{"id":10997,"date":"2007-11-21T17:55:00","date_gmt":"2007-11-21T17:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=10997"},"modified":"2007-11-21T17:55:00","modified_gmt":"2007-11-21T17:55:00","slug":"discurso-do-papa-um-so-sentido-muitas-interpelacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/discurso-do-papa-um-so-sentido-muitas-interpelacoes\/","title":{"rendered":"Discurso do Papa, um s\u00f3 sentido, muitas interpela\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Ainda bem que o discurso do Papa aos bispos portugueses n\u00e3o passou despercebido e deu ocasi\u00e3o a muitas interpreta\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es, n\u00e3o faltando quem julgasse e pensasse que o Papa os censurou duramente e os humilhou perante os seus diocesanos, a Igreja e a sociedade. O discurso est\u00e1 publicado desde a primeira hora. Crist\u00e3os e agn\u00f3sticos reagiram, mais estes que os outros, e pronunciaram-se, nem sempre com crit\u00e9rios correctos de leitura e aprecia\u00e7\u00e3o, tanto sobre o Papa como sobre o seu discurso.<\/p>\n<p>Ouvido Bento XVI, achei as suas palavras oportunas e interpeladoras para o momento que vivemos. Falou-se, por l\u00e1 e por c\u00e1, na deficiente tradu\u00e7\u00e3o. Mas isso em nada impede a compreens\u00e3o e muito menos uma tradu\u00e7\u00e3o viva e coerente, feita por via de zelo, reflex\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o. Ora esta depende dos bispos em conjunto, de cada bispo com os seus colaboradores, dos crist\u00e3os acordados e dispostos a andar e a colaborar, para que a Igreja tenha sentido no presente e seja orienta\u00e7\u00e3o para o futuro dos crentes. <\/p>\n<p>Aos atentos n\u00e3o lhes passa despercebida a preocupa\u00e7\u00e3o dos bispos para que, num mundo em mudan\u00e7a cultural e ante os ataques frequentes \u00e0 Igreja e \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o pastoral, bem como \u00e0s institui\u00e7\u00f5es fundamentais da sociedade, como a fam\u00edlia e seus membros, se encontrem caminhos novos capazes de traduzir hoje para todos, de modo compreensivo e motivador, o Evangelho de sempre. No campo que \u00e9 pr\u00f3prio de cada um, com preocupa\u00e7\u00e3o id\u00eantica e iguais dificuldades se debatem muitos outros respons\u00e1veis sociais, em rela\u00e7\u00e3o aos seus objectivos. O relativismo, a preocupa\u00e7\u00e3o de nivelar por baixo, o individualismo exacerbado, a anarquia mental e moral p\u00f5em ao sabor do vento cora\u00e7\u00f5es e cabe\u00e7as, muitas casas onde vive gente s\u00e9ria, que quer acertar. <\/p>\n<p>A dificuldade de renovar a comunica\u00e7\u00e3o e de construir com seriedade e estabilidade \u00e9 da Igreja, mas tamb\u00e9m dos pais, dos educadores, dos governantes, dos comunicadores, de todos quantos servem, com ideal e sentido, as pessoas e a comunidade. <\/p>\n<p>Os bispos, no seu conjunto, sentem o desafio, n\u00e3o desistem, n\u00e3o enterram a cabe\u00e7a, n\u00e3o derivam para margens de maior facilidade. Podem n\u00e3o ver claro, mas n\u00e3o fecham os olhos, nem cedem ao mais badalado. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o apavorados com a diminui\u00e7\u00e3o dos que frequentam os templos. <\/p>\n<p>No discurso h\u00e1 advert\u00eancias e certezas para reflectir. O Papa n\u00e3o inventou, n\u00e3o ralhou, n\u00e3o se deparou com um caso raro e singular. As suas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o as da Igreja numa Europa que deixou inquinar as ra\u00edzes e perdeu o rumo. N\u00e3o s\u00e3o muitos os crentes preparados para enfrentar os desencontrados vendavais que a fustigam. <\/p>\n<p>O Vaticano II n\u00e3o est\u00e1 cumprido. A Igreja que dele recebeu uma luz singular, centrada em Jesus Cristo e na sua mensagem, \u00e9 a Igreja Comunh\u00e3o e Miss\u00e3o, com suas riquezas e consequ\u00eancias, que isto comporta. Dar consci\u00eancia aos leigos da sua dignidade, dar lugar aos seus direitos e deveres, n\u00e3o tem tido caminho f\u00e1cil. A ferrugem do tempo, que d\u00e1 pelo nome de clericalismo e tradicionalismo vazio, bem como o desequil\u00edbrio que entrou nas tarefas sacerdotais e a dispers\u00e3o de vida de muita gente, n\u00e3o t\u00eam favorecido mudan\u00e7as pastorais inadi\u00e1veis. A isso se refere muito justamente o Papa, quando fala de \u201cconstruir caminhos de comunh\u00e3o, encontrar novas formas de integra\u00e7\u00e3o na comunidade, mudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial e a mentalidade dos seus membros, em ordem a uma Igreja ao ritmo do Conc\u00edlio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a fun\u00e7\u00e3o do clero e do laicado\u201d. Assim se realizar\u00e1 na Igreja a unidade correspons\u00e1vel. A exig\u00eancia da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que o Papa sublinha e sobre a qual os bispos portugueses v\u00eam reflectindo, \u00e9 convic\u00e7\u00e3o comum de que se trata do caminho certo para evitar mais baptizados pag\u00e3os, termos mais convertidos ao Evangelho de Cristo e mais crist\u00e3os adultos que sejam rosto sereno e corajoso de uma Igreja viva e comprometida. H\u00e1 j\u00e1 caminhos andados neste rumo, mas ainda muitos a exigir potentes m\u00e1quinas de surriba, antes que se tornem vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Acalmadas as cr\u00edticas, os bispos, movidos por dever e convic\u00e7\u00e3o, mais que por emo\u00e7\u00f5es, ir\u00e3o, com outros crist\u00e3os, \u201cver, julgar e agir\u201d. H\u00e1 campo vasto em aberto.<\/p>\n<p>A viagem vem sendo longa e penosa, mas a miss\u00e3o urge e desistir n\u00e3o \u00e9 da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda bem que o discurso do Papa aos bispos portugueses n\u00e3o passou despercebido e deu ocasi\u00e3o a muitas interpreta\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es, n\u00e3o faltando quem julgasse e pensasse que o Papa os censurou duramente e os humilhou perante os seus diocesanos, a Igreja e a sociedade. O discurso est\u00e1 publicado desde a primeira hora. 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