{"id":10791,"date":"2007-10-31T17:14:00","date_gmt":"2007-10-31T17:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10791"},"modified":"2007-10-31T17:14:00","modified_gmt":"2007-10-31T17:14:00","slug":"casa-de-santa-zita-meio-seculo-ao-servico-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casa-de-santa-zita-meio-seculo-ao-servico-da-familia\/","title":{"rendered":"Casa de Santa Zita: meio s\u00e9culo ao servi\u00e7o da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es, Grupos e Servi\u00e7os de Pastoral Social na Diocese de Aveiro &#8211; 1 <!--more--> A Obra de Santa Zita surgiu em Portugal na cidade da Guarda, com aprova\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e civil em 1932. Foi seu fundador o padre diocesano Joaquim Alves Br\u00e1s, que nasceu na aldeia de Casegas, em 20 de Mar\u00e7o de 1899. Joaquim Alves Br\u00e1s recebeu a ordem de Presb\u00edtero em 1925 e logo de seguida foi nomeado P\u00e1roco das Donas, na diocese da Guarda.<\/p>\n<p>O padre Alves Br\u00e1s, ao fundar a institui\u00e7\u00e3o, escolheu para sua Padroeira uma mulher trabalhadora dom\u00e9stica de origem italiana que viveu no s\u00e9culo XII, que numa fam\u00edlia rica trabalhou e se santificou auxiliando os mais pobres, que todos os dias batiam \u00e0 porta dos seus senhores. Esta obra foi fundada para a classe mais pobre e desprotegida dessa \u00e9poca: as criadas de servir.<\/p>\n<p>\u201cComo Pastor que procura a ovelha perdida, o Pe Alves Br\u00e1s procurava conhecer o terreno e a situa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos p\u00e1rocos; procurava saber qual a necessidade que mais se salientava na sociedade aveirense\u201d, refere Maria Virg\u00ednia Reis. E acrescenta: \u201cFoi informado e p\u00f4s m\u00e3os \u00e0 obra. As criadas precisavam duma casa, duma escola de valores a todos os n\u00edveis, profissional, moral, religioso e humano. Precisavam de quem lhes defendesse os seus direitos e da sua dignidade\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo das cinco d\u00e9cadas de presen\u00e7a em Aveiro, muitas criadas passaram pela casa que fica no centro de Aveiro, tirando cursos de culin\u00e1ria, de corte e costura e confec\u00e7\u00e3o, bordados e outros trabalhos. \u201cAprenderam a ser boas donas de casa\u201d, resume Maria Virg\u00ednia Reis.<\/p>\n<p>Actualmente, a ac\u00e7\u00e3o da Casa de Santa Zita vai noutro sentido. Funciona como lar de estudantes universit\u00e1rios, \u00e9 resid\u00eancia das associadas mais idosas e acolhe pessoas de passagem tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ligado \u00e0 Casa de Santa Zita, existe o Instituto Secular das Cooperadoras da Fam\u00edlia, funda\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da Obra. O instituto, descreve Maria Virg\u00ednia, \u00e9 \u201cconstitu\u00eddo por pessoas que se consagram ao servi\u00e7o da fam\u00edlia, nas suas mais variadas vertentes, na orienta\u00e7\u00e3o das casas de Santa Zita, no atendimento directo e personalizado das v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que todos os dias nos batem \u00e0 porta, no apostolado directo com o MLC (Movimento por um Lar Crist\u00e3o &#8211; casais), no servi\u00e7o na par\u00f3quia, etc.\u201d<\/p>\n<p>A Obra de Santa Zita est\u00e1 actualmente presente nas dioceses de Aveiro, Braga, Porto, Coimbra, Viseu, Lamego, Portalegre e Castelo Branco, \u00c9vora, Faro, Lisboa, Guarda e Madeira.