{"id":10395,"date":"2007-09-05T11:53:00","date_gmt":"2007-09-05T11:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10395"},"modified":"2007-09-05T11:53:00","modified_gmt":"2007-09-05T11:53:00","slug":"eterna-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eterna-questao\/","title":{"rendered":"Eterna quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Estamos \u00e0s portas do in\u00edcio de um novo ano escolar, que, no nosso Pa\u00eds, por muitas e variadas circunst\u00e2ncias, se transmuta em novo ano educativo, uma vez que \u00e0s escolas est\u00e1 cometida a maior responsabilidade nesta tarefa, pese embora a maioria da culpa se dever ao Estado, que n\u00e3o desarma de ser dono e senhor absoluto do futuro das gera\u00e7\u00f5es em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Uma vez que a Governa\u00e7\u00e3o n\u00e3o abre m\u00e3o deste poder, \u00e9 incapaz de reconhecer \u00e0 sociedade civil a sua independ\u00eancia, \u00e0s suas for\u00e7as vivas a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e iniciativa, aos cidad\u00e3os a maior idade, para analisar, discernir e escolher, \u00e0 fam\u00edlia o direito de desenhar e preferir padr\u00f5es de valores para os seus filhos. Um \u201csistema educativo\u201d como o portugu\u00eas vive a tens\u00e3o entre um desejo incontido do \u201capuramento da ra\u00e7a\u201d (a excel\u00eancia) e a necessidade de mostrar inten\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias (democraticidade).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o continuar\u00e1 a ser \u201ceterna\u201d, at\u00e9 que algu\u00e9m tenha a coragem de fazer a revolu\u00e7\u00e3o educativa. Os factores de mudan\u00e7a j\u00e1 ocorreram &#8211; e claramente. Mas foi errado o modo como foram assumidos. Pass\u00e1mos de uma escola para elites &#8211; e diferenciada apenas pelas m\u00e3os duras e bolsos magros dos pais cujos filhos iam parar \u00e0s escolas t\u00e9cnicas, diferenciadas das m\u00e3os tenras e camisas engravatadas dos pais dos que tinham por \u201cdestino\u201d o liceu &#8211; a uma escola para todos. <\/p>\n<p>Todavia, nesses \u201ctodos\u201d juntou-se uma am\u00e1lgama de diferentes, com fatos de iguais. Acrescida, em poucos anos, de uma diversidade cultural e r\u00e1cica, mesmo civilizacional, imposs\u00edvel de apagar. A\u00ed surgiu a quest\u00e3o: quem gere um curr\u00edculo, que garanta progressos a todos e que respeite a marcha de cada um?&#8230;<\/p>\n<p>Nem curr\u00edculos alternativos, nem gest\u00e3o flex\u00edvel de curr\u00edculo, nem \u201ctruques\u201d semelhantes podem resultar, se o \u201cpatr\u00e3o\u201d for an\u00f3nimo e distante, em vez de uma presen\u00e7a pr\u00f3xima, capaz de perceber e decidir, dentro de limites razo\u00e1veis, percursos de sucesso. Professores e escolas, no antigo regime, n\u00e3o eram mais que executores de um pol\u00edtica delineada em Lisboa. Mas\u2026 Agora temos a autonomia escolar, o projecto de escola\u2026 Tretas! Se at\u00e9 os manuais t\u00eam de se sujeitar a n\u00e3o ter TPC &#8211; a n\u00e3o ser no ano x -, se o n\u00famero de alunos por turma \u00e9 uniforme, seja numa periferia heterog\u00e9nea, seja numa pequena localidade de harmonia cultural perfeita\u2026 <\/p>\n<p>\u00c9 claro que tamb\u00e9m n\u00e3o depende da sociedade civil haver dezenas de milhares de professores excedent\u00e1rios. Ao papel regulador do Estado caberia, provavelmente, aferir as necessidades do Pa\u00eds, num contexto de iniciativa de livre escolha, apontar as balizas das necessidades\u2026<\/p>\n<p>Quer dizer que continuar\u00e1 a ser eterna a quest\u00e3o: um sistema centralizado n\u00e3o ser\u00e1 capaz de resolver o caminho do sucesso nas diferen\u00e7as; uma m\u00e1quina habituada a um  patr\u00e3o que manda tudo dificilmente se adaptar\u00e1 \u00e0 diversidade de propostas e op\u00e7\u00f5es!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos \u00e0s portas do in\u00edcio de um novo ano escolar, que, no nosso Pa\u00eds, por muitas e variadas circunst\u00e2ncias, se transmuta em novo ano educativo, uma vez que \u00e0s escolas est\u00e1 cometida a maior responsabilidade nesta tarefa, pese embora a maioria da culpa se dever ao Estado, que n\u00e3o desarma de ser dono e senhor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-10395","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10395\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}