{"id":11054,"date":"2007-11-28T16:43:00","date_gmt":"2007-11-28T16:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11054"},"modified":"2007-11-28T16:43:00","modified_gmt":"2007-11-28T16:43:00","slug":"novo-estilo-de-organizacao-renovar-ou-reformar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/novo-estilo-de-organizacao-renovar-ou-reformar\/","title":{"rendered":"Novo estilo de organiza\u00e7\u00e3o: Renovar ou reformar?"},"content":{"rendered":"<p>Numa palavra de ordem \u00e0 Igreja em Portugal, o Papa assinalou a necessidade de mudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial e a mentalidade dos seus membros. S\u00f3 assim, acrescenta, a Igreja poder\u00e1 caminhar ao ritmo do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p>Esta recomenda\u00e7\u00e3o vem muito a prop\u00f3sito e com marcas de urg\u00eancia. Teremos de nos interrogar se este objectivo se procura por reformas ou por um processo de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um facto que a Igreja, em alguns campos e aspectos, n\u00e3o se desprendeu ainda de formas e de estruturas que hoje mais dificultam a circula\u00e7\u00e3o da vida que a favorecem. As estruturas s\u00e3o um servi\u00e7o \u00e0 vida das pessoas e das comunidades. Por isso mesmo, s\u00e3o, por sua natureza, avaliadas periodicamente e substitu\u00eddas ou renovadas, quando deixam de servir os objectivos desejados.<\/p>\n<p>A Igreja est\u00e1, em nome do Deus em que acredita e da Mensagem que lhe foi confiada, ao servi\u00e7o das pessoas, construindo comunidades, animadas pela gra\u00e7a de os seus membros se sentirem uma fam\u00edlia nova de filhos e de irm\u00e3os. Quando a vida das pessoas muda ou as mudan\u00e7as sociais d\u00e3o origem a novas culturas, nas quais se alteram valores, crit\u00e9rios e modelos de vida, logo tem de sur-gir a interroga\u00e7\u00e3o sobre os novos caminhos a abrir e percorrer para melhor se poder servir. De outro modo, a Igreja fica fora do tempo e come\u00e7a a funcionar e a gastar as suas melhores energias em fun\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3pria e n\u00e3o daqueles aos quais \u00e9 enviada. Fica assim em causa a sua condi\u00e7\u00e3o de servidora do Evangelho de Cristo, uma Boa Nova nunca esgotada, nem envelhecida, e sempre necess\u00e1ria, para que as pessoas vivam e comuniquem segundo a dignidade que lhes \u00e9 pr\u00f3pria e, pelas rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, exer\u00e7am o seu protagonismo de construtores respons\u00e1veis de uma sociedade humanizada e fraterna.<\/p>\n<p>S\u00e9culos houve em que, no aspecto religioso, o campo invadiu a cidade e a\u00ed assentou arraiais com formas de vida e de ac\u00e7\u00e3o eminentemente rurais. As par\u00f3quias s\u00e3o estruturas rurais na sua origem e medievais na sua \u00f3ptica e concep\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Numa sociedade est\u00e1tica, na qual a cidade n\u00e3o era sen\u00e3o um campo alargado onde vivia um maior n\u00famero de gente rural, a estrutura territorial ajudava a coes\u00e3o por via da delimita\u00e7\u00e3o de fronteiras e da concretiza\u00e7\u00e3o de tarefas religiosas. Os leigos em geral n\u00e3o eram mais que membros passivos da Igreja que dela recebiam a Palavra e os Sacramentos. A eles mais n\u00e3o se pedia que a ajuda material. <\/p>\n<p>De depressa, por motivos rid\u00edculos, se foram gerando bairrismos e conflitos. Muitos destes ainda perduram sens\u00edveis a formas novas que se pretendam implementar. <\/p>\n<p>Pela explos\u00e3o das ordens religiosas, ao tempo com clero mais abundante e preparado, foram surgindo no tecido religioso alguns quistos, que n\u00e3o favoreceram e ainda hoje nem sempre favorecem a renova\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n<p>O mundo das pessoas mudou nas suas express\u00f5es, objectivos e relacionamentos e as fronteiras territoriais amoleceram, no sentido da coes\u00e3o e at\u00e9 da express\u00e3o comunit\u00e1ria. O urbanismo, como pensamento e express\u00e3o de vida, invadiu o que restava de mundo rural. A mobilidade cresceu pelas mais diversas raz\u00f5es e \u00e9 hoje express\u00e3o normal da vida de muita gente. Democratizaram-se a vida p\u00fablica e os regimes pol\u00edticos, a escola e as rela\u00e7\u00f5es pessoais; alteraram-se os valores tradicionais e multiplicaram-se as fontes de informa\u00e7\u00e3o, com manifesta influ\u00eancia nos ideais de vida e nos comportamentos pessoais e colectivos. De repente, tudo mudou. Por\u00e9m, algumas estruturas eclesi\u00e1sticas, nomeadamente as par\u00f3quias, mas n\u00e3o s\u00f3, perduram neste s\u00e9culo XXI, embora com algumas reformas, com o colorido de formas estruturais de s\u00e9culos long\u00ednquos. A palavra de ordem passou, por isso mesmo, a ser outra: Tempos novos, novas formas de ac\u00e7\u00e3o pastoral e de express\u00e3o apost\u00f3lica. <\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o, que vai continuar, pretende ser uma ajuda operativa ao apelo do Papa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa palavra de ordem \u00e0 Igreja em Portugal, o Papa assinalou a necessidade de mudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial e a mentalidade dos seus membros. S\u00f3 assim, acrescenta, a Igreja poder\u00e1 caminhar ao ritmo do Conc\u00edlio Vaticano II. Esta recomenda\u00e7\u00e3o vem muito a prop\u00f3sito e com marcas de urg\u00eancia. 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