{"id":11,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"incomodar-e-profetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/incomodar-e-profetico\/","title":{"rendered":"Incomodar \u00e9 prof\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> Surpresa! Eis como muitos sectores da vida social e pol\u00edtica portuguesa reagiram e qualificaram a \u00faltima Carta Pastoral dos Bispos portugueses. <\/p>\n<p>De um lado a surpresa e a alegria dos diversos movimentos sociais, sindicais e pol\u00edticos que se regozijaram com a atitude do episcopado de n\u00e3o virar costas ao presente momento e alertar contra \u201cos pecados sociais\u201d que, infelizmente, grassam na sociedade portuguesa actual. Pena foi que esse apoio tenha sido esbo\u00e7ado, por alguns, timidamente. Parece que h\u00e1 quem n\u00e3o se canse de lembrar o passado obscuro da Igreja \u2014 que \u00e9 pejado, como todos sabemos, de diversos momentos de incoer\u00eancia com a mensagem de Jesus \u2014 mas depois se cont\u00e9m na hora de esbo\u00e7ar um aplauso a estas interven\u00e7\u00f5es sociais da mesma Igreja.<\/p>\n<p>Por outro lado assistimos a outros sectores, dos politicamente conservadores aos economicamente neoliberais que n\u00e3o disfar\u00e7aram o seu embara\u00e7o, incr\u00e9dulos, talvez, com a ousadia das cr\u00edticas dos nossos bispos. Parece que muitos se sentiram chocados, quase tra\u00eddos, com o facto deste pronunciamento ter surgido na vig\u00eancia de um Governo formado por partidos, tradicionalmente, \u201cafectos\u201d \u00e0 Igreja.  E aqui pergunto, porqu\u00ea tanta surpresa? N\u00e3o \u00e9 verdade que a gravidade do momento que vivemos exige uma tomada de posi\u00e7\u00e3o da nossa Igreja. Que ela ficasse calada, isso sim, seria uma preocupante omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Denunciar o que est\u00e1 mal \u00e9 uma quest\u00e3o de cidadania. Cidadania que \u00e9 pilar fundamental na constru\u00e7\u00e3o da democracia e uma das maiores conquistas do 25 Abril! N\u00e3o quero exagerar ao ponto de dizer que esta Carta Pastoral dos bispos portugueses \u00e9 a mais importante desde as tomadas de posi\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes ou D. Manuel Vieira Pinto nos tempos da ditadura salazarista. Por\u00e9m, \u00e9 importante observar como os quase 30 anos de cidadania, passados sobre a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, deram ao episcopado portugu\u00eas uma tal clarivid\u00eancia!<\/p>\n<p>Defender a Paz e a Verdade \u00e9 um imperativo evang\u00e9lico. Temos que ser dignos de grandes figuras que, ao longo de 2000 anos, foram lutadores incans\u00e1veis pela justi\u00e7a e fraternidade universais: de S\u00e3o Francisco de Assis a D. \u00d3scar Romero, passando por S\u00e3o Thomas More, pelo Papa Jo\u00e3o XXIII, madre Teresa de Calcut\u00e1 ou o ainda (felizmente) vivo Pedro Casald\u00e1liga. A todos eles, e tantos outros, se devem os momentos mais bonitos de fidelidade \u00e0 Extraordin\u00e1ria Mensagem de Jesus Cristo. <\/p>\n<p>Como poderemos n\u00f3s, em Portugal, esquecer tamb\u00e9m os ensinamentos das vozes prof\u00e9ticas, e consequentemente inc\u00f3modas, de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, do Pe. Abel Varzim ou da sempre actual Maria de Lurdes Pintasilgo?<\/p>\n<p>\u00c9 nesta linha que deve ser aplaudida a Carta Pastoral dos bispos portugueses. Porque a fidelidade ao Evangelho \u00e9 an\u00fancio mas tamb\u00e9m den\u00fancia. Assim o esperam todos os pobres e injusti\u00e7ados deste mundo e assim o esperamos todos os Crist\u00e3os para quem a constru\u00e7\u00e3o de um Mundo Novo est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 mensagem de Jesus.   O Caminho \u00e9 n\u00e3o parar, at\u00e9 que todos tomemos consci\u00eancia \u201cda responsabilidade solid\u00e1ria pelo bem comum\u201d e a concretizemos no nosso dia-a-dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-11","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}