{"id":10586,"date":"2007-10-04T16:25:00","date_gmt":"2007-10-04T16:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10586"},"modified":"2007-10-04T16:25:00","modified_gmt":"2007-10-04T16:25:00","slug":"duas-decadas-de-dialogo-com-a-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/duas-decadas-de-dialogo-com-a-cultura\/","title":{"rendered":"Duas d\u00e9cadas de di\u00e1logo com a cultura"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEsta casa tem cumprido a sua miss\u00e3o de di\u00e1logo e respeito pelo mundo da cultura\u201d, disse D. Ant\u00f3nio Marcelino, durante a Eucaristia, na celebra\u00e7\u00e3o dos 20 anos do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, no dia 23 de Setembro. O bispo em\u00e9rito de Aveiro recordou que o CUFC surgiu para ser uma presen\u00e7a da Igreja no mundo da cultura, em \u201catitude de di\u00e1logo construtivo\u201d e \u201crespeitando as autonomias\u201d.<\/p>\n<p>\u201cF\u00e9 e cultura t\u00eam autonomias, mas t\u00eam igualmente interliga\u00e7\u00e3o. Para o crist\u00e3o, a fonte \u00e9 a mesma. Todo o dom perfeito vem de Deus\u201d, disse. D. Ant\u00f3nio Marcelino lembrou que, quando a cultura n\u00e3o tem no horizonte o ser humano, torna-se perigosa para o pr\u00f3prio ser humano, da\u00ed que necessite de ser iluminada pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Impulsionador do CUFC desde o in\u00edcio (era bispo coadjutor quando o CUFC foi criado, em 1987, e bispo residencial quando o edif\u00edcio CUFC foi constru\u00eddo, em 1990), D. Ant\u00f3nio Marcelino considerou que \u201cser crist\u00e3o no pluralismo cultural, quando os valores est\u00e3o dilu\u00eddos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d. Exige que a f\u00e9 se aculture. \u201cA f\u00e9 tradicional, sem discernimento nem sentido cr\u00edtico, n\u00e3o chega. Tem de estar enraizada na cultura, para ser forte no meio dos vendavais da pr\u00f3pria cultura. Tem de estar aculturada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino sublinhou que o CUFC existe para ser sinal e presen\u00e7a crist\u00e3 no mundo da cultura e do ensino superior, \u00e0 semelhan\u00e7a de outras obras da Diocese noutros \u00e2mbitos \u2013 como o Carmelo de Cristo Redentor, porque \u201ch\u00e1 valores transcendentes\u201d; o Stella Maris, obra para o apostolado do mar; ou o ISCRA, \u201cpara dar sentido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Concluindo as suas palavras, o Bispo em\u00e9rito disse: \u201cA Igreja n\u00e3o faz tudo, nem pode fazer tudo. \u00c9 sinal. Tem de trabalhar em rede, em perspectiva sinodal, com a colabora\u00e7\u00e3o de muitos e o respeito por todos\u201d. E recordou palavras que um dia Maria de Lourdes Pintasilgo lhe disse e que alertam para a necessidade e urg\u00eancia da presen\u00e7a crist\u00e3 na cultura: \u201cAcorde! A Igreja est\u00e1 a tornar-se insignificante no verdadeiro sentido da palavra!\u201d<\/p>\n<p>TESTEMUNHOS<\/p>\n<p>O Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura \u00e9 actualmente dirigido pelo Pe Alexandre Cruz, com a colabora\u00e7\u00e3o do Pe Georgino Rocha. A programa\u00e7\u00e3o da casa sempre foi feita por uma equipa de trabalho, normalmente constitu\u00edda por alunos, professores e funcion\u00e1rios da Universidade de Aveiro ou de institutos superiores. O Correio do Vouga falou com alguns destes crist\u00e3os que, ao longo dos anos, integraram a equipa do Centro Universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Joana Condesso<\/p>\n<p>Professora de Biologia no Ens. Secund\u00e1rio<\/p>\n<p>Frequentou o Centro e integrou a equipa 1991 a 1997<\/p>\n<p>\u201cMiss\u00e3o\u201d resume o significado do CUFC para mim. Cheguei \u00e0 Universidade de Aveiro com um sonho e parti com uma miss\u00e3o. O sonho que nos leva \u00e0 universidade \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Mas, com o acolhimento que senti no CUFC, com as viv\u00eancias proporcionadas por este centro, a par da forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, fui assumindo a educa\u00e7\u00e3o como miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante deste Centro Universit\u00e1rio: a diversidade de grupos e movimentos que o frequentam, ao contr\u00e1rio de outros.