{"id":10723,"date":"2007-10-17T16:23:00","date_gmt":"2007-10-17T16:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10723"},"modified":"2007-10-17T16:23:00","modified_gmt":"2007-10-17T16:23:00","slug":"viver-sem-obrigacoes-gozar-sem-trabalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viver-sem-obrigacoes-gozar-sem-trabalhar\/","title":{"rendered":"Viver sem obriga\u00e7\u00f5es, gozar sem trabalhar"},"content":{"rendered":"<p>No seu discurso inicial, o Presidente Sarkozy recordou uma frase escrita nas paredes da Sorbone, em Maio de 68, para dizer nesse dia ao povo franc\u00eas que esse n\u00e3o podia ser o caminho para a renova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do pa\u00eds. A frase foi esta: \u201cViver sem obriga\u00e7\u00f5es e gozar sem trabalhar\u201d. Era o ideal de muitos dos protagonistas desse dia.<\/p>\n<p>Os tempos que v\u00e3o correndo mostram que este parece ser ainda hoje o sonho de muita gente. O ambiente reinante vem, em muitos casos, ao encontro de quem assim pensa e deseja isso mesmo para si. Ganhar muito com pouco ou nenhum trabalho e sem esperar nem gastar tempo. O frenesim na procura do mais f\u00e1cil e rent\u00e1vel leva, por vezes, a entrar por caminhos enviesados e escusos, \u00e0 margem da lei ou sob uma protec\u00e7\u00e3o duvidosa da mesma, permitindo o aumento da corrup\u00e7\u00e3o, da marginalidade, da irresponsabilidade social. Tudo isto \u00e9 poss\u00edvel, mesmo habitando-se vivendas vistosas, gozando da estima de uns e dos favores de outros. Uma clandestinidade com muitas abertas, que passa desapercebida a quem s\u00f3 olha para o lado e, quando os olhos se abrem, logo a luz os incomoda. <\/p>\n<p>As obriga\u00e7\u00f5es, que tantos rejeitam e que podemos traduzir por deveres e compromissos pessoais e colectivos, pressup\u00f5em consci\u00eancia de responsabilidade, sujei\u00e7\u00e3o a normas de conduta, compreens\u00e3o do bem comum, participa\u00e7\u00e3o activa na constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade de direitos e deveres, abertura \u00e0 m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o, esp\u00edrito de servi\u00e7o e de disponibilidade, capacidade de conviv\u00eancia salutar e de verdadeiro discernimento. S\u00f3 neste clima se pode esperar a satisfa\u00e7\u00e3o dos leg\u00edtimos direitos de cada um e de todos. Ent\u00e3o, tem sentido a luta pelos mesmos direitos, quando n\u00e3o reconhecidos, negados ou dificultados.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ignora que governar, at\u00e9 a pr\u00f3pria casa, \u00e9 uma tarefa cada vez mais dif\u00edcil e penosa. Muita gente n\u00e3o quer regras, a obedi\u00eancia traduzem-na por sujei\u00e7\u00e3o de escravos, cada um sabe sempre mais do que os outros e s\u00f3 o que ele faz e diz \u00e9 que tem valor e m\u00e9rito. Os outros existem para incomodar quem se incomoda com pouco. <\/p>\n<p>A sociedade est\u00e1 a empobrecer progressivamente. S\u00f3 um atordoamento publicit\u00e1rio, que cria e alimenta ilus\u00f5es e anestesia a intelig\u00eancia de quem devia pensar e ser cr\u00edtico, pode impedir esta dolorosa e preocupante verifica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m t\u00eam culpa desta doen\u00e7a que vai minando a vida em sociedade, muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que cultivam o superficial e o emotivo e s\u00f3 aterram na realidade quando o esc\u00e2ndalo \u00e9 grande e torna a not\u00edcia rent\u00e1vel. As revistas dos escaparates, que s\u00e3o depois as que nos consult\u00f3rios s\u00e3o monte de papel \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem espera, para poder queimar o tempo e alimentar a fantasia, dizem, com grande aparato gr\u00e1fico, o vazio de muitas vidas, tornadas \u201cfamosas\u201d pelo n\u00famero de casamentos e de esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<p>Gozar \u00e0 tripa larga, sem dar nas vistas, foi o conselho de um conhecido treinador de futebol a alguns jovens jogadores, envolvidos em festa, que n\u00e3o honrava pessoas decentes e s\u00e9rias. Porque se abriu para eles, em corrente abundante, a torneira dos milh\u00f5es, muita gente julga que est\u00e1 a\u00ed para eles e para a gente nova, em geral, o segredo de uma grande felicidade, presente e futura.<\/p>\n<p>A vida n\u00e3o se pode isentar de obriga\u00e7\u00f5es. Ela mesma as necessita e as gera para evitar a sua desagrega\u00e7\u00e3o e obter a honrosa classifica\u00e7\u00e3o de ser servi\u00e7o. Do mesmo modo, tamb\u00e9m para o normal das pessoas, o trabalho que proporciona a alegria do que se goza e satisfaz. Fugir a obriga\u00e7\u00f5es e a trabalhos \u00e9 falsear a vida e envenenar o prazer do que legitimamente se goza. Aqui o segredo da hist\u00f3ria que perdura e deixa rasto. A op\u00e7\u00e3o pela historieta e pela banalidade, pelos caminhos sujos e pelos meios falsificados, \u00e9 de vida curta, porque de consci\u00eancia perturbada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No seu discurso inicial, o Presidente Sarkozy recordou uma frase escrita nas paredes da Sorbone, em Maio de 68, para dizer nesse dia ao povo franc\u00eas que esse n\u00e3o podia ser o caminho para a renova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do pa\u00eds. A frase foi esta: \u201cViver sem obriga\u00e7\u00f5es e gozar sem trabalhar\u201d. 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