{"id":10682,"date":"2007-10-17T15:05:00","date_gmt":"2007-10-17T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10682"},"modified":"2007-10-17T15:05:00","modified_gmt":"2007-10-17T15:05:00","slug":"e-bom-contribuir-para-a-alegria-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-bom-contribuir-para-a-alegria-dos-outros\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 bom contribuir para a alegria dos outros&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Eu estive l\u00e1 &#8211; Testemunho da minha experi\u00eancia mission\u00e1ria <!--more--> Outubro \u00e9 o m\u00eas em que a Igreja universal lembra que ser mission\u00e1rio \u00e9 dimens\u00e3o inerente a todo o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>O Correio do Vouga inicia esta semana a publica\u00e7\u00e3o de testemunhos de jovens da diocese de Aveiro que passaram parte do Ver\u00e3o em \u201cpa\u00edses de miss\u00e3o\u201d. Em Agosto, Gisela Ferreira esteve como volunt\u00e1ria na Guin\u00e9-Bissau. Agora, conta-nos as suas viv\u00eancias.<\/p>\n<p>BI<\/p>\n<p>Gisela Maria Rodrigues Ferreira<\/p>\n<p>23 anos<\/p>\n<p>\u00c9 da Par\u00f3quia de Esgueira<\/p>\n<p>Licenciada em Anima\u00e7\u00e3o Cultural<\/p>\n<p>Frequenta uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Especial <\/p>\n<p>Trabalha em part-time num centro comercial<\/p>\n<p>Estive na miss\u00e3o cat\u00f3lica Safim, na Guin\u00e9. Diziam-nos que fica a 15 km de Bissau, mas quando \u00edamos \u00e0 capital parecia mais. Fui em miss\u00e3o com a Patr\u00edcia Rodrigues e a Isabel Fernandes. Fomos no final de Julho e regress\u00e1mos a 31 de Agosto. Estivemos l\u00e1 34 dias.<\/p>\n<p>Fomos acolhidas pelas Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny, uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa com origem em Cluny-Fran\u00e7a, uma terra muito perto de Taiz\u00e9, lugar muito espiritual, onde j\u00e1 estive. As irm\u00e3s eram quatro: a Irm\u00e3 Bernardete, que fundou aquele centro de miss\u00e3o e \u00e9 enfermeira; a Irm\u00e3 Cec\u00edlia, que trata mais da lida da casa e acompanha as pessoas na tabanca; a Irm\u00e3 Fernanda e a Irm\u00e3 F\u00e1tima, que est\u00e3o mais ligadas ao Jardim. S\u00e3o de origem angolana.<\/p>\n<p>Estivemos a dar refor\u00e7o de L\u00edngua Portuguesa a professores e educadores de inf\u00e2ncia. Tamb\u00e9m trabalhei com crian\u00e7as. Fizemos jogos, actividades de express\u00e3o pl\u00e1stica, musical, corporal&#8230;<\/p>\n<p>Fiquei impressionada por ver mam\u00e3s e beb\u00e9s desnutridos&#8230; Mui-tas das pessoas fazem uma refei\u00e7\u00e3o por dia, duas no m\u00e1ximo. O almo\u00e7o \u00e9 muito tarde, de forma a pouparem uma refei\u00e7\u00e3o. Quando estive doente, demonstraram grande preocupa\u00e7\u00e3o comigo, tanto as irm\u00e3s e companheiras de caminhada\/miss\u00e3o, como as pessoas de l\u00e1, inclusive os alunos a quem d\u00e1vamos aulas e as pessoas das tabancas.<\/p>\n<p>Quando pass\u00e1vamos pela rua, os meninos pediam-nos am\u00eandoa (doces, rebu\u00e7ados). Mas, no meio do caos, da pobreza, da mis\u00e9ria, havia generosidade. Uma vez, a caminho da Eucaristia, ao passarmos numa tabanca, as pessoas que estavam a fazer uma refei\u00e7\u00e3o chamaram-nos para irmos comer tamb\u00e9m. No \u00faltimo dia, as crian\u00e7as foram despedir-se de n\u00f3s. Via-se naquele olhar tudo o que nos proporcionaram: alegria, m\u00fasica, dan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Achei engra\u00e7ado que as crian\u00e7as perguntassem o que eram os pontos castanhos na nossa pele. Pensavam que os sinais eram pulgas. Tocavam no nosso cabelo e pediam para que, depois de cortado, o envi\u00e1ssemos para l\u00e1, para fazerem tran\u00e7as.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica tudo \u00e9 diferente. Uma vez, deitamo-nos no ch\u00e3o a ver as estrelas&#8230; Outra, vimos macacos, cobras, borboletas \u2013 s\u00e3o enormes!<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante ser capaz de estar, viver e de amar outros, contribuindo um pouco para a alegria, para um mundo melhor. Se toda a gente contribu\u00edsse pelo menos s\u00f3 um pouquinho e desse um pouco de si&#8230;<\/p>\n<p>Fiquei impressionada por certos costumes, como as crian\u00e7as at\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade n\u00e3o terem import\u00e2ncia nenhuma, os homens trabalharem pouco (a mulher \u00e9 que sustenta a casa, vai para o campo, trata da alimenta\u00e7\u00e3o, da comida, dos filhos), a poligamia\u2026 S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es culturais: n\u00e3o se pode julgar assim de repente\u2026<\/p>\n<p>Os professores do Estado h\u00e1 12 meses que n\u00e3o recebiam o ordenado&#8230; H\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o. Alguns com muito e muita gente sem nada.<\/p>\n<p>Aprendi a dar mais valor \u00e0 minha pr\u00f3pria vida, a ter mais aten\u00e7\u00e3o com certas coisas que antes talvez me passavam um pouco ao lado, como por exemplo a \u00e1gua. Na Guin\u00e9 chegam a fazer disputas por causa da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Fiquei a admirar pessoas que se entregam pelos outros, como a Ivone, a L\u00facia, a Cec\u00edlia e a Antonieta, da organiza\u00e7\u00e3o Leigos para o Desenvolvimento, o Padre Joaquim, portugu\u00eas, a Ang\u00e9lica, volunt\u00e1ria italiana, e a F\u00e1tima, volunt\u00e1ria portuguesa, ou os professores e educadores que, apesar de tudo, continuam o seu trabalho em busca de uma Guin\u00e9 melhor: a professora Ant\u00f3nia, a educadora Em\u00edlia, a Isabel, o Zandonaide, o Mois\u00e9s, a Lili Sanca, a Paula Vieira, a Filomena&#8230;<\/p>\n<p>Gostava de terminar com esta reflex\u00e3o: \u201cN\u00e3o \u00e9 quanto fazemos que \u00e9 importante, mas quanto amor pomos no fazer. E n\u00e3o \u00e9 quanto damos que \u00e9 importante, mas quanto amor pomos no dar. Quem julga as pessoas n\u00e3o tem tempo para as amar. E a falta de amor \u00e9 a maior de todas as pobrezas\u201d (Madre Teresa de Calcut\u00e1).<\/p>\n<p>Gisela Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu estive l\u00e1 &#8211; Testemunho da minha experi\u00eancia mission\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-10682","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}