<\/p>\n<p>&#8220;Falta de voca\u00e7\u00f5es de doa\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia&#8221;<\/p>\n<p>Maria Virg\u00ednia Dias Reis, natural de Abrantes, est\u00e1 h\u00e1 oito anos em Aveiro, depois de ter passado por diversas casas da Obra de Santa Zita.<\/p>\n<p>A directora da institui\u00e7\u00e3o aveirense afirma que o acolhimento e servi\u00e7o \u00e0 fam\u00edlia continua a ser o centro de ac\u00e7\u00e3o da obra que dirige. Para o tri\u00e9nio de 2007-2010, no entanto, a Casa de Santa Zita tem como tema de fundo \u201cAlargar os horizontes da miss\u00e3o: reconverter e requalificar a ac\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como principais dificuldades que a institui\u00e7\u00e3o aveirense enfrenta no momento presente, Maria Virg\u00ednia Reis refere a \u201cfalta de voca\u00e7\u00f5es de doa\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia\u201d e \u201co estado de desgaste da casa\u201d. \u201cPrecisamos de fazer obras de restauro\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Quem foi Joaquim Alves Br\u00e1s?<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de evocar este sacerdote simples e bondoso, desprendido e dispon\u00edvel, alegre e feliz, profeta e mission\u00e1rio, apaixonado pela justi\u00e7a, devorado pela amizade fraterna e aberto a todos sem distin\u00e7\u00e3o. Embora o relembre aqui a tra\u00e7os mais do que rapid\u00edssimos, mostrando a sua imagem num mero e imperfeito retrato, fa\u00e7o-o todavia com emo\u00e7\u00e3o e com saudade.<\/p>\n<p>Em 20 de Mar\u00e7o de 1956, \u00e0 entrada da casa episcopal, recebi e cumprimentei mons. Alves Br\u00e1s, que havia solicitado um encontro com o arcebispo-bispo de Aveiro, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, para tratar de assuntos da sua Obra. Foi em tal ocasi\u00e3o, numa ligeira troca de palavras, que lhe ouvi, quando ele elucidou sobre o motivo de andar sempre apressado, n\u00e3o destinando tempo para repousar: \u201cCabra manca n\u00e3o tem sesta! Tenho tempo de descansar no C\u00e9u!&#8230;\u201d Aludiu \u00e0 coxalgia que o atingira aos onze anos de idade, debilitando-lhe para sempre a perna dierita, mas n\u00e3o a vontade de calcorrear as estradas e os caminhos da caridade. Para mim, ent\u00e3o padre novo que contava vinte e seis anos, foi uma li\u00e7\u00e3o de mestre, para sempre gravada no meu cora\u00e7\u00e3o mais do que na minha mem\u00f3ria: \u201cTenho tempo de descansar no C\u00e9u!&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Assim, mons. Alves Br\u00e1s, sem jamais parar, ia vivendo com muita coragem e com muito amor a gratificante aventura de, por todos os meios leg\u00edtimos, acolher, escutar, compreender, ajudar, aconselhar e orientar outras pessoas num caminho certo para darem sentido \u00e0 vida, segundo os valores humanos e crist\u00e3os. \u201cTemos tantas necessidades neste momento e h\u00e1 t\u00e3o pouca generosidade; por isso, eu devo aceitar tudo com cara alegre\u201d, confidenciava ele para entusiasmar outros e outras no mesmo ideal. Evangelizador incans\u00e1vel na sociedade que era a sua, tinha por objectivo primordial a dignifica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, em face da degrada\u00e7\u00e3o moral vigente, promovendo o bem espiritual e material dos seus membros, de tal forma que bem merece ser chamado \u201co Ap\u00f3stolo da Fam\u00edlia em Portugal\u201d. Figura carism\u00e1tica do nosso tempo, homem coerente de compromissos assumidos, optimista nos seus empreendimentos e nas suas realiza\u00e7\u00f5es, corajoso nos momentos adversos com laivos de hero\u00edsmo, consciente das suas limita\u00e7\u00f5es, mas dotado de uma confian\u00e7a sem limites no poder e na miseric\u00f3rdia de Deus, mons. Alves Br\u00e1s prendia, pela invulgar irradia\u00e7\u00e3o natural de um magn\u00edfico testemunho crist\u00e3o, revolvia e inquietava aqueles e aquelas que tivessem a oportunidade ou o desejo de o ouvir e com ele contactar. Porque todos sabemos por experi\u00eancia que s\u00f3 o amor constr\u00f3i, ele dizia e repetia que \u201co amor aut\u00eantico \u00e9 permanente\u201d.