{"id":11109,"date":"2007-12-06T17:03:00","date_gmt":"2007-12-06T17:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11109"},"modified":"2007-12-06T17:03:00","modified_gmt":"2007-12-06T17:03:00","slug":"vi-e-vivi-coisas-que-nunca-imaginei-e-nem-da-para-contar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vi-e-vivi-coisas-que-nunca-imaginei-e-nem-da-para-contar\/","title":{"rendered":"&#8220;Vi e vivi coisas que nunca imaginei e nem d\u00e1 para contar!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ana Laura Guedes, volunt\u00e1ria do SDAM, de Aveiro, est\u00e1 em Miss\u00e3o desde Janeiro de 2007 em Lwena, Angola. Coordena a Escola de D. Bosco.<\/p>\n<p>Tenho-me esquecido de fazer o \u201capanhado\u201d dos tempos c\u00e1! Estranho? Esquisito? Talvez seja sinal de que tudo correu bem, que o tempo passou r\u00e1pido de mais, que tive muitas coisas para fazer&#8230; E tive mesmo! Tantas tradu\u00e7\u00f5es do \u201cportunhol\u201d e de \u201cportuliano\u201d para Portugu\u00eas; e de temas que eu \u201cdomino lindamente\u201d, como sejam, Hist\u00f3ria de Arte ou Abelhas! Tantas provas finais para elaborar e centenas para corrigir! Tantas coisas ao mesmo tempo que cheguei a desejar n\u00e3o ser portuguesa! \u00c9 que estou em minoria aqui! Depois, acabei por me rir sozinha do disparate de pensamento que tive&#8230;<\/p>\n<p>Mas, tirando isto da l\u00edngua materna (que vergonha!), tive momentos de muita felicidade. Vi e vivi coisas que nunca imaginei e nem d\u00e1 para contar!<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios da vida angolana<\/p>\n<p>Fui com a Equipa M\u00f3vel a duas aldeias pr\u00f3ximas (Chisuly e Moachimbo) para ver, de perto, como funciona a forma\u00e7\u00e3o de professores no local mais rec\u00f4ndito do mundo. Fiquei encantada com todo o ambiente que h\u00e1 entre os formadores (tr\u00eas jovens) e os alunos (alguns j\u00e1 professores e outros ainda candidatos). Tamb\u00e9m deu para poder ver o n\u00edvel dos \u201calunos\u201d e ficar mais animada para continuar a fazer os programas para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Na antev\u00e9spera dos meus anos, recebi uma encomenda de Portugal com algumas coisas muito \u00fateis e preciosas, mas, sobretudo, com umas cartitas e umas fotos que me trouxeram mimos. O jantar foi melhorado, no dia 6 de Outubro. E muito animado!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho feito de motorista, tanto na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o como na de Sa\u00fade. <\/p>\n<p>Nas viagens que fa\u00e7o com Tio Paulino (enfermeiro e com uma pr\u00f3tese numa das pernas, por causa de um acidente com uma bomba), h\u00e1 sempre muitas conversas agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Participei num encontro dos formandos de Chisuly e Moachimbo, aqui no Centro Juvenil de Lwena. Como admiro esta gente! As horas que andam a p\u00e9 para irem a qualquer lado! Apesar das dist\u00e2ncias enormes, estavam quase todos e muito bem dispostos e participativos; falaram das provas que ser\u00e3o no princ\u00edpio de Novembro.<\/p>\n<p>Pass\u00e1mos alguns momentos menos bons dentro da nossa casa: um susto com a Lorena, que, sem saber como, se picou com a seringa de um b\u00e9b\u00e9 que estava a tratar. Foi um s\u00e1bado \u00e0 tarde de muito sufoco, at\u00e9 conseguirmos ter a medica\u00e7\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o para HIV&#8230;<\/p>\n<p>Viagem ao interior<\/p>\n<p>O meu trabalho \u00e9 sobretudo em Lwena, mas, depois de uns dias a pensar, resolvi aceitar um desafio do Pe. Martin: fazer a viagem ao mato, por quatro dias! Os mission\u00e1rios iam tentar encontrar aldeias que h\u00e1 mais de 20 anos nenhum mission\u00e1rio visitava.<\/p>\n<p>Sabia que n\u00e3o devia ser f\u00e1cil a jornada. Foi uma maravilha! Fiquei meia \u201catordoada\u201d com tanta beleza natural mas, sobretudo, com tanta maravilha humana!