{"id":10915,"date":"2007-11-14T12:06:00","date_gmt":"2007-11-14T12:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10915"},"modified":"2007-11-14T12:06:00","modified_gmt":"2007-11-14T12:06:00","slug":"regra-fundamental-o-mais-possivel-de-colo-e-qb-de-autoridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/regra-fundamental-o-mais-possivel-de-colo-e-qb-de-autoridade\/","title":{"rendered":"Regra fundamental: o mais poss\u00edvel de colo e &#8220;qb&#8221; de autoridade"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAmar \u00e9 quando algu\u00e9m conhece mais de n\u00f3s do que n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d. Foi assim que o psic\u00f3logo Eduardo S\u00e1, frente a um grande audit\u00f3rio, no dia 9 de Novembro, no sal\u00e3o D. Jo\u00e3o Evangelista em Aveiro, definiu o sentimento que rege as rela\u00e7\u00f5es humanas. \u201cFam\u00edlia s\u00e3o pessoas que nos amam, que nos d\u00e3o gestos de ternura v\u00e1rias vezes ao ano, sem qualquer pretexto.\u201d Por isso, recomendou que os pais n\u00e3o se esque\u00e7am de trocar mimos entre si e com os filhos, porque as rela\u00e7\u00f5es morrem se n\u00e3o forem mimadas. E \u201c\u00e0 medida que nos vamos baldando uns para os outros\u201d, as rela\u00e7\u00f5es morrem lenta e naturalmente. <\/p>\n<p>Respondendo a uma m\u00e3e, que pediu uns truques para lidar com o filho que faz birras para impor a sua presen\u00e7a, Eduardo S\u00e1 aconselhou: \u201cDeixem as crian\u00e7as fazerem birras. Se for preciso, d\u00ea-lhe uma palmada. E, se for preciso, grite, zangue-se.\u201d As crian\u00e7as testam os pais, querem verg\u00e1-los. O problema \u00e9 quando os pais as deixam transformarem-se em pequenas ditadoras, porque n\u00e3o aprenderam a respeitar o n\u00e3o. \u201cO n\u00e3o faz bem \u00e0 sa\u00fade. Quando estamos a dizer n\u00e3o a algu\u00e9m, dizemos sim \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com essa pessoa, porque n\u00e3o desistimos de lhe mostrar regras e limites\u201d. E traduziu os truques em tr\u00eas atitudes: coer\u00eancia, const\u00e2ncia e firmeza. As crian\u00e7as educam-se com bons exemplos e n\u00e3o com bons conselhos. <\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia, os filhos recusam falar com os pais. Ora, se estes desistem de cumprir o seu papel, agem como crian\u00e7as mimadas, que amuam, porque algu\u00e9m n\u00e3o quer falar com eles. Mas devem continuar a falar e a dar palpites: \u201cAcho que est\u00e1s triste, porque te zangaste com a tua namorada\u201d.<\/p>\n<p>Eduardo S\u00e1 afirmou que os pais devem ser a entidade reguladora dos filhos, independentemente da sua idade. Com dois, 14, 18 ou 40 e tal anos, precisamos de pais que nos indiquem caminhos. Todavia, os pais t\u00eam de ser humildes e aceitar que tamb\u00e9m erram. Por ensaio e erro, aprendem a conhecer os filhos. Os pais est\u00e3o proibidos de ser os melhores amigos dos filhos. Isso seria uma despromo\u00e7\u00e3o, porque ser PAI \u00e9 muito mais importante do que ser AMIGO. <\/p>\n<p>Outras sugest\u00f5es dadas pelo Psic\u00f3logo prendem-se com o jantar (sem televis\u00e3o), o quarto das crian\u00e7as (sem televis\u00e3o e computador), o hor\u00e1rio afixado na porta do frigor\u00edfico (com muito tempo para brincar, depois da escola), os trabalhos de casa (feitos pelos alunos e n\u00e3o pelos pais, antes do jantar e depois da brincadeira), os desenhos animados (campanha de vacina\u00e7\u00e3o ideal para proteger contra o medo). <\/p>\n<p>Quanto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em Portugal, Eduardo S\u00e1 manifestou a sua apreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola a tempo inteiro, \u00e0s aulas de 90 minutos intervaladas por apenas 10 minutos. Porque, afinal, a principal tarefa da crian\u00e7a \u00e9 brincar. A Escola est\u00e1 a ser posta \u00e0 frente de tudo, mas ela n\u00e3o \u00e9 o mais importante.<\/p>\n<p>Perto da quadra natal\u00edcia, Eduardo S\u00e1 sublinhou que o termo Presente!!! deveria ser acompanhado de tr\u00eas pontos de exclama\u00e7\u00e3o. S\u00f3 damos presentes a quem est\u00e1 PRESENTE dentro de n\u00f3s. Quando damos dinheiro, parece que dizemos: N\u00e3o te conhe\u00e7o bem, por isso compra tu aquilo de que gostas. \u201cNatal n\u00e3o \u00e9 quando um homem quiser, mas sim sempre que algu\u00e9m nos quer\u201d, rematou, convidando: \u201cFa\u00e7am ser Natal v\u00e1rias vezes por dia e por ano!\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Somos a melhor civiliza\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>que alguma vez existiu para as crian\u00e7as&#8221;<\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; Os pais de hoje s\u00e3o melhores ou piores do que os de ontem?