{"id":10612,"date":"2007-10-04T17:10:00","date_gmt":"2007-10-04T17:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10612"},"modified":"2007-10-04T17:10:00","modified_gmt":"2007-10-04T17:10:00","slug":"valores-republicanos-e-colaboracao-no-bem-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/valores-republicanos-e-colaboracao-no-bem-de-todos\/","title":{"rendered":"Valores republicanos e colabora\u00e7\u00e3o no bem de todos"},"content":{"rendered":"<p>Pol\u00edticos e intelectuais laicos referem-se frequentemente aos valores republicanos para justificar ju\u00edzos, atitudes e ac\u00e7\u00f5es, marcados pelo laicismo agn\u00f3stico ou na linha de fidelidade a objectivos sociais e pol\u00edticos de associa\u00e7\u00f5es laicas, antigas e modernas.<\/p>\n<p>Se por \u201cvalor\u201d, seja ele republicano ou mon\u00e1rquico, se continua a entender aquilo que vale sempre e para todos, sem excep\u00e7\u00e3o, ainda bem, tanto mais que a sobreposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de interesses pessoais e de grupos, vai tornando tudo relativo e a tudo faz perder a consist\u00eancia de objectivo e de universal. Chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que j\u00e1 nada vale, a n\u00e3o ser o que interessa a cada um. Esta eros\u00e3o atinge tamb\u00e9m os valores morais e \u00e9ticos, que determinam o viver em sociedade e os comportamentos necess\u00e1rios para uma viv\u00eancia m\u00fatua, serena e construtiva, quem quer que seja que os prop\u00f5e ou defende.<\/p>\n<p>Normalmente, quando se fala de valores republicanos d\u00e1-se como matriz a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, com a proclama\u00e7\u00e3o da trilogia que lhe est\u00e1 historicamente associada: igualdade, liberdade, fraternidade, n\u00e3o se esquecendo o valor da toler\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios n\u00e3o foram inovadores. Viviam na Europa, no seio de uma cultura com ra\u00edzes crist\u00e3s e judaicas e os valores propostos eram patrim\u00f3nio desta cultura, embora as conting\u00eancias hist\u00f3ricas por vezes os ocultassem onde eles deviam ser testemunhados com maior clareza e eloqu\u00eancia. As tens\u00f5es provocadas pela Revolu\u00e7\u00e3o, com o \u00f3dio programado contra a Igreja, bem como as desconfian\u00e7as e atitudes negativas desta em rela\u00e7\u00e3o ao que se proclamou como se fosse novo e sem paternidade e apenas fruto da ideologia reinante, explicam estas tens\u00f5es e a sua continua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>N\u00e3o fora o prop\u00f3sito de apagar a hist\u00f3ria e fazer dela uma leitura enviesada, e as coisas n\u00e3o tinham tomado o rumo que ainda hoje acoberta, com iguais sentimentos, muita gente por essa Europa fora. A discuss\u00e3o das ra\u00edzes culturais crist\u00e3s da Europa, ainda que n\u00e3o \u00fanicas, faz-se a partir de uma leitura liberta e realista da hist\u00f3ria e nunca ter\u00e1 valor s\u00e9rio quando feita pela pr\u00e9 determinada direc\u00e7\u00e3o que se pretendeu impor-lhe. O redactor da proposta de uma constitui\u00e7\u00e3o europeia, um franc\u00eas de renome, que vai ser a\u00ed recebido e homenageado por um bem concebido aparato ideol\u00f3gico, pensa que a Europa moderna se deve encontrar consigo mesma, rejeitando as suas ra\u00edzes crist\u00e3s e explicar-se a si pr\u00f3pria \u00e0 luz dos valores republicanos que lhe d\u00e3o forma e consist\u00eancia. <\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o deixou de o ser e tenta-se agora um simples tratado, que salve a situa\u00e7\u00e3o e mantenha o mesmo sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o ao essencial. Esta pobreza, numa t\u00e3o apregoada cidadania, p\u00f4s de parte a verdade hist\u00f3rica e alimenta-se de conveni\u00eancias pol\u00edticas e arranjos diplom\u00e1ticos; vai mutilando as leis que deixaram de se orientar para o bem comum que \u00e9 a sua raz\u00e3o de ser, para favorecer interesses diversos; vai deteriorando as rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais, europeias e internacionais, cedendo a press\u00f5es e a promessas; j\u00e1 n\u00e3o fala dos direitos humanos na sua globalidade e integralidade, porque as pessoas valem hoje menos que os resultados econ\u00f3micos, sempre priorit\u00e1rios e aglutinadores.<\/p>\n<p>Afinal, da igualdade, da liberdade e da fraternidade, bem como da toler\u00e2ncia, menosprezada a matriz crist\u00e3 que lhes pode dar consist\u00eancia e sentido de universalidade, pouco pode restar. Ficar\u00e1 da\u00ed apenas a bandeira de apoio para os que, ca\u00eddos no vazio cultural ou na intoler\u00e2ncia odienta, mais n\u00e3o fazem do que destruir, por campanhas sem sentido de cidadania ou por pervers\u00e3o desta, tudo o que vai contra os prop\u00f3sitos de um determinado laicismo agn\u00f3stico?<\/p>\n<p>A verdadeira laicidade respeita a autonomia e defende a inter-rela\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o construtiva em todos os campos em que as pessoas se situam e sempre a favor destas. N\u00e3o falta gente sensata que v\u00ea que este \u00e9 o verdadeiro caminho. Dizer que \u201ctodos devem ser respeitados\u201d exige o contributo dialogado de todos, para que assim seja.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o acontece quando, por falta de respeito \u00e0s pessoas e ao leg\u00edtimo pluralismo, se persegue quem sempre as defendeu, deitando m\u00e3o de mentiras publicadas e de defesa de leis redutoras, impostas sem crit\u00e9rios do melhor bem que se tornam uma afronta dispens\u00e1vel a cidad\u00e3os deste pa\u00eds democr\u00e1tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edticos e intelectuais laicos referem-se frequentemente aos valores republicanos para justificar ju\u00edzos, atitudes e ac\u00e7\u00f5es, marcados pelo laicismo agn\u00f3stico ou na linha de fidelidade a objectivos sociais e pol\u00edticos de associa\u00e7\u00f5es laicas, antigas e modernas. 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