{"id":11051,"date":"2007-11-28T16:38:00","date_gmt":"2007-11-28T16:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11051"},"modified":"2007-11-28T16:38:00","modified_gmt":"2007-11-28T16:38:00","slug":"no-rodopio-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/no-rodopio-da-vida\/","title":{"rendered":"No rodopio da vida"},"content":{"rendered":"<p>E assim vamos no ciclo do tempo. Lento, veloz, sereno, revolto. O tempo que se recicla e nos recicla. Lan\u00e7a-nos no retorno das coisas, nas repeti\u00e7\u00f5es da paisagem, do sol, da chuva, da terra, da semente, do sono outonal, do renascimento, numa teimosia de renovar e reviver dentro do mesmo espa\u00e7o e duma dura\u00e7\u00e3o que se sente mas se n\u00e3o v\u00ea. O tempo, afinal, n\u00e3o existe. Existimos n\u00f3s, que passamos, morremos continuamente para a etapa anterior e nos refrescamos no presente e no advir. Sentindo sempre que tudo \u00e9 vol\u00e1til, passageiro, aparentemente insignificante. Experi\u00eancias, descobertas, emo\u00e7\u00f5es, com o rodar do tempo esvaem-se, envelhecem, parecem sem sentido.<\/p>\n<p>E, todavia, a esperan\u00e7a que sempre emerge mesmo das mortes, dos outonos, das sementeiras profundas, das \u00e1rvores desnudadas e tristes, reaviva-nos irresistivelmente. De tal modo que a morte continua a ser visceralmente repugnante. Temos sempre preparado o alerta m\u00e1ximo para qualquer amea\u00e7a pr\u00f3xima ou distante. Mesmo com a f\u00e9 pronta para en-tender a ressurrei\u00e7\u00e3o e a eternidade, sempre extra\u00edmos de cada breve momento a seiva plena como se fora um composto de eternidade. Foi Deus quem nos plantou na alma este instinto de eterno, que ultrapassa o nosso racioc\u00ednio e mesmo as formula\u00e7\u00f5es da nossa f\u00e9. Est\u00e1 no \u00e2mago do homem. Com a vinda de Jesus, cada pequeno gesto em torno da \u00e1rvore da vida ganhou um significado novo. N\u00e3o se trata duma arma\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, mas da certeza \u00edntima de que Ele remiu todos os segundos do tempo e da eternidade e, por isso, tudo ganha uma interpreta\u00e7\u00e3o transcendente. Olhamos, assim, de outro modo para as Esta\u00e7\u00f5es, a natureza, o pr\u00f3ximo e o long\u00ednquo, a tempestade e o tom primaveril que sempre irrompe das tardes mais cinzentas. O fim do ano lit\u00fargico, a coroa de todos os gestos de reden\u00e7\u00e3o, a esperan\u00e7a do renascimento no esbo\u00e7ar dum advento intemporal mas prenhe da hist\u00f3ria redentora de Jesus. Assim nos apercebemos que o Natal \u00e9 muito mais que uma soma de objectos trocados. \u00c9 o grande jogo do afecto pela vida nos seus diferentes tons. \u00c9 uma liturgia, uma par\u00e1bola, uma hist\u00f3ria mais que m\u00e1gica. Real. Com a estrela, os magos, o canto dos anjos, o Menino reclinado, a humanidade em festa porque redimida. Seja em que tom for, este hino de Deus no meio dos homens nunca pode deixar de ser repetido. Mesmo que o Natal pare\u00e7a mais um ciclo com menos imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E assim vamos no ciclo do tempo. Lento, veloz, sereno, revolto. O tempo que se recicla e nos recicla. Lan\u00e7a-nos no retorno das coisas, nas repeti\u00e7\u00f5es da paisagem, do sol, da chuva, da terra, da semente, do sono outonal, do renascimento, numa teimosia de renovar e reviver dentro do mesmo espa\u00e7o e duma dura\u00e7\u00e3o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}