{"id":10728,"date":"2007-10-25T10:13:00","date_gmt":"2007-10-25T10:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10728"},"modified":"2007-10-25T10:13:00","modified_gmt":"2007-10-25T10:13:00","slug":"humildes-na-vitoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/humildes-na-vitoria\/","title":{"rendered":"Humildes na vit\u00f3ria&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; Uma vit\u00f3ria \u00e9 sempre saborosa. Alcan\u00e7ar um acordo institucional \u00e9 uma vit\u00f3ria saborosa para todos os Pa\u00edses da Uni\u00e3o, sem deixar de ter sabor especial para os seus obreiros, que foram muitos, incluindo a Presid\u00eancia Portuguesa. <\/p>\n<p>Qualquer vit\u00f3ria tem de ser humilde, para reconhecer todo o caminho que a gerou e permanecer aberta a sucessivos e mais elevados \u00eaxitos. Se ela esquece a sua g\u00e9nese, arrisca-se a ser derrota, por pervers\u00e3o dos sonhos dos seus progenitores. Se ela se enclausura narcisicamente nos seus resultados, poder\u00e1 traduzir-se em fonte de exclus\u00e3o exponencial, redundando, a breve prazo, em derrota.<\/p>\n<p>No caso presente, \u00e9 indispens\u00e1vel perscrutar se o processo de unidade, para onde a Europa quer caminhar, prossegue o sonho de Adenhauer, Schuman, De Gasperi. E se \u00e9 mesmo a Europa que est\u00e1 a caminhar ou apenas as mentes ilustradas\u2026 Fica-nos a impress\u00e3o de que, se o acordo institucional se alcan\u00e7ou, outras dimens\u00f5es essenciais desse sonho est\u00e3o fora da rota do Acordo de Lisboa. A Europa do Social, do Cultural, do Humanista, \u2026 parece estar muito distante, se n\u00e3o mesmo comprometida.<\/p>\n<p>As originalidades nacionais, sempre criativas e enriquecedoras, ter\u00e3o o terreno livre para uma aut\u00eantica interculturalidade? Ou estamos j\u00e1 submetidos a uma super estrutura ideol\u00f3gica, formatadora de uma uniforme macrocultura? Cada matriz genu\u00edna diversificada da alma dos povos ter\u00e1 espa\u00e7o para se afirmar e se apresentar como oferta enriquecedora aos outros membros da Uni\u00e3o?&#8230;<\/p>\n<p>2 &#8211; \u00c9 muito grato perceber que, em Portugal, n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia m\u00e9dica e tratamento hospitalar a imigrantes, ainda que indocumentados. Trata-se, no fundo, de preservar a possibilidade de cuidar a vida.<\/p>\n<p>Mas aflige saber que, nesta Europa, h\u00e1 pa\u00edses onde m\u00e9dicos, que prestam estes cuidados aos imigrantes indocumentados &#8211; e t\u00eam de o fazer de forma clandestina -, s\u00e3o denunciados e penalizados por prestarem tal servi\u00e7o humanit\u00e1rio. Afinal, que paradoxo de Europa, quando se empenha em enviar ajuda humanit\u00e1ria para cen\u00e1rios de guerra os de outras formas de cat\u00e1strofe!&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o estar\u00e3o aqui a falhar aspectos fundamentais da constru\u00e7\u00e3o de uma Europa das pessoas e n\u00e3o simplesmente das institui\u00e7\u00f5es? Para que servem as institui\u00e7\u00f5es, se n\u00e3o servem as pessoas? Quem s\u00e3o as \u201cpedras vivas\u201d da constru\u00e7\u00e3o desta Europa?&#8230;<\/p>\n<p>3 &#8211; Pelo que se diz, os milh\u00f5es continuar\u00e3o a entrar diariamente no Pa\u00eds. O certo \u00e9 que as perspectivas de aumentar a pobreza em Portugal s\u00e3o reais. A classe m\u00e9dia tende a desaparecer; cerca de quarenta por cento da popula\u00e7\u00e3o caminha para o limiar da pobreza; no terreno, todos os dias se encontram novos dramas para subsistir\u2026<\/p>\n<p>Algo de fundamental est\u00e1 a falhar neste caminho \u201cglorioso\u201d para a uni\u00e3o da Europa. Nem se trata apenas de v\u00e1rias velocidades na marcha do progresso. Trata-se de pervers\u00f5es na rota do progresso, permitindo que uns poucos continuem a distanciar-se de uma multid\u00e3o cada vez maior de deserdados e exclu\u00eddos. <\/p>\n<p>Haver\u00e1 raz\u00f5es para cantar vit\u00f3ria? A humildade de quem reconhece, com os seus \u00eaxitos, os seus fracassos \u00e9 o caminho indispens\u00e1vel para a correc\u00e7\u00e3o de trajectos e metas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Uma vit\u00f3ria \u00e9 sempre saborosa. Alcan\u00e7ar um acordo institucional \u00e9 uma vit\u00f3ria saborosa para todos os Pa\u00edses da Uni\u00e3o, sem deixar de ter sabor especial para os seus obreiros, que foram muitos, incluindo a Presid\u00eancia Portuguesa. 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