<\/p>\n<p>Eduardo S\u00e1 &#8211; S\u00e3o seguramente muito melhores. Inequivocamente muito melhores. S\u00e3o incomparavelmente mais presentes no crescimento das crian\u00e7as. Est\u00e3o mais atentos aos pequenos sinais. Apesar de termos a ideia de que as pessoas t\u00eam cada vez menos tempo, ainda assim t\u00eam uma qualidade de aten\u00e7\u00e3o que muitos dos nossos pais, infeliz e dramaticamente, n\u00e3o puderam ter. \u00c9 muito bom que tenhamos a humildade de assumir que, de facto, somos a melhor civiliza\u00e7\u00e3o que alguma vez existiu para as crian\u00e7as. E humildade porque, obviamente, os nossos filhos v\u00e3o ser muito melhores do que n\u00f3s.<\/p>\n<p>Os pais s\u00e3o melhores. Mas \u00e9 mais f\u00e1cil ser pai\/m\u00e3e hoje?<\/p>\n<p>\u00c9 mais dif\u00edcil. Por uma quest\u00e3o simples: a fun\u00e7\u00e3o dos pais, que em gera\u00e7\u00f5es anteriores estava dilu\u00edda por fam\u00edlias alargadas, que de facto iam almofadando aquilo que os pais n\u00e3o tinham para dar, hoje tem de ser desempenhada no essencial pela fam\u00edlia nuclear, pelo pai e pela m\u00e3e. Felizmente, a meu ver, os av\u00f3s s\u00e3o cada vez mais pessoas ocupadas, pessoas com projectos de vida pr\u00f3prios, com uma carreira que se prolonga no tempo, s\u00e3o pessoas que de alguma forma se sentem mais \u00fateis e mais produtivas. Isso, objectivamente, faz com que as responsabilidades dos pais estejam mais centradas sobre eles pr\u00f3prios, o que vai fazer com que inevitavelmente n\u00f3s, nos pr\u00f3ximos anos, assistamos a dois tipos de fam\u00edlia: aquelas que se v\u00e3o distinguindo cada vez mais pela qualidade dos cuidados positivos e aquelas que nos v\u00e3o preocupando mais pelas omiss\u00f5es e pelos maus tratos. Vais haver uma grande fractura de fam\u00edlias muito boas e fam\u00edlias muito m\u00e1s.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as de hoje s\u00e3o diferentes de outras gera\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>S\u00e3o. S\u00e3o crian\u00e7as por mais tempo, que \u00e9 o maior privil\u00e9gio do mundo. As crian\u00e7as, h\u00e1 uma ou duas gera\u00e7\u00f5es, deixavam de o ser aos 10 anos. Come\u00e7avam a trabalhar muito precocemente. Hoje s\u00e3o crian\u00e7as at\u00e9 mais tarde. Formalmente v\u00e3o at\u00e9 aos 18, na pr\u00e1tica s\u00e3o muito para al\u00e9m dos 18 anos. Temos este enorme privil\u00e9gio de dar muito mais tempo \u00e0 inf\u00e2ncia. Isto vai-se traduzir em melhores adultos e melhores fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Como \u00e9 \u201ceducar para a vida\u201d[t\u00edtulo da conversa em Aveiro]?<\/p>\n<p>O t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 meu. \u00c9 da organiza\u00e7\u00e3o deste encontro. As pessoas t\u00eam uma clarivid\u00eancia sobre as coisas muito superior \u00e0quilo que \u00e0s vezes deixam entender. H\u00e1 ondas no ar em que muitas vezes nos deixamos entrar e que s\u00e3o absurdas. \u00c9 muito importante termos no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da fam\u00edlia. \u00c9 muito importante perceber o benef\u00edcio que \u00e9 a escola. Acho que a escola tem de fechar para balan\u00e7o e abrir com outra ger\u00eancia. \u00c9 bom que tenhamos a no\u00e7\u00e3o que educar para a vida n\u00e3o pressup\u00f5e que as crian\u00e7as entrem com muito boas notas na universidade. \u00c9 muito mais do que isso. Significa que elas sejam excelentes pessoas, muito mais do que bons t\u00e9cnicos. Algumas pessoas ainda n\u00e3o perceberam isto.<\/p>\n<p>\u201cAbrir a escola com outra ger\u00eancia\u201d \u00e9 uma cr\u00edtica ao sistema de ensino actual&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia que leva a pressupor que temos que p\u00f4r a t\u00f3nica na forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos, temos que dar mais tempos de escola, temos de criar uma atmosfera sisuda na rela\u00e7\u00e3o das pessoas com a escola. Estas ideias, que est\u00e3o a ser abandonadas nos pa\u00edses desenvolvidos, est\u00e1 agora a chegar a chegar aqui, numa esp\u00e9cie de choque educativo. N\u00e3o acho que seja por a\u00ed que n\u00f3s transformamos o mundo.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAmar \u00e9 quando algu\u00e9m conhece mais de n\u00f3s do que n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d. Foi assim que o psic\u00f3logo Eduardo S\u00e1, frente a um grande audit\u00f3rio, no dia 9 de Novembro, no sal\u00e3o D. 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