{"id":10542,"date":"2007-09-19T15:29:00","date_gmt":"2007-09-19T15:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10542"},"modified":"2007-09-19T15:29:00","modified_gmt":"2007-09-19T15:29:00","slug":"os-artistas-das-festas-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-artistas-das-festas-religiosas\/","title":{"rendered":"Os &#8220;artistas&#8221; das festas religiosas"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> As festas religiosas foram sempre as festas do povo, povo simples e humilde. F\u00e1cil foi tornarem-se populares, porque a religi\u00e3o era o povo crente, aqui e ali com um tipo de f\u00e9 n\u00e3o muito esclarecida e com express\u00f5es religiosas nem sempre libertas das marcas do paganismo, mas eram momentos de encontro e de divertimento saud\u00e1vel, ocasi\u00f5es de des-compress\u00e3o das dificuldades proporcionadas pelas pesadas tarefas do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Hoje, as festas, religiosas ou n\u00e3o, em nome dos santos ou em nome da cultura e do conv\u00edvio, tornaram-se verdadeiras exibi\u00e7\u00f5es de afirma\u00e7\u00e3o, de riqueza e de vaidade: n\u00e3o importa saber quem faz melhor, mas quem mais gasta e mais figura faz, quem deixa os outros \u00e0 dist\u00e2ncia e imprime a \u201cpegada do dinossauro\u201d. Assim, as nossas festas deixaram de ser religiosas, sobretudo na parte dos divertimentos, e populares, porque j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o uma realiza\u00e7\u00e3o da comunidade, mas um desfilar de verdadeiros ou falsos artistas, de grandezas sem medida, de esbanjamento in\u00fatil do dinheiro que continua a sair dos bolsos dos pobres e humildes, porque a refer\u00eancia religiosa se mant\u00e9m. Tirem \u00e0s festas o nome dos santos e vejam at\u00e9 onde chega o f\u00f4lego dos festeiros. Vivemos horas de dificuldades econ\u00f3micas, mas pouca preocupa\u00e7\u00e3o h\u00e1 em investir com utilidade o dinheiro que \u00e9 de todos. Dezenas e dezenas de milhares de euros s\u00e3o despachados com a maior das facilidades, sem qualquer respeito pela inten\u00e7\u00e3o de quem deu e sem qualquer sentido de sobriedade e poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os artistas invadiram as nossas festas religiosas, e nada haveria a dizer se eles fossem realmente artistas, e at\u00e9 h\u00e1 muitos que verdadeiramente o s\u00e3o: aqueles cuja ac\u00e7\u00e3o depende do seu empenhamento, do seu trabalho e da sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e \u00e0 arte, e que nem sequer ganham na propor\u00e7\u00e3o do seu trabalho e do n\u00famero de intervenientes. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, muit\u00edssimos dos que actuam nas festas religiosas tornaram-se \u201cartistas\u201d bem treinados nas \u201cartes\u201d sofisticadas dos malabaristas. Comecemos por um lado: <\/p>\n<p>&#8211; Que interesse t\u00eam as pessoas que n\u00e3o ligam nada \u00e0 Igreja em promover festas religiosas? Fique claro que n\u00e3o meto tudo no mesmo saco, mas tamb\u00e9m h\u00e1 por a\u00ed muito \u201cartista\u201d. E, daqui para a frente, a palavra artista dever\u00e1 ser considerada sempre entre aspas.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam artistas nas comiss\u00f5es organizadoras que fazem figura apenas com o dinheiro dos outros; n\u00e3o faltam artistas que comem e bebem \u00e0 custa das festas; n\u00e3o faltam artistas que \u201ccomem\u201d de outra maneira, metendo no bolso ou na conta banc\u00e1ria alguns \u201crestos\u201d da comida que foi cozinhada por todos e dada para todos, justificando-se como uma esp\u00e9cie de compensa\u00e7\u00e3o pelos trabalhos da festa que, livremente, aceitaram ou exigiram; n\u00e3o faltam artistas de contabilidades que at\u00e9 conseguem que os bares da festa d\u00eaem preju\u00edzo; n\u00e3o faltam artistas que t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o e uma gest\u00e3o t\u00e3o exactas das coisas que fazem com que as contas d\u00eaem sempre resto zero; n\u00e3o faltam artistas que transformam o dinheiro sagrado das promessas em dinheiro das comiss\u00f5es de festa. N\u00e3o faltam artistas que ficam a dever dinheiro aos contratados, \u00e0s pr\u00f3prias comiss\u00f5es a que pertencem, e at\u00e9 \u00e0 Igreja \u2026<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais e mais grave!<\/p>\n<p>S\u00e3o os artistas pagos a pre\u00e7o de ouro que n\u00e3o correspondem minimamente ao que lhes seria exigido em qualidade e em quantidade (nem os jogadores de futebol, com tanta raz\u00e3o acusados, ganham tanto \u00e0 hora); s\u00e3o os artistas do play-back e do uso das altas tecnologias; s\u00e3o m\u00fasicos que tocam instrumentos musicais e pouca ou nenhuma m\u00fasica sabem (os CD\u2019s sabem); s\u00e3o os artistas da baixeza e da porcaria que se troca por milhares de euros e por aplausos de um p\u00fablico com \u00edndices baix\u00edssimos de educa\u00e7\u00e3o e de vergonha, (diga-se que a educa\u00e7\u00e3o nem sempre corresponde \u00e0 dimens\u00e3o da carteira ou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o social); s\u00e3o os artistas que nas suas can\u00e7\u00f5es ou anedotas ridicularizam os valores e a religi\u00e3o daqueles mesmos que lhes pagam, (leia-se, por exemplo, Fernando Rocha que anda por a\u00ed, n\u00e3o sei a que pre\u00e7o), contratados de festas religiosas cat\u00f3licas a ridicularizar, de toda a maneira, a religi\u00e3o e seus seguidores. Chama-se a isto meter o ladr\u00e3o dentro de nossa casa, como diziam os antigos. Se a estas situa\u00e7\u00f5es juntarmos outra vergonhosa exig\u00eancia, escrita ou falada, de pagamento em nota, sem recibo\u2026! Eles querem assim, porque fica mais barato \u00e0 Comiss\u00e3o. Somente isso. N\u00e3o \u00e9 para fugir aos impostos! Ora essa! \u00c9 tudo gente s\u00e9ria! (At\u00e9 parece!)<\/p>\n<p>Isto \u00e9 vergonhoso! As festas religiosas n\u00e3o podem contratar artistas destes. Haja quem ponha fim a isto, na Igreja e fora dela. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10542\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}