{"id":11047,"date":"2007-11-28T16:30:00","date_gmt":"2007-11-28T16:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11047"},"modified":"2007-11-28T16:30:00","modified_gmt":"2007-11-28T16:30:00","slug":"quem-fica-fora-do-caminho-da-globalizacao-e-que-fica-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-fica-fora-do-caminho-da-globalizacao-e-que-fica-pior\/","title":{"rendered":"Quem fica fora do caminho da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que fica pior"},"content":{"rendered":"<p>Jornalista, director de informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, Francisco Sarsfield Cabral esteve no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura para falar de globaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento humano, na noite de 14 de Novembro. Para o especialista em assuntos econ\u00f3micos, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel e tem mais aspectos positivos do que negativos. Aqui fica uma s\u00edntese das palavras e pensamentos de Francisco Sarsfield Cabral, na edi\u00e7\u00e3o de Novembro do F\u00f3rum::Universal.<\/p>\n<p>Palavra nova, realidade antiga<\/p>\n<p>Globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra nova (os franceses preferem falar em mundializa\u00e7\u00e3o) para uma realidade que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o nova. Os portugueses, com os Descobrimentos, de certa forma foram pioneiros. Hoje, o que mais caracteriza a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a tend\u00eancia para todas as unidades activas \u2013 empresas, organiza\u00e7\u00f5es, grupos de interesse, etc. \u2013 desenvolverem estrat\u00e9gias \u00e0 escala planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Fen\u00f3menos<\/p>\n<p>S\u00e3o fen\u00f3menos da globaliza\u00e7\u00e3o a possibilidade de ouvir uma r\u00e1dio em qualquer parte do mundo; a TV em directo de qualquer parte do mundo; a liberaliza\u00e7\u00e3o das trocas de capitais; a transfer\u00eancia de dinheiro para qualquer parte atrav\u00e9s das novas tecnologias; empresas de pequena dimens\u00e3o serem multinacionais; as redes internacionais do tr\u00e1fico de droga; o fecho de uma f\u00e1brica num pa\u00eds para a seguir abrir noutro (deslocaliza\u00e7\u00f5es)&#8230;<\/p>\n<p>Falsas cl\u00e1usulas<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, por vezes violenta, assemelha-se \u00e0 cr\u00edtica \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial (principalmente no s\u00e9c. XIX). Os grupos antiglobaliza\u00e7\u00e3o e alterglobaliza\u00e7\u00e3o servem-se de argumentos hip\u00f3critas como a cl\u00e1usula social, que diz que nos pa\u00edses emergentes, principalmente \u00cdndia e China, os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam direitos sociais, ou a cl\u00e1usula ambiental, que diz que nesses pa\u00edses n\u00e3o h\u00e1 leis de protec\u00e7\u00e3o ambiental. Ora, haver\u00e1 verdadeiramente sindicatos fortes nesses pa\u00edses e protec\u00e7\u00e3o ambiental, quando houver uma classe m\u00e9dia \u2013 e para a\u00ed se caminha com a globaliza\u00e7\u00e3o. A Coreia do Sul, que em pouco tempo passou de pa\u00eds muito pobre a pa\u00eds com uma classe m\u00e9dia muito forte, \u00e9 um exemplo. 300 a 400 milh\u00f5es de pessoas ter\u00e3o sa\u00eddo da pobreza nos \u00faltimos anos, na \u00cdndia e na China, gra\u00e7as \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ficar fora<\/p>\n<p>Quem fica fora do caminho da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que fica pior. Na \u00c1sia, h\u00e1 progressos. Na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 progressos. Na \u00c1frica, n\u00e3o. \u201cPior do que ser explorado pelo capitalismo \u00e9 n\u00e3o ser explorado sequer\u201d \u2013 dizia uma economista marxista dos anos 30 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Direito Internacional<\/p>\n<p>\u00c9 preciso evitar a globaliza\u00e7\u00e3o selvagem. Tem de haver equidade. O capital, deslocando-se facilmente, tem sido favorecido em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, que tem dificuldade em deslocar-se. \u00c9 necess\u00e1rio um refor\u00e7o do Direito Internacional, n\u00e3o sendo previs\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um Estado mundial nos pr\u00f3ximos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Fecho ao exterior<\/p>\n<p>O atraso das na\u00e7\u00f5es deve-se, em geral, ao fechamento ao exterior. A globaliza\u00e7\u00e3o significa abertura. No entanto, se for levada ao extremo, pode levar a que uma cultura seja esmagada pela outra.