<\/p>\n<p>Manuel Ant\u00f3nio Coimbra<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Aveiro<\/p>\n<p>Integrou a equipa CUFC de 1987 a 1993<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de um Centro que acolhesse alunos, professores e funcion\u00e1rios, foi um desafio colocado por D. Ant\u00f3nio Marcelino a um grupo de assistentes da Universidade. O CUFC significa um esfor\u00e7o de muitos, mas gostava de destacar o Pe Arm\u00e9nio Costa (1933-1997). Foi o grande impulsionador.<\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias actividades, recordo um curso b\u00edblico orientado pelo Pe Arm\u00e9nio. Foi tanta a ades\u00e3o que o curso teve v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Temos de lembrar, tamb\u00e9m, a Irm\u00e3 Maria do C\u00e9u (religiosa do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, respons\u00e1vel da Casa de Espiritualidade Jean Gailhac, na Costa Nova). Com os seus c\u00e2nticos, unia-nos. N\u00e3o nos deixava esmorecer. Incentivava-nos \u00e0 luta de cada dia. <\/p>\n<p>Lu\u00eds Botelho Ribeiro<\/p>\n<p>Professor da Universidade do Minho<\/p>\n<p>Integrou a equipa CUFC em 1987 e nos anos seguintes<\/p>\n<p>Para mim o CUFC significou a entrada na fam\u00edlia universit\u00e1ria, o aprofundamento da f\u00e9. Entrada na fam\u00edlia universit\u00e1ria, porque o CUFC, mesmo antes de ser edif\u00edcio, proporcionou um conv\u00edvio muito bom entre professores e alunos, diferente do ambiente de aulas. Cheguei aqui como caloiro e fui bem acolhido por professores como Carlos Borrego. Encontr\u00e1vamos um ambiente aqui que n\u00e3o existia em mais lado nenhum.<\/p>\n<p>Significou aprofundamento da f\u00e9, porque os cursos, as confer\u00eancias e as palestras proporcionaram crescimento para quem, como eu, tinha apenas a catequese tradicional.<\/p>\n<p>Joana Amaral<\/p>\n<p>Estudante de Educa\u00e7\u00e3o de Inf\u00e2ncia<\/p>\n<p>Integra a equipa do CUFC deste 2004<\/p>\n<p>O Centro Universit\u00e1rio \u00e9 a minha segunda casa, embora eu seja de Aveiro. Passamos muito tempo na Universidade e sabemos que temos sempre aqui espa\u00e7o e pessoas que nos acolhem. Sentimo-nos bem.<\/p>\n<p>Das ac\u00e7\u00f5es, destaco os v\u00e1rios projectos de voluntariado. O voluntariado [hospitalar, prisional, de explica\u00e7\u00f5es a crian\u00e7as&#8230;] faz-nos sentir \u00fateis, envolvidos no meio. Vamos ao encontro de outras pessoas. Possibilita-nos um olhar mais vasto sobre a sociedade \u00e0 nossa volta. O estudo \u00e9 importante. Mas h\u00e1 mais do que isso.<\/p>\n<p>Carlos Borrego<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Aveiro<\/p>\n<p>Integrou a equipa do CUFC em1987 e nos anos seguintes<\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia que tinha da JUC (Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica), no [Instituto Superior] T\u00e9cnico e na fase do doutoramento, foi uma agrad\u00e1vel surpresa ser convidado por D. Ant\u00f3nio Marcelino para desenvolver a estrat\u00e9gia de p\u00f4r o sal da Igreja no mundo universit\u00e1rio de Aveiro. Fizemos v\u00e1rias reuni\u00f5es que foram tempos de aprendizagem e de rela\u00e7\u00f5es de amizade e que vieram a dar origem a esta casa.<\/p>\n<p>Em termos de UA, foi muito interessante o modo como o CUFC se afirmou num contexto por vezes altamente reactivo \u00e0s express\u00f5es religiosas. O CUFC conseguiu afirmar-se e convencer a comunidade. Hoje \u00e9 parte integrante do ambiente acad\u00e9mico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEsta casa tem cumprido a sua miss\u00e3o de di\u00e1logo e respeito pelo mundo da cultura\u201d, disse D. Ant\u00f3nio Marcelino, durante a Eucaristia, na celebra\u00e7\u00e3o dos 20 anos do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, no dia 23 de Setembro. 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