{"id":10389,"date":"2007-08-29T14:44:00","date_gmt":"2007-08-29T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10389"},"modified":"2007-08-29T14:44:00","modified_gmt":"2007-08-29T14:44:00","slug":"pesadelos-de-uma-profecia-falhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pesadelos-de-uma-profecia-falhada\/","title":{"rendered":"Pesadelos de uma profecia falhada"},"content":{"rendered":"<p>Foi muito curiosa, apesar de esperada, a reac\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em diversos graus e escal\u00f5es, perante a primeira contagem dos abortos realizados, com um m\u00eas de vig\u00eancia da lei. S\u00f3 300? Como \u00e9 poss\u00edvel acontecer assim? Estamos perdidos! E multiplicaram-se as explica\u00e7\u00f5es para esta desgra\u00e7a (!), para eles inesperada. At\u00e9 que, dias depois, as vozes apareceram mais animadas. J\u00e1 eram 526! Mas lamentava-se, em surdina, que sete ou oito mulheres, (que pobre gente!) depois das explica\u00e7\u00f5es regulamentares recebidas, tinham desistido de abortar. E l\u00e1 se foi dizendo, como que a prevenir para evitar derrotas morais, que se esperavam 1600 abortos por m\u00eas\u2026 S\u00f3 com estes se pode dar raz\u00e3o \u00e0s raz\u00f5es e promessas do referendo\u2026<\/p>\n<p>Se n\u00e3o aumentarem os abortos a pedido, dizia-se nas entrelinhas, como se poder\u00e1 chegar aos 30 mil clandestinos de que tanto se falou na campanha? O fantasma, por\u00e9m, est\u00e1 a\u00ed de novo. O problema \u00e9 preocupante, porque os do \u201cn\u00e3o\u201d continuam em campo e n\u00e3o v\u00e3o desarmar, nem se v\u00e3o calar\u2026 Que pesadelo! Como se n\u00e3o bastassem os n\u00fameros.<\/p>\n<p>Para levantar os \u00e2nimos abatidos dos preocupados, o Director Geral, um t\u00e9cnico com tiques e reac\u00e7\u00f5es a pedir um estudo das profundidades, j\u00e1 vai ensaiando, segundo os jornais, dois cen\u00e1rios apaziguadores: aos tr\u00eas meses de contagem dos abortos, pedidos e realizados, \u00e9 que se saber\u00e1 o andamento, por isso h\u00e1 que esperar confiantes, at\u00e9 Outubro; se os abortos n\u00e3o aumentarem, na linha da profecia que afirmava os clandestinos a ro\u00e7ar os 30 mil por ano, ent\u00e3o \u00e9 porque, finalmente, (!) as gr\u00e1vidas portuguesas se dispuseram a participar na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de abortos, de harmonia com os objectivos previstos pela lei\u2026Nem mais.<\/p>\n<p>Toda esta conversa s\u00f3 se justifica porque no Ver\u00e3o pouca gente l\u00ea os jornais e depressa se passa a p\u00e1gina. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muita a gente que ouve os pol\u00edticos, a n\u00e3o ser que haja sarilhos e \u201cbotas\u201d desenquadradas. Por outro lado, com o futebol a entrar em cena, tudo o mais passa a secund\u00e1rio. Os movimentos abortistas de h\u00e1 muito depuseram armas, uma vez que a sua batalha estava ganha. Voltam-se, por agora, para os transg\u00e9nicos\u2026 As cl\u00ednicas abortadoras legais est\u00e3o em boa mar\u00e9. Mais dez ou menos dez semanas, h\u00e1 sempre raz\u00e3o para acolher bem quem as procura para se aliviar de pesadelos e de fetos vivos. As n\u00e3o legais actuam sem temores e os ju\u00edzes s\u00e3o agora mais benevolentes\u2026<\/p>\n<p>Assim vai o pa\u00eds no que de mais s\u00e9rio se pode pedir a quem governa e aos cidad\u00e3os: defender a todo o custo a vida j\u00e1 gerada e promover a sa\u00fade pr\u00f3pria e a de todos.<\/p>\n<p>Entretanto, fecharam-se maternidades por raz\u00f5es t\u00e9cnicas e, tamb\u00e9m, porque davam preju\u00edzo, mas h\u00e1 agora, em cada quartel de bombeiros, uma maternidade de quatro rodas, que vai fazendo partos pelas estradas, umas vezes bem sucedidos e outras n\u00e3o tanto. De quem \u00e9 a culpa dos fracassos, quando ocorrem? Dos jornais, claro, que dizem tudo\u2026 Sempre houve fracassos nas maternidades normais e n\u00e3o se fazia tanto barulho. Tudo natural, a n\u00e3o ser que o esc\u00e2ndalo fosse grande e a fam\u00edlia n\u00e3o se conformasse\u2026<\/p>\n<p>A gente sensata previa tudo, at\u00e9 os confrontos escandalosos a\u00ed \u00e0 vista. J\u00e1 nada traz novidade. A descrimina\u00e7\u00e3o entre uma parturiente normal, trabalhadora, e uma gr\u00e1vida que quer abortar \u00e9 simplesmente inadmiss\u00edvel. Os muitos direitos desta fazem correr o minist\u00e9rio para que tudo se resolva sem encargos para ela, aqui, ali ou al\u00e9m. E no resto da sa\u00fade? Portas abertas para fazer abortos, portas fechadas para milhares de portugueses que esperam em v\u00e3o por uma cirurgia urgente, que se resolve a conta gotas, pondo o Ministro a ser rid\u00edculo pelas explica\u00e7\u00f5es que d\u00e1 ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sobra cada vez mais pano para fazer mangas. \u00c9 preciso continuar. Que a gente que pensa, acorde e perceba, perante o que se v\u00ea, se vive e se legisla, que as solu\u00e7\u00f5es legais, nem sempre s\u00e3o justas, morais e \u00e9ticas. E que as pol\u00edticas, muitas vezes s\u00e3o um logro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi muito curiosa, apesar de esperada, a reac\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em diversos graus e escal\u00f5es, perante a primeira contagem dos abortos realizados, com um m\u00eas de vig\u00eancia da lei. S\u00f3 300? Como \u00e9 poss\u00edvel acontecer assim? Estamos perdidos! E multiplicaram-se as explica\u00e7\u00f5es para esta desgra\u00e7a (!), para eles inesperada. 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