<\/p>\n<p>Excerto da comunica\u00e7\u00e3o de Mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, <\/p>\n<p>no dia 22 de Abril de 2007<\/p>\n<p>Cronologia<\/p>\n<p>1932 \u2013 Surge na diocese da Guarda a Obra de Previd\u00eancia e Forma\u00e7\u00e3o das Criadas, mais tarde denominada Obra de Santa Zita (OSZ).<\/p>\n<p>1933 \u2013 Surge o Instituto das Cooperadoras da Fam\u00edlia, associa\u00e7\u00e3o de senhoras com consagra\u00e7\u00e3o religiosa de \u00edndole laical (\u201cInstituto secular\u201d em 1961, reconhecido de direito pontif\u00edcio em 2000).<\/p>\n<p>1952 \u2013 Pe Ant\u00f3nio Henriques Vidal funda em \u00c1gueda uma delega\u00e7\u00e3o da OSZ, que em 1957 contava com 45 associadas efectivas. At\u00e9 \u00e0 sua morte, em 2000, este sacerdote seria assistente das Cooperadoras da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>1956 \u2013 A Obra de Santa Zita chega a Aveiro. No dia 20 de Janeiro, Mons. Alves Br\u00e1s orienta um encontro com poss\u00edveis interessadas, no sal\u00e3o dos Bombeiros Velhos. No dia 21 de Mar\u00e7o, o fundador pede autoriza\u00e7\u00e3o ao Bispo D. Jo\u00e3o Evangelista, autoriza\u00e7\u00e3o para fundar uma delega\u00e7\u00e3o em Aveiro e sub-delega\u00e7\u00f5es onde o n\u00famero de empregadas dom\u00e9sticas o justificasse.<\/p>\n<p>1957 \u2013 20 de Janeiro. \u00c9 inaugurada a sede da OZS, na Rua Eng. Von-Hafe, n\u00ba 20. A directora \u00e9 D. Luzia de Jesus Carvalho.<\/p>\n<p>1958 \u2013 Devido \u00e0 expans\u00e3o da Obra, compra-se \u00e0 Fam\u00edlia Sacchetti o palacete da Rua dos Combatentes da Grande Guerra, onde ainda tem sede.<\/p>\n<p>1962 \u2013 Mons. Alves Br\u00e1s funda o Movimento por um Lar Crist\u00e3o.<\/p>\n<p>1966 \u2013 13 de Mar\u00e7o. Morre Mons. Joaquim Alves Br\u00e1s (nascido em Casegas, Covilh\u00e3, em1899), num acidente rodovi\u00e1rio. Tr\u00eas semanas antes, participara num curso em S\u00e3o Louren\u00e7o do Bairro (Anadia), tendo dito uma das suas frases c\u00e9lebres: \u201cPreparar um homem \u00e9 formar um indiv\u00edduo; mas preparar uma mulher \u00e9 formar uma fam\u00edlia e toda uma gera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>1974 \u2013 No regime democr\u00e1tico, o n\u00famero de empregadas dom\u00e9sticas desceu abruptamente, levando a que a Obra de Santa Zita, at\u00e9 ent\u00e3o direccionada para uma classe com muitos milhares de mulheres orientasse a sua ac\u00e7\u00e3o para outros sectores.<\/p>\n<p>1990 \u2013 Abre a causa de beatifica\u00e7\u00e3o de Mons. Alves Br\u00e1s, na diocese de Lisboa.<\/p>\n<p>2007 \u2013 A 22 de Abril a Obra comemora com solenidade os 75 de exist\u00eancia e 50 de presen\u00e7a em Aveiro. No dia 12 de Maio, a C\u00e2mara Municipal de Aveiro atribui-lhe a Medalha de M\u00e9rito Municipal Social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es, Grupos e Servi\u00e7os de Pastoral Social na Diocese de Aveiro &#8211; 1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-10791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10791\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}