{"id":10439,"date":"2007-09-05T15:21:00","date_gmt":"2007-09-05T15:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10439"},"modified":"2007-09-05T15:21:00","modified_gmt":"2007-09-05T15:21:00","slug":"os-tres-niveis-da-comunicacao-social-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-tres-niveis-da-comunicacao-social-da-igreja\/","title":{"rendered":"Os tr\u00eas n\u00edveis da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>EDUARDO CINTRA TORRES<\/p>\n<p>1. Qualquer debate ou reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a comunica\u00e7\u00e3o social dever\u00e1 esclarecer antecipadamente do que estamos a falar, para desfazer quaisquer equ\u00edvocos e para que a pr\u00f3pria Igreja possa tomar as medidas adequadas.<\/p>\n<p>Eu dividiria o tema em tr\u00eas:<\/p>\n<p>&#8211; a rela\u00e7\u00e3o da Igreja, enquanto institui\u00e7\u00e3o inscrita na sociedade civil, com os media em geral dessa mesma sociedade civil, como as TVs, as r\u00e1dios, os di\u00e1rios generalistas e de refer\u00eancia, etc.<\/p>\n<p>&#8211; a Igreja enquanto produtora de comunica\u00e7\u00e3o social, seja ou n\u00e3o propriet\u00e1ria dos media (r\u00e1dios nacionais, regionais e locais, programas exprimindo as posi\u00e7\u00f5es da Igreja, os jornais em papel e na internet, etc.)<\/p>\n<p>&#8211; a Igreja enquanto produtora de comunica\u00e7\u00e3o religiosa, isto \u00e9, de eventos quotidianos, semanais, anuais ou espor\u00e1dicos do exclusivo dom\u00ednio do ritual e da f\u00e9 (eucaristia, ter\u00e7o, F\u00e1tima, Vaticano, visitas papais, etc.)<\/p>\n<p>2. Quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da Igreja com outros \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o pode deixar de passar pela profissionaliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel ignorar-se que todo o conte\u00fado tem forma: n\u00e3o h\u00e1 mensagem que nos chegue sem forma (palavras, sintaxe, ret\u00f3rica, fotos, imagens em movimento, cen\u00e1rio, ilumina\u00e7\u00e3o, etc.). O conte\u00fado tem de ser adequado aos destinat\u00e1rios, a come\u00e7ar pelos jornalistas que ser\u00e3o os intermedi\u00e1rios. O risco de adultera\u00e7\u00e3o da mensagem \u00e9 maior quando a adapta\u00e7\u00e3o ao destinat\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 feita pela pr\u00f3pria entidade que a pretende comunicar. Fazem parte da profissionaliza\u00e7\u00e3o: primeiro, as t\u00e9cnicas do marketing (a palavra n\u00e3o deve assustar, \u00e9 apenas uma palavra; se se quiser, podemos inventar outra: audiencing, isto \u00e9, adaptar a mensagem \u00e0 audi\u00eancia concreta com a m\u00e1xima efic\u00e1cia); segundo, a reflex\u00e3o sobre qual o registo em que os representantes da Igreja, por ser Igreja, devem comunicar com os media, para que a comunica\u00e7\u00e3o seja adequada e prof\u00edcua.<\/p>\n<p>3. Quanto \u00e0 Igreja enquanto produtora de comunica\u00e7\u00e3o: deveria, em primeiro lugar, usar a Internet o mais r\u00e1pida e amplamente poss\u00edvel. A Internet \u00e9 uma rede, tal como a Igreja: como n\u00e3o adequar a primeira \u00e0s necessidades da segunda? Em segundo lugar, o refrescamento formal dos media ou dos conte\u00fados da comunica\u00e7\u00e3o da Igreja deveria ser considerado uma prioridade, porque a responsabilidade da inefic\u00e1cia comunicacional mais facilmente reside no mensageiro do que na mensagem. <\/p>\n<p>4. Quanto \u00e0 Igreja enquanto produtora de comunica\u00e7\u00e3o religiosa: dada a rigidez dos ritos, as eventuais altera\u00e7\u00f5es para maior efic\u00e1cia da comunica\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e3o ocorrer a tr\u00eas n\u00edveis:<\/p>\n<p>&#8211; melhorias no \u00e2mbitos das pr\u00f3prias celebra\u00e7\u00f5es, em especial da m\u00fasica. Esta deve ter qualidade no report\u00f3rio e na interpreta\u00e7\u00e3o para ser transmitida a n\u00edvel nacional ou mesmo internacional. N\u00e3o esque\u00e7amos que, sendo transmitidas audiovisualmente, as cerim\u00f3nias cat\u00f3licas ficam sujeitas \u00e0 compara\u00e7\u00e3o com toda a m\u00fasica de todo o mundo, quer em termos de report\u00f3rio quer de interpreta\u00e7\u00e3o. A Igreja poderia nomear uma comiss\u00e3o de m\u00fasicos profissionais, que organizasse ou encomendasse temas para um novo report\u00f3rio de qualidade e que fosse mais galvanizador do que o actual. Em termos de interpreta\u00e7\u00e3o, deveria escolher os int\u00e9rpretes nas celebra\u00e7\u00f5es transmitidas pela r\u00e1dio e TV, dado que essa transmiss\u00e3o atribuiu \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es um car\u00e1cter n\u00e3o apenas local mas universal.<\/p>\n<p>&#8211; Renova\u00e7\u00e3o dos aspectos de conte\u00fado das homilias, de forma a que transmitam n\u00e3o apenas a palavra religiosa, mas ligando-as \u00e0 realidade da comunidade e\/ou audi\u00eancia que as acompanha; atentar \u00e0s formas actuais da comunica\u00e7\u00e3o em p\u00fablico (ao vivo e pelos media), de modo a que os celebrantes comuniquem verbal e n\u00e3o-verbalmente por processos adequados \u00e0s pessoas de hoje.<\/p>\n<p>&#8211; Altera\u00e7\u00f5es nas transmiss\u00f5es audiovisuais de cerim\u00f3nias que, sem ofender o seu car\u00e1cter religioso, as tornem mais atractivas para a audi\u00eancia; por exemplo, pela introdu\u00e7\u00e3o de um comentador que explique as cerim\u00f3nias e a sua simbologia (incluindo nas missas dominicais na TV) ou pela introdu\u00e7\u00e3o ou sobreposi\u00e7\u00e3o de imagens do mundo ou da arte crist\u00e3 (se uma homilia fala da fome do mundo, por que n\u00e3o mostr\u00e1-la em imagens sobrepostas? Se a missa \u00e9 de Natal, porque n\u00e3o mostrar os epis\u00f3dios b\u00edblicos do Natal, atrav\u00e9s da melhor arte dos museus e templos do mundo); e ainda pela cria\u00e7\u00e3o de apontamentos de reportagem de 30 a 60 segundos (a introduzir antes ou depois da missa) sobre a par\u00f3quia onde se realiza a eucaristia ou sobre o trabalho social realizado pelos seus paroquianos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EDUARDO CINTRA TORRES 1. Qualquer debate ou reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a comunica\u00e7\u00e3o social dever\u00e1 esclarecer antecipadamente do que estamos a falar, para desfazer quaisquer equ\u00edvocos e para que a pr\u00f3pria Igreja possa tomar as medidas adequadas. Eu dividiria o tema em tr\u00eas: &#8211; a rela\u00e7\u00e3o da Igreja, enquanto institui\u00e7\u00e3o inscrita na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}