{"id":10744,"date":"2007-10-25T12:06:00","date_gmt":"2007-10-25T12:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10744"},"modified":"2007-10-25T12:06:00","modified_gmt":"2007-10-25T12:06:00","slug":"ua-acolheu-seminario-arquitectura-de-terra-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ua-acolheu-seminario-arquitectura-de-terra-em-portugal\/","title":{"rendered":"UA acolheu Semin\u00e1rio &#8220;Arquitectura de Terra em Portugal&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Departamento de Engenharia Civil activo no sector <!--more--> A constru\u00e7\u00e3o em terra, nomeadamente em adobe, esteve em debate no 5\u00ba Semin\u00e1rio \u201cArquitectura de Terra em Portugal\u201d, que decorreu na Universidade de Aveiro (UA), numa organiza\u00e7\u00e3o conjunta da UA, da Escola Superior Gallaecia, da Funda\u00e7\u00e3o Convento da Orada e da Associa\u00e7\u00e3o Centro da Terra, e que juntou cerca de uma centena e meia de participantes, oriundos de v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, da Am\u00e9rica Latina, da \u00c1frica e da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Para Humberto Varum, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro e membro das comiss\u00f5es organizadora e executiva do evento, o interesse por esse tema \u201csurge pelo facto de que aqui em Aveiro h\u00e1 muita constru\u00e7\u00e3o em terra, em especial em adobe, muita da qual \u00e9 patrim\u00f3nio hist\u00f3rico. Em Aveiro, a constru\u00e7\u00e3o em adobe apurou-se bastante, tendo at\u00e9 chegado a haver uma produ\u00e7\u00e3o de adobe semi-industrial. A qualidade do adobe produzido em Aveiro \u00e9 muito boa, as t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o com adobe tamb\u00e9m foram sendo apuradas ao longo dos tempos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, com o aparecimento do cimento e do a\u00e7o, e j\u00e1 antes disso, com o surgimento da constru\u00e7\u00e3o com material cer\u00e2mico e a alvenaria estrutural, o adobe perdeu peso na constru\u00e7\u00e3o e praticamente deixou de ser utilizado. <\/p>\n<p>No Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, trabalha-se muito na \u00e1rea da reabilita\u00e7\u00e3o de estruturas e das constru\u00e7\u00f5es, pelo que, como diz Humberto Varum, \u201chavendo em Aveiro tanta constru\u00e7\u00e3o em adobe, havia necessidade de que algu\u00e9m aqui se dedicasse ao estudo concreto dessas constru\u00e7\u00f5es e da sua reabilita\u00e7\u00e3o. Da\u00ed o nosso interesse, interesse que surgiu concretamente despoletado por uma ac\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o num edif\u00edcio hist\u00f3rico de Aveiro. N\u00f3s trabalhamos nesta \u00e1rea h\u00e1 quatro anos, temos desenvolvido muitos projectos de investiga\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, temos tamb\u00e9m envolvido muitos alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, de mestrado e de doutoramento nesta \u00e1rea. Temos um trabalho iniciado, e o resultado desse trabalho fez com que o Centro da Terra, a Funda\u00e7\u00e3o Convento da Orada e a Escola Superior Gallaecia nos convidassem a organizar em parceria este evento\u201d.<\/p>\n<p>Em Aveiro h\u00e1 \u201calguma constru\u00e7\u00e3o de interesse patrimonial importante e relevante que se mant\u00e9m de p\u00e9 nos dias de hoje, constru\u00e7\u00f5es com dois ou tr\u00eas pisos, outras de um s\u00f3 piso mas com uma volumetria importante, com cargas associadas importantes. H\u00e1 um caso muito concreto de um silo, que tem cargas muito elevadas, aqui no concelho de Aveiro, cuja estrutura principal \u00e9 toda ela em adobe. Essa ideia de que o adobe \u00e9 um material pobre, que se utilizou mais nas regi\u00f5es suburbanas e nos meios rurais, \u00e9 totalmente falsa\u201d.<\/p>\n<p>Como ficou demonstrado neste semin\u00e1rio, neste momento, em Portugal, h\u00e1 j\u00e1 arquitectos a projectar obras em terra, h\u00e1 engenheiros a projectar e a construir em terra, pelo que o mais importante \u00e9, no dizer de Humberto Varum, \u201cromper alguns tabus em rela\u00e7\u00e3o ao adobe e \u00e0s suas solu\u00e7\u00f5es construtivas\u201d, ap\u00f3s o que \u00e9 preciso fazer com que \u201cas primeiras constru\u00e7\u00f5es novas que se venham a fazer em terra saiam do empirismo e da constru\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de tentativa e erro, e que os construtores, os donos de obra, os arquitectos e os engenheiros que optem por este tipo de constru\u00e7\u00e3o, se associem \u00e0s universidades, procurando nelas o saber e a capacidade t\u00e9cnica para avaliar defici\u00eancias mec\u00e2nicas, para avaliar comportamentos de uma forma mais vigorosa. Tudo passa por transferir para a constru\u00e7\u00e3o em terra o conhecimento, as tecnologias e as metodologias que s\u00e3o utilizadas correntemente em outros materiais\u201d.<\/p>\n<p>Entre as vantagens da constru\u00e7\u00e3o em terra, Humberto Varum aponta o comportamento t\u00e9rmico, que nas constru\u00e7\u00f5es em terra \u00e9 \u201cnitidamente melhor\u201d. \u201cEm muitas situa\u00e7\u00f5es, duas constru\u00e7\u00f5es equivalentes, com a mesma exposi\u00e7\u00e3o, a mesma percentagem de aberturas, com a mesma orienta\u00e7\u00e3o solar, a constru\u00e7\u00e3o em terra pode ter menos perdas e ter um comportamento t\u00e9rmico muito melhor que uma constru\u00e7\u00e3o equivalente em outro material\u201d, reafirma. A par disso, se a constru\u00e7\u00e3o em terra se generalizar, se o adobe come\u00e7ar a ser constru\u00eddo de uma forma mais industrial, este investigador da UA n\u00e3o tem d\u00favidas de que \u201co custo final de uma constru\u00e7\u00e3o em terra seria muito inferior a uma cong\u00e9nere feita com outro material\u201d.<\/p>\n<p>A isso Humberto Varum junta ainda outras vantagens, como o facto de que \u201csendo a terra um material dispon\u00edvel em toda a parte, \u00e9 poss\u00edvel utiliz\u00e1-la como material de constru\u00e7\u00e3o, diminuindo os impactos ambientais\u201d. A par disso, \u201ca terra \u00e9 um material que permite fazer uma constru\u00e7\u00e3o, permite gastar um material natural, mas quando essa constru\u00e7\u00e3o chega ao fim da sua vida, esse material volta \u00e0s suas origens, volta \u00e0 terra, dilui-se na pr\u00f3pria terra. Uma constru\u00e7\u00e3o em terra devoluta, quando se come\u00e7a a degradar, ela pr\u00f3pria se intercepta com o solo, solo esse que deu origem \u00e0 sua estrutura\u201d, conclui este co-organizador do evento \u201cArquitectura de Terra em Portugal\u201d.<\/p>\n<p>C.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Departamento de Engenharia Civil activo no sector<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-10744","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10744\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}