<\/p>\n<p>No primeiro dia, para chegarmos a uma aldeia que fica a cerca de 200 km, tivemos de andar 10 horas. A estrada, em alguns s\u00edtios, n\u00e3o existia; mas, quem j\u00e1 conhece bem a regi\u00e3o, dizia que \u00edamos pela estrada certa e l\u00e1 continu\u00e1vamos. Apesar do nosso atraso, estava a aldeia toda \u00e0 nossa espera, com c\u00e2nticos e muita felicidade. Al\u00e9m do Padre, ia uma equipa de Educa\u00e7\u00e3o (Equipa M\u00f3vel de Ensino Rural) e uma da Sa\u00fade, para a vacina\u00e7\u00e3o. D\u00e1 para apaixonar qualquer pessoa! <\/p>\n<p>Fico impressionada: o carinho com que nos recebem, tudo de melhor que t\u00eam para oferecer, a \u201ccasa\u201d que disponibilizam para passarmos a noite, a limpeza e beleza de toda a aldeia&#8230;<\/p>\n<p>Pensei muitas vezes que n\u00e3o estava mesmo a passar por aquilo tudo. Era como estar sentada numa cadeira, num parque de divers\u00f5es, e ter a sensa\u00e7\u00e3o de ver passar tudo \u00e0 frente. Mas, com uma \u00e1rvore atravessada no caminho a impossibilitar a passagem dos jipes, dava para \u201cacordar\u201d e sair, mais para ver do que para ajudar os homens de machado na m\u00e3o a cortar a \u00e1rvore ou a ligarem o guincho para a tirarem do caminho. <\/p>\n<p>Depois da chuva torrencial, acompanhada de rel\u00e2mpagos que iluminavam por completo a densa mata, t\u00ednhamos que fazer uma fogueira para aquecer um pouco de \u00e1gua para o ch\u00e1 ou caf\u00e9, para acompanhar um p\u00e3o com atum&#8230;<\/p>\n<p>E foi assim todos os dias. Horas para chegar a uma aldeia. Qual delas a mais bonita na sua simplicidade e harmonia!? Sachimbanda, Sassikola, onde inaugur\u00e1mos uma capela, Makondolo, onde s\u00f3 no dia seguinte  deu para ver a Igreja que foi inaugurada e \u00e9 de Sto. Ant\u00f3nio. Depois da Missa, com fita cortada e tudo, seguimos viagem para Sassungo, onde estivemos reunidos com o soba (chefe da comunidade) e representantes das outras igrejas existentes, a falar dos problemas da gente.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns no meio da selva<\/p>\n<p>Depois, mata dentro, andamos duas horas e meia, sem saber bem onde as rodas dos jipes passavam, mas, acreditando no nosso guia, rumo a Sayotana. Acab\u00e1mos por voltar para tr\u00e1s, porque era tarde de mais para se chegar onde quer que fosse. Numa \u00fanica paragem que fizemos, combinamos, \u00e0 meia-noite, cantarmos juntos, com o outro jipe, via r\u00e1dio, os Parab\u00e9ns ao Pe. Martin, que fazia anos. S\u00f3 \u00e0 meia-noite e vinte \u00e9 que se conseguiram ligar, mas foi um momento lindo e comovente! Regress\u00e1mos para Sachindamba, onde dever\u00edamos apanhar os dois professores do Ensino Rural que tinham ficado l\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o. Perto das 2h, parou-se; e&#8230; era para dormir ali. Cada um arranjou o seu s\u00edtio e eu fiquei no carro com a Pilar. Bem cedo, madrugada, comecei a ouvir vozes perto de n\u00f3s. E, para meu espanto, uma, duas caras conhecidas&#8230; Como \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Tinha-as deixado na v\u00e9spera, muitas horas de viagem atr\u00e1s&#8230; S\u00f3 podiam ser parecidas&#8230; Afinal n\u00e3o! Era mesmo o Pascoal e a Sabina, que vieram da aldeia deles, que \u201cficava ali\u201d (e apontavam para uma imensa floresta naquela direc\u00e7\u00e3o e onde, pelos vistos, no meio, havia espa\u00e7o para a aldeia deles, onde t\u00ednhamos estado). E s\u00f3 quando apareceu o \u00d3scar \u00e9 que me apercebi que t\u00ednhamos chegado mesmo a Sachindamba! Sem estar previsto no \u201cprograma\u201d, celebrou-se Missa; e no fim arrancamos com Lwena como destino. Uma primeira paragem para \u201ctestar\u201d uma ponte por onde t\u00ednhamos que passar e lavar a cara com a \u00e1gua do rio&#8230; Numa segunda paragem, horas depois, para aquecer \u00e1gua e cozer um esparguete com o resto do atum; e foi sempre a andar, at\u00e9 chegarmos \u00e0 cidade. Era dia de festa e o festejado merecia tudo (e esse tudo era pouco) o que lhe tinham preparado. Foi motorista, serrador de troncos, Padre para todas as ocasi\u00f5es e sempre um grande companheiro, este mission\u00e1rio a todo-o-terreno!<\/p>\n<p>Para terminar, estive e estou t\u00e3o bem que&#8230; estive ilegal uns dias, por me ter esquecido de pedir a prorroga\u00e7\u00e3o do visto, que n\u00e3o \u00e9 ainda de resid\u00eancia. De m\u00eas e meio em m\u00eas e meio, l\u00e1 temos que o renovar! N\u00e3o estava tratado e fiquei ilegal\u2026 Mas quem anda por bem resolve as situa\u00e7\u00f5es sem desistir!<\/p>\n<p>J\u00e1 foi contornada a situa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Ana Laura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Laura Guedes, volunt\u00e1ria do SDAM, de Aveiro, est\u00e1 em Miss\u00e3o desde Janeiro de 2007 em Lwena, Angola. Coordena a Escola de D. Bosco. Tenho-me esquecido de fazer o \u201capanhado\u201d dos tempos c\u00e1! Estranho? Esquisito? 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