{"id":10881,"date":"2007-11-08T12:27:00","date_gmt":"2007-11-08T12:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10881"},"modified":"2007-11-08T12:27:00","modified_gmt":"2007-11-08T12:27:00","slug":"incomodos-da-escola-pelos-resultados-conhecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/incomodos-da-escola-pelos-resultados-conhecidos\/","title":{"rendered":"Inc\u00f3modos da escola pelos resultados conhecidos"},"content":{"rendered":"<p>Os problemas da educa\u00e7\u00e3o e da escola, ao lado dos da sa\u00fade, s\u00e3o entre n\u00f3s os mais  preocupantes para as pessoas. N\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos, mas certamente os que mais doem. <\/p>\n<p>Com dados do Minist\u00e9rio publicaram-se, a n\u00edvel nacional e por escolas, resultados do secund\u00e1rio e de portugu\u00eas e matem\u00e1tica do 3\u00ba ciclo, do ano escolar 2006\/2007. H\u00e1 sempre quem critique esta publica\u00e7\u00e3o e quem elogie a coragem de se fazer. Leituras  diversas e carregadas de conceitos e preconceitos, consoante de onde o vento sopra.   <\/p>\n<p>Um dado que se vem afirmando em cada ano, e no ano que terminou foi ainda mais eloquente, refere-se aos resultados das escolas privadas, em confronto com os das escolas estatais. Tal confronto n\u00e3o agrada aos que, de h\u00e1 muito tempo, v\u00eam denegrindo o ensino particular, e ponho neste campo alguns respons\u00e1veis dos sindicatos de professores. Nem agrada \u00e0queles que v\u00e3o asfixiando estas escolas, cortando turmas, regateando acordos, demorando pagamentos, multiplicando inspec\u00e7\u00f5es, calando leg\u00edtimas op\u00e7\u00f5es dos pais, exigindo coisas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais fazem vista grossa quando se trata das escolas do Estado. Esta atitude \u00e9 a do Minist\u00e9rio e dos seus executivos, desde as direc\u00e7\u00f5es regionais \u00e0s distritais, incluindo ainda alguns zelosos respons\u00e1veis locais, vizinhos do lado de uma escola com \u00eaxito e criatividade, mas que escapa \u00e0 sua jurisdi\u00e7\u00e3o. Tudo sugere alguma reflex\u00e3o, com dados que escapam a muita gente, n\u00e3o esquecendo que \u00e9 complexa a grelha de leitura dos resultados finais.<\/p>\n<p>O ensino privado responde aos requisitos legais e n\u00e3o \u00e9 um favor do Estado. \u00c9 um direito constitucional e, por isso mesmo, democr\u00e1tico e merecedor de respeito e apre\u00e7o. Constitui um servi\u00e7o p\u00fablico e, pelo que se v\u00ea, no seu conjunto com algum \u00eaxito e reconhecida qualidade. N\u00e3o se pode considerar meramente supletivo do Estado, como alguns teimam em o afirmar. Um servi\u00e7o diversificado, que vai de escolas reputadas dos meios urbanos com contratos simples, e longas listas de pedidos de inscri\u00e7\u00e3o, at\u00e9 \u00e0s escolas de dimens\u00e3o m\u00e9dia, disseminadas pelo pa\u00eds, muitas delas com contratos de associa\u00e7\u00e3o, dispensando aos seus alunos, a par das do Estado, ensino gratuito.<\/p>\n<p>A rede pr\u00e9-escolar, com muitas escolas privadas e atendendo \u00e0 dupla dimens\u00e3o escolar e social, por isso mesmo com prolongamentos normais de hor\u00e1rio, exig\u00eancia \u00e0 qual o Estado acabou por ter de se vergar, foi durante anos rede quase \u00fanica ao encontro dos pais. Sofre agora um tipo de deprecia\u00e7\u00e3o, que vai at\u00e9 \u00e0 dispensa dos seus servi\u00e7os, em troca de medidas pouco realistas e press\u00f5es ideol\u00f3gicas e profissionais, a que o governo se tem vindo a submeter e a que procura dar solu\u00e7\u00f5es de gabinete. <\/p>\n<p>No furor da revolu\u00e7\u00e3o militar, assaltaram-se escolas privadas de vilas e aldeias, que, por esse pa\u00eds fora, levaram durante d\u00e9cadas o ensino para al\u00e9m do elementar ao povo e permitiram a muita gente humilde ter acesso \u00e0 universidade e a empregos qualificados. Depois criaram-se escolas estatais, inviabilizando as j\u00e1 existentes. O pa\u00eds empobreceu-se com esta duplica\u00e7\u00e3o dispens\u00e1vel e injusta, que o colectivismo estatal exigia e a Constitui\u00e7\u00e3o socialista procurou consagrar. No fundo, um ataque claro \u00e0 Igreja, por parte daqueles que se incomodavam pelo seu servi\u00e7o aos mais pobres.<\/p>\n<p>Fez-se crer que as escolas particulares eram elitistas e para os ricos. O atrevimento da ignor\u00e2ncia e da m\u00e1 f\u00e9! Se havia e felizmente ainda h\u00e1 escolas mais qualificadas, ser\u00e1 que isso \u00e9 ou foi alguma vez um preju\u00edzo para o pa\u00eds? O Estado tem como dever garantir a todos educa\u00e7\u00e3o e ensino qualificados. Que o fa\u00e7a quem melhor o pode fazer, sem que os pais, que pagam os seus impostos, sejam onerados pela escolha da escola. Por essa Europa muitos j\u00e1 perceberam que o Estado, se n\u00e3o pode descuidar a educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem que ser ele, necessariamente, o educador de crian\u00e7as e jovens. Educar \u00e9 miss\u00e3o de quem melhor a sabe e pode realizar. \u00c9 a isso que os alunos t\u00eam direito.    <\/p>\n<p>Dignificar os professores, porque indispens\u00e1veis, embora a escola n\u00e3o exista por causa deles; inovar, porque sem criatividade nada se qualifica; dar \u00e0 escola autonomia administrativa e pedag\u00f3gica, porque s\u00f3 assim se pode educar e melhorar o ensino. H\u00e1 que respeitar quem trabalha e tem resultados. O pa\u00eds precisa de quem o dignifique e enrique\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os problemas da educa\u00e7\u00e3o e da escola, ao lado dos da sa\u00fade, s\u00e3o entre n\u00f3s os mais preocupantes para as pessoas. N\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos, mas certamente os que mais doem. 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