{"id":10488,"date":"2007-09-12T17:01:00","date_gmt":"2007-09-12T17:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10488"},"modified":"2007-09-12T17:01:00","modified_gmt":"2007-09-12T17:01:00","slug":"virtude-indispensavel-a-quem-serve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/virtude-indispensavel-a-quem-serve\/","title":{"rendered":"Virtude Indispens\u00e1vel a quem serve"},"content":{"rendered":"<p>Por mais que a palavra custe a ouvir e pare\u00e7a ultrapassada e inc\u00f3moda, esta virtude indispens\u00e1vel chama-se humildade. Se a humildade \u00e9 a verdade, num tempo em que muito se vai construindo sobre a areia e a lama da meia verdade, quando n\u00e3o mesmo sobre a mentira e o mundo dos interesses, pessoais ou de grupo, a parceria indestrut\u00edvel da humildade com a verdade nem \u00e9 apreciada, nem querida.<\/p>\n<p>Todos, mas especialmente aqueles cuja vida, de modo permanente ou por um tempo, se traduz em servi\u00e7o aos outros, a cada um e a todos, t\u00eam por dever cultivar a humildade, essa atitude rica que acolhe sem preconceitos, escuta com respeito, responde com serenidade, orienta com paci\u00eancia, agradece com delicadeza, sorri sem fingimento, e deixa, por fim, o sabor delicioso e reconfortante do dever bem cumprido. Tudo isto \u00e9 servir e servir \u00e9 considerar o outro como raz\u00e3o de ser do nosso agir. Tudo isto \u00e9 viver com horizontes abertos e largos, capazes de ajudar a vencer a tenta\u00e7\u00e3o de confinar a sua ac\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou aos interesses dos amigos e conhecidos.<\/p>\n<p>Quem serve \u00e9 um permanente aprendiz que se vai aperfei\u00e7oando, mesmo recebendo daqueles aos quais serve. Assim vai qualificando mais o seu servi\u00e7o a todos. Por\u00e9m, nem todos os servidores se matricularam nesta escola. <\/p>\n<p>Quando impera o orgulho ou a rela\u00e7\u00e3o se traduz por superioridade e poder, o pol\u00edtico diz que n\u00e3o recebe de ningu\u00e9m li\u00e7\u00f5es de democracia; o funcion\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o recebe li\u00e7\u00f5es de civismo e de educa\u00e7\u00e3o; o jornalista entrevistador n\u00e3o aceita perguntas, porque se algu\u00e9m se lhe contrap\u00f5e, logo diz que \u00e9 entrevistador e n\u00e3o entrevistado; o agente da autoridade diz que \u00e9 assim a lei e n\u00e3o h\u00e1 mais a explicar; o professor manda calar o aluno insistente e recorda \u00e0 turma que o \u00fanico que ali sabe alguma coisa \u00e9 ele e mais ningu\u00e9m. <\/p>\n<p>At\u00e9 o ministro da Igreja, servidor a tempo inteiro, por voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, por vezes cansado, cai na mesma tenta\u00e7\u00e3o e vai respondendo aos impertinentes que ripostam \u00e0s exig\u00eancias com considera\u00e7\u00f5es religiosas, que n\u00e3o aceita li\u00e7\u00f5es de Evangelho\u2026<\/p>\n<p>Um mundo de gente, com esta sufici\u00eancia e saber, ser\u00e1 sempre pobre e empobrecedor. \u00c9 ent\u00e3o que ganha sentido a palavra da sabedoria popular: \u201cDiz-me do que presumes e eu te direi o que te faz falta\u201d.<\/p>\n<p>Se as rela\u00e7\u00f5es pessoais n\u00e3o s\u00e3o mutuamente enriquecedoras, multiplicam-se as atitudes de sobranceria, despeito, ju\u00edzo f\u00e1cil, marginaliza\u00e7\u00e3o. E as pessoas, todas elas, ficam a valer cada vez menos aos olhos dos outros. A comunica\u00e7\u00e3o humilde, pr\u00f3pria das pessoas grandes, acolhe e aproxima. A sobranceria, pr\u00f3pria dos an\u00f5es mentais, n\u00e3o ouve nem atende, \u00e9 orgulhosa e levanta muros intranspon\u00edveis.<\/p>\n<p>Num clima onde escasseia a verdade, n\u00e3o tem lugar a humildade. Verdade e humildade s\u00e3o insepar\u00e1veis. O servi\u00e7o respeitoso ao outro torna-se dif\u00edcil, se n\u00e3o mesmo imposs\u00edvel; aumenta a cegueira pessoal e deixa de se ver hoje o que se apoiava ontem; perde-se a mem\u00f3ria das pessoas e das coisas, e aumenta a suspei\u00e7\u00e3o e o esp\u00edrito de concorr\u00eancia. Quem ontem era indispens\u00e1vel, hoje \u00e9 ignorado, se n\u00e3o mesmo detestado e inc\u00f3modo; o balc\u00e3o de atendimento n\u00e3o \u00e9 mais um espa\u00e7o de encontro, mas um lugar de conflito, prepot\u00eancia e humilha\u00e7\u00e3o; na sala de aula h\u00e1 mais degraus de separa\u00e7\u00e3o e dist\u00e2ncia, e tanto o ensinar como o aprender redundam em mart\u00edrio di\u00e1rio; o espa\u00e7o religioso ou sagrado deixa de ser um lugar onde todos se sentem acolhidos por igual, para se tornar espa\u00e7o delimitado e mais s\u00f3 de alguns, n\u00e3o vislumbra o rosto acolhedor de um Deus que \u00e9 Pai de todos e n\u00e3o distingue ra\u00e7a, l\u00edngua ou cor. <\/p>\n<p>Quem serve n\u00e3o \u00e9 pessoa para complicar, mas para a facilitar. Mais ainda se serve gente sem nome nem rosto, mas com dignidade a respeitar e direitos a reconhecer. <\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o que o servi\u00e7o se torna honra e a humildade grandeza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que a palavra custe a ouvir e pare\u00e7a ultrapassada e inc\u00f3moda, esta virtude indispens\u00e1vel chama-se humildade. 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