{"id":10939,"date":"2007-11-14T14:51:00","date_gmt":"2007-11-14T14:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10939"},"modified":"2007-11-14T14:51:00","modified_gmt":"2007-11-14T14:51:00","slug":"opiniao-e-obsessoes-a-ter-em-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/opiniao-e-obsessoes-a-ter-em-conta\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o e obsess\u00f5es a ter em conta"},"content":{"rendered":"<p>O tema da escola continua na baila e isso prova que o pa\u00eds est\u00e1 preocupado. Afunilou no ensino estatal e no privado e \u00e9 pena que assim seja, pois n\u00e3o faltam motivos ponderosos para levar mais adiante uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria sobre muitos aspectos do tema.<\/p>\n<p>Ainda bem que todos podemos ter opini\u00e3o e torn\u00e1-la p\u00fablica sem medo de repres\u00e1lias de qualquer ordem. Mas a opini\u00e3o de quem quer que seja \u00e9 mais v\u00e1lida quando n\u00e3o t\u00eam de se ocultar realidades que contrariam os argumentos ou de as adaptar ao que se pretende provar, defender, atacar ou minimizar.<\/p>\n<p>H\u00e1 que estar prevenido em rela\u00e7\u00e3o a obsess\u00f5es cegas. As mais frequentes destas s\u00e3o as ideol\u00f3gicas e pol\u00edtico partid\u00e1rias. Impedem ver claro e ter liberdade interior para opinar na procura do melhor para os alunos, uma vez que s\u00e3o eles a raz\u00e3o de ser da escola.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos ter que dizer uma vez mais que estamos num campo dif\u00edcil e que se torna ainda mais quando se multiplicam os decretos e portarias, que quem tem que os interpretar e cumprir diz que est\u00e3o fora do contexto em que se vive e trabalha. Assim se provoca em quem depende directamente do Estado, direc\u00e7\u00f5es executivas e sobretudo professores, desmotiva\u00e7\u00e3o, apatia, desinteresse e, por vezes, mesmo revolta. H\u00e1 sempre v\u00edtimas deste estado de alma, de quem est\u00e1 na escola para ensinar e educar. <\/p>\n<p>Uma opini\u00e3o repetida at\u00e9 ao massacre de quem \u00e9 leg\u00edtimo esperar melhor reflex\u00e3o &#8211; penso em Vital Moreira, que julgo que seja um democrata consciente e consequente, \u00e9 defender, \u00e0 revelia da realidade e da hist\u00f3ria, uma coisa que j\u00e1 nem se discute em pa\u00edses libertos de ideologias redutoras, de que em Portugal s\u00f3 tem sentido a escola p\u00fablica. E diz, escandalizado, n\u00e3o se conceber que, \u201chavendo falta de dinheiro para investir na escola p\u00fablica, o Estado desperdice tanto dinheiro com a manuten\u00e7\u00e3o abusiva de \u201ccontratos de associa\u00e7\u00e3o\u201d. Ora a verdade \u00e9 que os contratos de associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o menos onerosos para o Estado e at\u00e9 podem ser, em muitos meios do pa\u00eds, o primeiro passo para uma escolha da escola, tal como o exige a liberdade democr\u00e1tica. O caminho democr\u00e1tico j\u00e1 nem vai por a\u00ed, como se o contrato de associa\u00e7\u00e3o fosse uma excep\u00e7\u00e3o por raz\u00e3o de uma escola supletiva, mas mostra como s\u00f3 um ensino generalizado, pago pelo Estado, como \u00e9 \u00f3bvio, \u00e9 garantia de direitos leg\u00edtimos. Quando a\u00ed chegarmos, todos beneficiar\u00e3o e a democracia estar\u00e1 a ser tomada a s\u00e9rio. Ent\u00e3o, ser\u00e1 mais importante para o pa\u00eds que o governo fa\u00e7a acordos com cl\u00ednicas privadas para praticarem abortos, do que, no campo escolar, os fa\u00e7a com entidades que proporcionam a todos os que frequentam as suas escolas, um ensino mais qualificado e que \u00e9 est\u00edmulo para todos? <\/p>\n<p>O Estado democr\u00e1tico tem de considerar todo o ensino v\u00e1lido como um servi\u00e7o p\u00fablico, independentemente de quem o ministra, desde que o fa\u00e7a segundo as exig\u00eancias legais, mas com espa\u00e7o de liberdade sadia, para poder inovar nas mat\u00e9rias, nos conte\u00fados program\u00e1ticos e nas estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas. Afinal, o que o Minist\u00e9rio est\u00e1 a procurar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia, com grande esperan\u00e7a de \u00eaxito da ministra da tutela, para j\u00e1 apenas numa centena de escolas, n\u00e3o \u00e9 uma c\u00f3pia do que se faz, desde sempre, nas escolas privadas s\u00e9rias, t\u00e3o atacadas e menosprezada pelo governo e seus ide\u00f3logos?<\/p>\n<p>Outra obsess\u00e3o \u00e9 da pr\u00f3pria ministra que, incompreensivelmente, mete todas as escolas no mesmo saco, ao dizer que no ensino privado h\u00e1 melhores resultados porque as escolas podem escolher os alunos e no estatal n\u00e3o. Mas a senhora ministra sabe que isso n\u00e3o \u00e9 verdade em todos os casos. At\u00e9 acontece que, por determina\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio, h\u00e1 escolas privadas em zonas pobres, que s\u00e3o proibidas de receber os alunos que as procuram e que os pais desejam. Ou a verdade toda ou, ent\u00e3o, a confiss\u00e3o de fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Acabe-se tamb\u00e9m com a hist\u00f3ria de que todo o \u00eaxito da escola est\u00e1 na classe social dos pais. E, ent\u00e3o, nada a ver com os professores, o clima interno da escola, as normas da comunidade educativa, os est\u00edmulos pessoais e as exig\u00eancias de trabalho, postas a quem tem de dar contas e de se preparar para uma vida cada dia mais dif\u00edcil e exigente?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema da escola continua na baila e isso prova que o pa\u00eds est\u00e1 preocupado. Afunilou no ensino estatal e no privado e \u00e9 pena que assim seja, pois n\u00e3o faltam motivos ponderosos para levar mais adiante uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria sobre muitos aspectos do tema. 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