{"id":10616,"date":"2007-10-10T09:38:00","date_gmt":"2007-10-10T09:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10616"},"modified":"2007-10-10T09:38:00","modified_gmt":"2007-10-10T09:38:00","slug":"confusoes-ou-intencoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/confusoes-ou-intencoes\/","title":{"rendered":"Confus\u00f5es ou inten\u00e7\u00f5es?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>As afirma\u00e7\u00f5es sonantes, especialmente as proferidas em momentos de emo\u00e7\u00e3o exacerbada, poder\u00e3o induzir em erros graves, desencadeando at\u00e9 reac\u00e7\u00f5es surpreendentes, nefastas pela certa, de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. <\/p>\n<p>Dizer-se, por exemplo, em sess\u00e3o comemorativa dos cinquenta anos de um facto relevante, como foi o I Congresso Republicano, que a escola p\u00fablica \u00e9 a \u201cinstitui\u00e7\u00e3o central\u201d para a \u201cliberta\u00e7\u00e3o do atavismo\u201d, para a \u201cigualdade de oportunidades\u201d, para a \u201cemancipa\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, \u00e9 lan\u00e7ar poeira que pode limitar a vis\u00e3o de muitos.<\/p>\n<p>Na verdade, ao falar-se de escola p\u00fablica est\u00e1 a falar-se de escola estatal. Ora, como tantas vezes e tantos t\u00eam referido, o estatal \u00e9 um servi\u00e7o do p\u00fablico, bem mais vasto, que integra iniciativas estatais e iniciativas de pessoas ou grupos\/for\u00e7as sociais. De outro modo, estaremos, veladamente, a navegar em pleno totalitarismo educativo &#8211; o que \u00e9 expressamente vedado ao Estado, seja ele republicano ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais: dando-se este pressuposto &#8211; de identificar p\u00fablico com estatal -, n\u00e3o h\u00e1 maneira poss\u00edvel de nos libertarmos de atavismos, de termos igualdade de oportunidades, de nos emanciparmos\u2026, porque estaremos submetidos a enclausurados arqu\u00e9tipos de novas oligarquias pensantes, sem qualquer esp\u00e9cie e hip\u00f3tese de opini\u00e3o pr\u00f3pria, de projecto ou horizonte educativo diverso e plural.<\/p>\n<p>Mais: se \u201ceduca\u00e7\u00e3o c\u00edvica nos curr\u00edculos\u201d significa transformar a leg\u00edtima laicidade do Estado em cartilha obrigat\u00f3ria para todos, de laicismo militante, em vez de cidad\u00e3os teremos for\u00e7ados consumidores da ideologia dos \u201ciluminados\u201d, a degenerar em robots reprodutores de ideias intolerantes. E, mais uma vez, se violam direitos fundamentais: de opini\u00e3o, de express\u00e3o, de liberdade de aprender e ensinar, de liberdade de religi\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>\u201cAinda a prociss\u00e3o vai no adro\u201d, isto \u00e9: a tr\u00eas anos da comemora\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que inten\u00e7\u00f5es povoam as mentes dos prov\u00e1veis organizadores da iniciativa; que os programas levar\u00e3o a marca de um dirigismo implac\u00e1vel, desrespeitando, mais uma vez, aqueles a quem deveriam servir.<\/p>\n<p>Curioso \u00e9 que, em dia da Rep\u00fablica, a homenagem do povo simples de uma das nossas terras de Aveiro a um dos congressistas de h\u00e1 cinquenta anos nele reconhecia um verdadeiro cidad\u00e3o, liberto de atavismos, pela sua entrega esmerada \u00e0 profiss\u00e3o, pela sua generosa partilha de servi\u00e7os e bens, sem alergias a ombrear com pessoas e organiza\u00e7\u00f5es religiosas para melhor cumprir os seus ideais republicanos\u2026 E isso lhe dava a ousadia de celebrar sempre a Rep\u00fablica, com o povo, mesmo sabendo que no dia seguinte teria a multa para pagar, por ter infringido as leis do proibitivo Estado novo. <\/p>\n<p>Para sermos livres, teremos de infringir, proximamente, as leis do Estado vigente?&#8230;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As afirma\u00e7\u00f5es sonantes, especialmente as proferidas em momentos de emo\u00e7\u00e3o exacerbada, poder\u00e3o induzir em erros graves, desencadeando at\u00e9 reac\u00e7\u00f5es surpreendentes, nefastas pela certa, de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. 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