{"id":10819,"date":"2007-10-31T17:59:00","date_gmt":"2007-10-31T17:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10819"},"modified":"2007-10-31T17:59:00","modified_gmt":"2007-10-31T17:59:00","slug":"viver-a-realidade-num-mundo-complexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viver-a-realidade-num-mundo-complexo\/","title":{"rendered":"Viver a realidade num mundo complexo"},"content":{"rendered":"<p>O desafio para pensarmos em que mundo vivemos e o que \u00e9 que nele fazemos que seja determinante e v\u00e1lido, para n\u00f3s e para os outros, \u00e9 um desafio que nos afecta e, por vezes, nos incomoda. \u00c9 mais f\u00e1cil vivermos de ideias feitas e dados pacificamente adquiridos, que viver com interroga\u00e7\u00f5es permanentes, prontos a mudar de rumo, se aquele em que navegamos nos leva a becos sem sa\u00edda, escolhos inesperados e perigosos, \u00e1guas mornas e paradas que, para nos iludirem, ainda reflectem o sol do Inverno. <\/p>\n<p>Por mais que se publicite o conforto, a verdade \u00e9 que, para quem quiser permanecer vivo, respons\u00e1vel e actuante, o conforto e a instala\u00e7\u00e3o acabaram. A viagem de uma vida activa faz-se agora sobre a crista da onda e de barco a remos contra a mar\u00e9. N\u00e3o d\u00e1 para os que enjoam com facilidade, nem para aqueles que t\u00eam lugar cativo no sof\u00e1 c\u00f3modo da sua sala ou de qualquer outra. <\/p>\n<p>Hoje, tanto os respons\u00e1veis pol\u00edticos como os das grandes institui\u00e7\u00f5es que venceram ou julgam ter vencido o tempo, correm o risco de viver num passado que j\u00e1 n\u00e3o existe e de olhos fechados a um presente que se vai construindo \u00e0 revelia de regras e princ\u00edpios, aos quais n\u00e3o se reconhece grande cota\u00e7\u00e3o. Nivelar a vida com a mesma rasoura \u00e9 um passo curto e f\u00e1cil, mas ineficaz e perigoso. Predomina o efeito da mudan\u00e7a impar\u00e1vel <\/p>\n<p>O mundo secularizado defende a sua autonomia e as suas regras e n\u00e3o \u00e9 mais o mundo dependente da religi\u00e3o ou que se inspira nos seus princ\u00edpios morais. A Igreja, nos tempos que correm e depois de um concilio ecum\u00e9nico, n\u00e3o \u00e9 mais a Igreja da gloriosa cristandade ou a Igreja armadilhada contra as diversas formas de oposi\u00e7\u00e3o, religiosas ou pol\u00edticas. A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 mais a fam\u00edlia tradicional, em que convivem pais, filhos e netos e em que o homem \u00e9 sempre o detentor \u00fanico da autoridade, mas a fam\u00edlia nuclear e dispersa, com rela\u00e7\u00f5es internas mais dif\u00edceis e poderes repartidos. A escola deixou de ser o espa\u00e7o normal de educa\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de saber e tornou-se uma institui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o se entende a si mesma e de que o Estado se apropriou, como dono \u00fanico de um brinquedo perigoso, provocando nela mudan\u00e7as a torto e a direito, \u00e0 revelia de alunos, pais e professores e surdo ao rumor insistente da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Um mundo diferente exige respostas diferentes, gente com sabedoria, acordada para a realidade e capaz de tomar posi\u00e7\u00e3o equilibrada e s\u00e9ria, ante os problemas que enfrenta. No que toca \u00e0 Igreja e aos seus respons\u00e1veis, nada de mais urgente. Os redutos de persistente cristandade e os grupos de gente azeda que em tudo v\u00ea inimigos, n\u00e3o podem travar uma ac\u00e7\u00e3o pastoral realista que sabe o que programa, o que faz, qual o sentido das suas decis\u00f5es e sempre aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos seus membros, chamados a pensar o caminho que importa andar e a and\u00e1-lo em comum. Muitos planos e programas parece darem pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas concretas, hoje t\u00e3o diferentes nas suas experi\u00eancias humanas e religiosas, que enfrentam mudan\u00e7as culturais s\u00e9rias, assimilam crit\u00e9rios e optam por modelos de vida indiferentes a ac\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas correntes, que, n\u00e3o raro, v\u00e3o pouco al\u00e9m da generosidade dos agentes pastorais tradicionais. No nosso espa\u00e7o religioso coabitam crist\u00e3os esclarecidos, pag\u00e3os baptizados, gente de muitas cren\u00e7as e algumas perten\u00e7as, muitos indiferentes. E, por vezes, at\u00e9 visitam o templo e seus anexos ou v\u00e3o passando pelo adro, ateus e agn\u00f3sticos satisfeitos consigo pr\u00f3prios. Um mundo plural que deve marcar o rumo de uma ac\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria que, por sua natureza, n\u00e3o pode ser indiferente ou in\u00f3cua. Gente que ainda gravita no espa\u00e7o religioso experimenta no seu mundo secular formas de participa\u00e7\u00e3o activa, a que a Igreja n\u00e3o pode ficar alheia.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a verdade que se prop\u00f5e tem de casar com a realidade que se vive, de outro modo aumenta a insignific\u00e2ncia do que se \u00e9 e se propugna. Um mundo complexo \u00e9 para uma Igreja serva um desafio apaixonante, nunca um convite \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o. A Igreja sempre teve por voca\u00e7\u00e3o enfrentar desafios. \u00c9 esse o seu caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio para pensarmos em que mundo vivemos e o que \u00e9 que nele fazemos que seja determinante e v\u00e1lido, para n\u00f3s e para os outros, \u00e9 um desafio que nos afecta e, por vezes, nos incomoda. \u00c9 mais f\u00e1cil vivermos de ideias feitas e dados pacificamente adquiridos, que viver com interroga\u00e7\u00f5es permanentes, prontos a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-10819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10819\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}