{"id":10673,"date":"2007-10-10T15:00:00","date_gmt":"2007-10-10T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10673"},"modified":"2007-10-10T15:00:00","modified_gmt":"2007-10-10T15:00:00","slug":"minorias-entre-minorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/minorias-entre-minorias\/","title":{"rendered":"Minorias entre minorias"},"content":{"rendered":"<p>Dez anos depois de ter sido elevado aos altares um cigano, Zeferino Gimenez Malla, foi publicado um documento do Conselho Pontif\u00edcio para os Migrantes e Itinerantes, especialmente dedicado \u00e0 etnia cigana, que merece alguma aten\u00e7\u00e3o, tanto por parte da sociedade civil e dos governantes, como da Igreja e das diversas confiss\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Em Portugal, vivem 40 mil ciganos ou talvez um pouco mais. S\u00e3o uma minoria entre as diversas minorias, mas n\u00e3o da \u00faltima hora, como tantas outras, pois se instalaram entre n\u00f3s no s\u00e9culo XV. O mesmo aconteceu em Espanha, onde o seu n\u00famero \u00e9 de 600 mil.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil verificar que, em algumas comunidades locais, bem como em escolas, h\u00e1 ainda muita suspeita e pouco acolhimento em rela\u00e7\u00e3o aos membros desta etnia, que na sua maioria n\u00e3o s\u00e3o j\u00e1 imigrantes, mas cidad\u00e3os portugueses. \u00c9 verdade que os ciganos, vivam onde viverem, em Portugal, na Espanha, na Fran\u00e7a ou em qualquer outro pa\u00eds, s\u00e3o sempre e acima de tudo ciganos, coesos e fi\u00e9is \u00e0 sua cultura e tradi\u00e7\u00f5es, todos eles cidad\u00e3os de uma p\u00e1tria sem territ\u00f3rio, mas considerada a sua p\u00e1tria comum.<\/p>\n<p>Muitas coisas mudaram nas suas vidas, por normais exig\u00eancias de integra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, onde vivem. Muitos deles j\u00e1 se documentaram, fixaram a sua resid\u00eancia, escolarizaram-se, gozam da seguran\u00e7a social, t\u00eam emprego ao lado de n\u00e3o ciganos, tiraram cursos superiores, dirigem associa\u00e7\u00f5es e, n\u00e3o se furtando \u00e0 defesa dos seus direitos, assumiram os deveres correspondentes. Mas, em muitos outros casos, nota-se a necessidade de maior forma\u00e7\u00e3o humana e social, bem dif\u00edcil de se proporcionar, se n\u00e3o for atendida a sua cultura com os valores que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios e se se pensar fazer coisas em seu favor sem os ouvir e os tornar protagonistas naquilo que lhes diz respeito. <\/p>\n<p>No aspecto religioso, sabe-se que a sua ades\u00e3o a express\u00f5es religiosas que mais se coadunem com a sua cultura, modo de ser e de se expressar, \u00e9 muito grande. A Igreja Cat\u00f3lica tem, de h\u00e1 muitos anos, um servi\u00e7o nacional dedicado \u00e0 sua promo\u00e7\u00e3o, com outros similares nas diversas dioceses do pa\u00eds, e tem sido pioneira na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas necessidades e aspira\u00e7\u00f5es, humanas e sociais. Outras confiss\u00f5es religiosas protestantes de linha pentecostal t\u00eam muitos aderentes ciganos.<\/p>\n<p>Num encontro internacional recente, realizado em Roma, foi dado a conhecer que h\u00e1 na Igreja mais de uma centena de ciganos cl\u00e9rigos (padres e di\u00e1conos) e consagrados, oriundos de diversos pa\u00edses da Europa e da \u00c1sia. Muitos participavam nesse encontro.<\/p>\n<p>A etnia cigana testemunha valores importantes e fundamentais, que hoje escasseiam em pa\u00edses ocidentais. Entre outros, o esp\u00edrito de fam\u00edlia, o acolhimento e respeito pelos idosos, a hospitalidade e a solidariedade para com os membros da etnia, a virgindade da mulher antes do casamento, o respeito pelos mortos, a concep\u00e7\u00e3o humana do trabalho\u2026<\/p>\n<p>O que falta para que esta minoria seja reconhecida, promovida e integrada, uma vez que ainda \u00e9 marginalizada em muitos aspectos, dado o apoio do governo e da comunica\u00e7\u00e3o social a outras minorias recentes, discut\u00edveis pela sua dimens\u00e3o e objectivos sociais?<\/p>\n<p>Toda a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 etnia cigana deve acolher e respeitar a sua cultura e valores e atender \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de um di\u00e1logo, eficaz e personalizado. Se os ciganos s\u00e3o capazes de cursos superiores, a n\u00edvel civil e religioso, e de assumir as responsabilidades inerentes, n\u00e3o lhes escasseiam capacidades de promo\u00e7\u00e3o e mesmo de integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um trabalho de forma\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o junto das comunidades locais e dos agentes civis (autarquias, escolas, servi\u00e7os p\u00fabicos em geral) e, tamb\u00e9m, dos agentes pastorais \u00e9 indispens\u00e1vel que se fa\u00e7a e se fa\u00e7a bem. Para que o seja, n\u00e3o pode dispensar o seu contributo activo.<\/p>\n<p>Se \u00e9 importante conhecer l\u00ednguas, n\u00e3o o \u00e9 menos conhecer as pessoas que vivem connosco. Marginais h\u00e1-os em todos os grupos sociais. Temos de nos perguntar quem \u00e9 que hoje mais envenena o ambiente e corrompe a conviv\u00eancia na nossa sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez anos depois de ter sido elevado aos altares um cigano, Zeferino Gimenez Malla, foi publicado um documento do Conselho Pontif\u00edcio para os Migrantes e Itinerantes, especialmente dedicado \u00e0 etnia cigana, que merece alguma aten\u00e7\u00e3o, tanto por parte da sociedade civil e dos governantes, como da Igreja e das diversas confiss\u00f5es religiosas. 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