{"id":10356,"date":"2007-08-29T11:43:00","date_gmt":"2007-08-29T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10356"},"modified":"2007-08-29T11:43:00","modified_gmt":"2007-08-29T11:43:00","slug":"a-unir-como-fazem-as-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-unir-como-fazem-as-pontes\/","title":{"rendered":"A unir como fazem as pontes!"},"content":{"rendered":"<p>Todas as constru\u00e7\u00f5es perduram no tempo quando s\u00e3o bem alicer\u00e7adas!<\/p>\n<p>Esta realidade \u00e9, humanamente, tanto mais assertiva quanto a mensagem b\u00edblica (Lc 6, 48ss e 14, 28ss) fundamenta toda a vida daqueles que, como o Pe Artur, fazem da solidez de car\u00e1cter e da persist\u00eancia inquebrant\u00e1vel um dom ao servi\u00e7o dos outros.<\/p>\n<p>Sei que, por isso, h\u00e1 um tra\u00e7o caracter\u00edstico naquele que ser\u00e1 para sempre o alicerce (assente sobre a rocha, resistente, rude, s\u00f3lida) da Par\u00f3quia de Nossa Senhora de F\u00e1tima: as obras!<\/p>\n<p>Um sacerdote a quem o Senhor chamou para exercer o seu minist\u00e9rio durante quarenta anos na P\u00f3voa do Valado e Mamodeiro s\u00f3 podia ser \u2013 que falem mais alto as mem\u00f3rias de D. Domingos da Apresenta\u00e7\u00e3o Fernandes e de D. Manuel de Almeida Trindade, o livro \u201cOs de Mamodeiro e o bispo de Aveiro\u201d! &#8211; um homem de car\u00e1cter, que consagrasse toda a sua vida a unir, a construir a unidade.<\/p>\n<p>Mas foi preciso construir tudo: a paridade entre os lavradores abastados e preponderantes e os assalariados vindos quase todos do interior norte do pa\u00eds; criar \u00edndices de reconhecimento dentro de cada lugar \u2013 o centro do lugar da P\u00f3voa do Valado, por exemplo, ainda hoje \u00e9 denominado por \u201cBarreiras\u201d, porque ningu\u00e9m se atrevia a passar sozinho de um lado para o outro, ali era uma barreira intranspon\u00edvel; gerar a comunh\u00e3o entre as pessoas, independentemente do seu estado econ\u00f3mico! Era necess\u00e1rio quem lan\u00e7asse m\u00e3os destemidas \u00e0 obra: o Pe Artur criou e ensaiou, por celeiros e s\u00f3t\u00e3os, grupos de teatro; incentivou a cria\u00e7\u00e3o de clubes; apoiou Ranchos Folcl\u00f3ricos; organizou cortejos de oferendas, em que o essencial era as pessoas prepararem (encontrarem-se!) em conjunto uma pe\u00e7a de teatro, uma can\u00e7\u00e3o popular, a dramatiza\u00e7\u00e3o de um quadro da vida no campo, para animar os v\u00e1rios desfiles. As noites de Inverno eram animadas por semanas de Prega\u00e7\u00e3o \u2013 os pregadores mais lembrados s\u00e3o o Frei Avelino e o Pe Andrade!<\/p>\n<p>Fomentou os cursos de agricultura; os cursos para donas de casa; os cursos de \u00f3rg\u00e3o; os cursos de catequistas; os cursos b\u00edblicos \u2013 quando um adolescente fazia a profiss\u00e3o de f\u00e9 oferecia, a cada um, uma B\u00edblia \u2013; as semanas de liturgia, mais tarde em F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Era necess\u00e1rio aproximar os que estavam longe?! Criou o jornal \u201cNot\u00edcias de Nariz e F\u00e1tima\u201d \u2013 para servir as duas comunidades que paroquiava. Nariz desde 1961! <\/p>\n<p>O jornal seria a boa not\u00edcia que chegava a todos os lares, tamb\u00e9m aos emigrantes a quem gostava de visitar para os manter correspons\u00e1veis com as suas ra\u00edzes. Assumia como imperativo as visitas mensais aos doentes (colocava \u00e0 porta da Igreja quem, porventura, estava hospitalizado), o sacramento da confiss\u00e3o, a festa da Santa Un\u00e7\u00e3o, o Dia da Comunidade Paroquial, Nossa Senhora: todos os dias era fiel \u00e0 \u201cleitura\u201d \u2013 como dizia &#8211; das horas e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o!<\/p>\n<p>E os jovens foram uma preocupa\u00e7\u00e3o permanente. Desde a primeira hora abra\u00e7ou os Conv\u00edvios Fraternos, quando o Pe Valente de Matos, seu conterr\u00e2neo e fundador do Movimento, o implantou em Portugal e em Aveiro. Mas tamb\u00e9m nos grupos paroquiais, nos campos de F\u00e9rias, antec\u00e2mara de anos pastorais bem sucedidos!<\/p>\n<p>Mas todas estas obras de evangeliza\u00e7\u00e3o requerem \u2013 express\u00e3o sua \u2013 um espa\u00e7o para se desenvolverem com dignidade! A dignidade nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas, nas prociss\u00f5es, nos funerais, no apoio social, nos cuidados de sa\u00fade\u2026 Porque \u201cna tua vida s\u00ea sempre retrato de Deus, nunca sua caricatura\u201d! O Pe Artur anunciava e vivia este lema em tudo o que promovia!<\/p>\n<p>E conquistado o reconhecimento, o afecto das pessoas, surgiu a Par\u00f3quia, a Igreja (a Igreja!), a resid\u00eancia, o sal\u00e3o, o centro social paroquial, a Freguesia (foi determinante o seu empenho), o posto m\u00e9dico! Renovou todas as capelas. Tudo!<\/p>\n<p>E tudo foi feito com uma diplomacia sagaz! O Pe Artur era mestre na diplomacia, mesmo quando era necess\u00e1rio subverter o ad\u00e1gio: semeava ventos, gerava tempestades, porque acreditava na for\u00e7a da bonan\u00e7a que viria depois!<\/p>\n<p>Quando a Par\u00f3quia de Nossa Senhora de F\u00e1tima celebrou festivamente as bodas de prata sacerdotais do Pe Artur, em Julho de 1980, foram editadas as tradicionais pagelas evocativas da solenidade. Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o o lema sacerdotal do Pe Artur: \u201cUnir como fazem as pontes\u201d! <\/p>\n<p>Passados outros vinte e cinco, confirmava-se ent\u00e3o a obra que Deus quis que ele edificasse: unir! Unir todas as pessoas, todos os lugares, unir o que era disperso. Por\u00e9m, as comunidades de Nariz e F\u00e1tima reconheciam, em agradecimento festivo, que o Senhor exigiu tamb\u00e9m ao Pe Artur, desde o in\u00edcio, que poderia unir como fazem as pontes mas em primeiro lugar tinha de as construir! Todos sabemos o resto: nem olhou para tr\u00e1s (Lc 9, 62)!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as constru\u00e7\u00f5es perduram no tempo quando s\u00e3o bem alicer\u00e7adas! Esta realidade \u00e9, humanamente, tanto mais assertiva quanto a mensagem b\u00edblica (Lc 6, 48ss e 14, 28ss) fundamenta toda a vida daqueles que, como o Pe Artur, fazem da solidez de car\u00e1cter e da persist\u00eancia inquebrant\u00e1vel um dom ao servi\u00e7o dos outros. 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