{"id":10543,"date":"2007-09-19T15:32:00","date_gmt":"2007-09-19T15:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10543"},"modified":"2007-09-19T15:32:00","modified_gmt":"2007-09-19T15:32:00","slug":"viajar-ajuda-a-entender-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viajar-ajuda-a-entender-o-mundo\/","title":{"rendered":"Viajar ajuda a entender o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, partimos \u00e0 descoberta da Cro\u00e1cia. Juntos, percorremos as ruas de Dubrovnik, Split, Zadar, Trogir e Zagreb. Visit\u00e1mos monumentos, deambul\u00e1mos por ruas de cidades patrim\u00f3nio da Unesco. Juntos, percebemos que a Cro\u00e1cia \u00e9 um pa\u00eds jovem (independente desde 1991), mas muito rico culturalmente, pois preserva a heran\u00e7a do seu passado, num territ\u00f3rio que foi ocupado por v\u00e1rios povos, desde os croatas, aos turcos, passando pelos h\u00fangaros e pelos alem\u00e3es. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, fomos recebidos na nossa l\u00edngua, ouvimos os sons do fado de Coimbra que um m\u00fasico tocou, quando nos ouviu falar na rua. Juntos, aprendemos frases elementares \u201cBom dia! Obrigada! Por favor!\u201d Juntos, fix\u00e1mos algumas palavras em croata e repeti-mo-las com a alegria da descoberta do som que entusiasma uma crian\u00e7a. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, admir\u00e1mos a bel\u00edssima equa\u00e7\u00e3o que o mar e a montanha, os vales e os rios nos oferecem no passeio pela costa do Adri\u00e1tico. Juntos, contempl\u00e1mos a natureza, no Parque Natural de Plitvice, nas quedas de \u00e1gua e nos reflexos da vegeta\u00e7\u00e3o em dezenas de lagos. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, pass\u00e1mos em revista a hist\u00f3ria da antiga Jugosl\u00e1via e das suas seis rep\u00fablicas (B\u00f3snia-Herzegovina, Cro\u00e1cia, Eslov\u00e9nia, Maced\u00f3nia, Montenegro e S\u00e9rvia) e as suas regi\u00f5es aut\u00f3nomas (Voivodina e Kosovo). Juntos relemos o Di\u00e1rio de Zlata (ed. Asa) e lembr\u00e1mos a guerra em Sarajevo. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, atravess\u00e1mos locais destru\u00eddos pela guerra de 1991 a 1995. Avist\u00e1mos casas com marcas de obuses e outras reconstru\u00eddas, cujas paredes de tijolo ainda est\u00e3o por pintar. Juntos, experiment\u00e1mos o constrangimento pr\u00f3prio de quem relembra imagens televisivas de h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, de b\u00f3snios, croatas e s\u00e9rvios refugiados em campos de concentra\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, par\u00e1mos na B\u00f3snia-Herzegovina, num misto de estupefac\u00e7\u00e3o pelos sete quil\u00f3metros de costa que esse pa\u00eds det\u00e9m, no meio da Cro\u00e1cia, e de inc\u00f3modo por estarmos num pa\u00eds que assistiu ao conflito mais prolongado e violento na Europa, depois da II Guerra Mundial, com 200 mil mortos. Juntos, lembr\u00e1mos as tropas da NATO que ainda se encontram neste pa\u00eds. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, percebemos que os nossos problemas pessoais s\u00e3o \u00ednfimos \u00e0 vista dos de povos nossos vizinhos. De gente t\u00e3o parecida connosco: um misto de eslavos e mediterr\u00e2neos, os croatas s\u00e3o simultaneamente melanc\u00f3licos e nost\u00e1lgicos, agressivos e impulsivos. Como os portugueses, pens\u00e1mos.  <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, percebemos a universalidade da Igreja, quando a missa croata nos convidou a rezar o Gl\u00f3ria, o Credo, o Pai-Nosso e quando comung\u00e1mos o mesmo Corpo de Cristo. Juntos, alegr\u00e1mo-nos com a rede global que \u00e9 a Igreja e que \u00e9 a Internet, pois gra\u00e7as a esta sab\u00edamos qual o Evangelho que os fi\u00e9is ouviam, em diferentes l\u00ednguas, pelo mundo fora. E n\u00f3s ali, naquele Domingo quente que Zagreb nos oferecia.<\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, coment\u00e1mos a ironia da hist\u00f3ria, quando fic\u00e1mos a saber que a estrutura das catacumbas do pal\u00e1cio de Diocleciano, o maior perseguidor romano de crist\u00e3os, foi adoptada pelos grandes construtores de igrejas (formato de cruz, nave central, pilares que sustentam o telhado). <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, inform\u00e1mo-nos sobre a escolaridade croata, agora de nove anos, mas de doze anos para as crian\u00e7as que ingressarem na escola neste ano lectivo; a quase aus\u00eancia de analfabetismo; a aprendizagem desde a escola prim\u00e1ria de duas ou tr\u00eas l\u00ednguas estrangeiras, sobretudo o italiano e o alem\u00e3o, dada a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do pa\u00eds. Juntos, aplaudimos a educa\u00e7\u00e3o gr\u00e1tis para todos, inclusive para os estudantes universit\u00e1rios que revelem boas compet\u00eancias na sua l\u00edngua materna, que apresentem problemas econ\u00f3micos, que sejam bons desportistas. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, compreendemos a import\u00e2ncia das f\u00e9rias: conhecer novos espa\u00e7os frequentados por pessoas que nos enriquecem, porque nos ajudam a entender o mundo. <\/p>\n<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, descobrimos a frase de Santo Agostinho \u201cO mundo \u00e9 um livro. Quem n\u00e3o viaja l\u00ea apenas uma p\u00e1gina.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontr\u00e1mo-nos l\u00e1. Juntos, partimos \u00e0 descoberta da Cro\u00e1cia. Juntos, percorremos as ruas de Dubrovnik, Split, Zadar, Trogir e Zagreb. Visit\u00e1mos monumentos, deambul\u00e1mos por ruas de cidades patrim\u00f3nio da Unesco. Juntos, percebemos que a Cro\u00e1cia \u00e9 um pa\u00eds jovem (independente desde 1991), mas muito rico culturalmente, pois preserva a heran\u00e7a do seu passado, num territ\u00f3rio que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10543","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10543"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10543\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}