{"id":10445,"date":"2007-09-05T15:28:00","date_gmt":"2007-09-05T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10445"},"modified":"2007-09-05T15:28:00","modified_gmt":"2007-09-05T15:28:00","slug":"degradacao-grave-cada-vez-mais-perigosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/degradacao-grave-cada-vez-mais-perigosa\/","title":{"rendered":"Degrada\u00e7\u00e3o grave, cada vez mais perigosa"},"content":{"rendered":"<p>Uma semana com not\u00edcias, reportagens, entrevistas, clamores e lamenta\u00e7\u00f5es, sobre um caso recente ocorrido no Porto, trazendo \u00e0 mem\u00f3ria outros dos mesmos ambientes. Um empres\u00e1rio da vida nocturna, quarenta e dois anos, baleado \u00e0s duas da manh\u00e3, junto de uma das suas casas de divers\u00e3o. Disseram os jornais que ele come\u00e7ara nesta vida como seguran\u00e7a, estava riqu\u00edssimo, v\u00e1rias casas deste neg\u00f3cio, autom\u00f3veis dos mais caros e que at\u00e9 recorria a avi\u00e3o alugado para ver no estrangeiro os jogos do seu clube\u2026 Um empres\u00e1rio de sucesso! Um outro do mesmo ramo lamentou o sucedido, e foi dizendo que a morte come\u00e7ou pelos seguran\u00e7as, j\u00e1 chegou aos empres\u00e1rios, amanh\u00e3 ser\u00e3o os clientes\u2026 \u201c\u00c9 precisa mais pol\u00edcia a vigiar estes lugares\u201d, grita-se por a\u00ed.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se noticiou que \u201cApenas 12 dos 156 (!) estabelecimentos do Grande Porto t\u00eam protec\u00e7\u00e3o de empresas de seguran\u00e7a legalizadas\u201de que, \u201cnuma zona da cidade onde h\u00e1 dez mega-espa\u00e7os de divers\u00e3o nocturna, s\u00f3 tr\u00eas deles est\u00e3o legalizados\u201d(!). <\/p>\n<p>Abundam amea\u00e7as secretas de seguran\u00e7as rejeitados, provocam-se desacatos para gerar inseguran\u00e7a no local, agora at\u00e9 se diz que h\u00e1 pol\u00edcias implicados, porque trabalham ali nas horas de folga, e por a\u00ed adiante. A autoridade judicial, essa s\u00f3 actua perante queixa.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que se passa e se vai sabendo, sempre que h\u00e1 crime pelo meio. Por\u00e9m, a degrada\u00e7\u00e3o, o perigo p\u00fablico e o esc\u00e2ndalo n\u00e3o ficam por aqui. Muita gente o sabe e s\u00e3o muitas as v\u00edtimas destes ambientes, porque nem s\u00f3 de tiros se morre.  <\/p>\n<p>Muitas discotecas, danceterias, bares de alterne e outras casas do g\u00e9nero s\u00e3o, tamb\u00e9m, lugares de venda e consumo de drogas duras, de bebedeiras de caix\u00e3o \u00e0 cova, de convite \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o e \u00e0 pouca vergonha, de ocasi\u00e3o de acidentes mortais na estrada, de destrui\u00e7\u00e3o de locais p\u00fablicos, de morte de fam\u00edlias s\u00e9rias e de vidas jovens. Ser\u00e1 que ningu\u00e9m do governo e da pol\u00edcia leu a reportagem da revista S\u00e1bado (23\/29 de Agosto) e tantas coisas que os jornais narraram nestes dias? Vai tudo ficar na mesma? O importante \u00e9 descobrir quem baleou. Depois? Depois nada ou pouco mais que nada.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 profundo e s\u00e9rio. S\u00e3o lugares, altamente rent\u00e1veis, prop\u00edcios \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral e social, e que n\u00e3o raro a favorecem. Disto ningu\u00e9m duvida. Mas est\u00e3o legalizados, d\u00e3o dinheiro a muita gente, muitos jovens e menos jovens j\u00e1 n\u00e3o passam sem este atordoamento alienante\u2026 S\u00f3 l\u00e1 vai quem quer e, n\u00e3o havendo queixas, nem mortes, tudo bem\u2026 O que se passa depois \u00e9 com cada um, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 com o governo, nem com as pol\u00edcias\u2026 Assim se adormecem responsabilidades p\u00fablicas!<\/p>\n<p>Entretanto, o cidad\u00e3o vulgar, se anda atento, vai comparando coisa com coisa, medida com medida, norma com norma, e v\u00ea o descontrole disto tudo. Por isto e por tantas outras coisas, como o que se passa no futebol, nas medidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 droga, na corrup\u00e7\u00e3o alargada, na inseguran\u00e7a reinante, na podrid\u00e3o moral j\u00e1 aceite por muitos como coisa normal, a degrada\u00e7\u00e3o parece j\u00e1 n\u00e3o ter limites. Sem queixas, nem crimes de primeira p\u00e1gina que cheguem \u00e0s inst\u00e2ncias europeias, sem esc\u00e2ndalos que extravasem fronteiras, com leis para dissuadir, somos como o resto da Europa, n\u00e3o h\u00e1 perigo. <\/p>\n<p>Quando surge um problema grave, logo surgem muitos outros que s\u00e3o causas ou efeitos. Mas, no imediato, h\u00e1 outras preocupa\u00e7\u00f5es, como se governar n\u00e3o fosse, tamb\u00e9m, avaliar e prevenir. Agora foi assim no Porto, mas na pr\u00f3xima semana, tudo passou e j\u00e1 n\u00e3o se fala. Os amigos reencontram-se, a pol\u00edcia muda de giro, instala-se o sil\u00eancio que favorece os criminosos, os jornalistas calam-se ou olham para outro lado, se o que se passa n\u00e3o enche p\u00e1ginas, as pessoas esquecem e voltam ao euromilh\u00f5es, os pol\u00edticos e os partidos unidimensionais e com baias restritivas, se as coisas n\u00e3o lhes tocam nos interesses, assobiam para o lado e dormem tranquilos. <\/p>\n<p>Assim vai caindo a casa sem alicerces. Quem vier, que junte e arrume os escombros\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma semana com not\u00edcias, reportagens, entrevistas, clamores e lamenta\u00e7\u00f5es, sobre um caso recente ocorrido no Porto, trazendo \u00e0 mem\u00f3ria outros dos mesmos ambientes. Um empres\u00e1rio da vida nocturna, quarenta e dois anos, baleado \u00e0s duas da manh\u00e3, junto de uma das suas casas de divers\u00e3o. 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