<\/p>\n<p>Sal\u00e1rios em baixa<\/p>\n<p>A perda de direitos \u00e9 um facto, em parte devido \u00e0 concorr\u00eancia dos pa\u00edses mais pobres. O empres\u00e1rio sem escr\u00fapulos pode procurar trabalho sem direitos. O sal\u00e1rio do trabalhador m\u00e9dio norte-americano n\u00e3o tem subido, mas o mesmo n\u00e3o se passa com o sal\u00e1rio das profiss\u00f5es ligadas \u00e0s novas tecnologias. A perda de direitos do trabalhador norte-americano amea\u00e7a ter efeitos na pol\u00edtica e pode levar a uma nova fase de proteccionismo \u2013 o que poder\u00e1 vir a ser o problema pol\u00edtico da d\u00e9cada.<\/p>\n<p>D\u00edvida externa<\/p>\n<p>Houve algum perd\u00e3o da d\u00edvida externa dos pa\u00edses sobre-endividados (geralmente africanos), mas tal s\u00f3 faz sentido mediante a responsabiliza\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 perdoado. Se um pa\u00eds decide n\u00e3o pagar a quem deve, corre o risco de perder a confian\u00e7a de quem l\u00e1 p\u00f5e dinheiro.<\/p>\n<p>Solidariedade<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade, como dizia Jo\u00e3o Paulo II. Os crist\u00e3os s\u00e3o pioneiros da globaliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 S\u00e3o Paulo dizia que \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego&#8230;\u201d Jo\u00e3o Paulo II, que foi importante na queda do comunismo, veio, a seguir, dizer que h\u00e1 muito a reformular no capitalismo. O Evangelho n\u00e3o d\u00e1 receitas, mas imp\u00f5e uma atitude: a da n\u00e3o resigna\u00e7\u00e3o; a de aten\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima sess\u00e3o<\/p>\n<p>10 de Dezembro<\/p>\n<p>O Natal de todas <\/p>\n<p>as noites<\/p>\n<p>Com Jo\u00e3o Abrunhosa, presidente da Comunidade <\/p>\n<p>Vida e Paz<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II e a globaliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>(Extracto dos textos fornecidos pelo conferencista e oferecidos pelo CUFC aos participantes na sess\u00e3o do F\u00f3rum::Universal)<\/p>\n<p>\u00abHoje, est\u00e1-se a verificar a denominada \u2018mundializa\u00e7\u00e3o da economia\u2019, fen\u00f3meno este que n\u00e3o deve ser desprezado, porque pode criar ocasi\u00f5es extraordin\u00e1rias de maior bem-estar. Mas \u00e9 sentida uma necessidade cada vez maior de que a esta crescente internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia correspondam v\u00e1lidos organismos internacionais de controlo e orienta\u00e7\u00e3o, que encaminhem a economia para o bem comum, j\u00e1 que nenhum Estado por si s\u00f3, ainda que fosse o mais poderoso da terra, seria capaz de o fazer\u00bb.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, Centesimus Annus 58, 1991<\/p>\n<p>\u00abO desafio \u00e9 assegurar uma globaliza\u00e7\u00e3o na solidariedade, uma globaliza\u00e7\u00e3o sem marginaliza\u00e7\u00e3o. (\u2026) Poder\u00e3o todos tirar partido de um mercado global? (&#8230;) Promover o sentido de responsabilidade pelo bem comum. (\u2026) A globaliza\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ser conjugada com a solidariedade. Por isso, devem-se instituir ajudas especiais, de modo a que os pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o capazes, s\u00f3 com as suas for\u00e7as, de entrar com sucesso no mercado global possam, recorrendo a tais ajudas, superar a sua actual situa\u00e7\u00e3o de desvantagem\u00bb.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Paz (01-01-1998)<\/p>\n<p>\u00abA globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode constituir um novo tipo de colonialismo. Pelo contr\u00e1rio, deve respeitar a diversidade das culturas que, no \u00e2mbito da harmonia universal dos povos, s\u00e3o as chaves interpretativas da vida\u00bb.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, Discurso \u00e0 Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias Sociais (27-04-2001)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista, director de informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, Francisco Sarsfield Cabral esteve no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura para falar de globaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento humano, na noite de 14 de Novembro. Para o especialista em assuntos econ\u00f3micos, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel e tem mais aspectos positivos do que negativos. 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