesmo transepto encontra-se o altar da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o; o quadro foi pintado por J\u00e1come Zoboli (1681-1717). Na capela-mor, nas duas paredes laterais, h\u00e1 dois quadros, pintados a \u00f3leo sobre tela \u00e0 volta dos anos de 1720-1730; um deles representa as Princesas Santas Sancha e Teresa, filhas de D. Sancho I, e o outro a Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V. Estas figuras, com Santa Mafalda, tamb\u00e9m se encontram nos medalh\u00f5es da c\u00fapula desde a segunda metade do s\u00e9culo XIX, tendo sido afrescadas pela m\u00e3o de Francesco Grandi (1831-1891), outrossim autor dos pendentes que representam os Santos M\u00e2ncio, Geraldo, D\u00e2maso e V\u00edtor, de origem ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Na tarde livre do dia 20 de Junho, aquando de uma semana passada em Roma com um grupo de peregrinos, desloquei-me \u00e0 igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, com mais quatro pessoas, entre elas a cooperadora Maria dos Anjos e a minha sobrinha Margarida Maria. Nesta ocasi\u00e3o, levou-me l\u00e1 a curiosidade de ver novamente, agora com mais min\u00facia, o grande quadro, do in\u00edcio de setecentos, que interpreta com arte e perfei\u00e7\u00e3o a Padroeira de Aveiro, em h\u00e1bito dominicano; ela resiste corajosamente \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o teimosa do irm\u00e3o D. Jo\u00e3o II, que lhe oferece uma coroa em ordem a um qualquer casamento real. A pintura, com 2,12 por 1,39 metros, deve-se ao g\u00e9nio e ao pincel de Michelangelo Cerruti (1666-1748), enquanto a do lado oposto \u00e9 de Giovanni Odazzi (1663-1731). Antes do termo da visita, sobre o altar da liturgia e no meio das nossas Princesas, tivemos o gosto e a devo\u00e7\u00e3o de celebrarmos a Eucaristia, com as ora\u00e7\u00f5es de Santa Joana.<\/p>\n<p>Todo o portugu\u00eas, que vai e percorre Roma, tem de colocar no seu programa uma visita \u00e0 nossa igreja nacional, esp\u00e9cime singular do barroco italiano; e um aveirense, dentro do templo, n\u00e3o pode deixar de admirar o retrato pict\u00f3rico da sua Padroeira, que lhe aparece com a firme decis\u00e3o de prosseguir na concretiza\u00e7\u00e3o do projecto da sua pr\u00f3pria vida, idealizado nos alvores da sua juventude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, situada na Via dei Portoghesi, deriva de outra muito mais antiga, que teve por titular n\u00e3o o nosso Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, mas Santo Ant\u00e3o (ou Ant\u00f3nio), c\u00e9lebre anacoreta da Tebaida (Egipto), dos princ\u00edpios do s\u00e9culo IV, que viveu no deserto, em cavernas e entre os animais, afastado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-10313","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10313\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}