{"id":11116,"date":"2007-12-06T17:36:00","date_gmt":"2007-12-06T17:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11116"},"modified":"2007-12-06T17:36:00","modified_gmt":"2007-12-06T17:36:00","slug":"paroquia-uma-estrutura-a-pedir-renovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paroquia-uma-estrutura-a-pedir-renovacao\/","title":{"rendered":"Par\u00f3quia, uma estrutura a pedir renova\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Vou partir da par\u00f3quia para que a recomenda\u00e7\u00e3o do Papa seja melhor compreendida.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia, que \u00e9 ainda uma institui\u00e7\u00e3o importante na Igreja, tornou-se uma realidade muito diferenciada e complexa. No meio urbano, ela mostra que falar de limites de territ\u00f3rio \u00e9 estar fora do tempo. Nos meios de transi\u00e7\u00e3o e de mobilidade, por raz\u00f5es de trabalho e outras, ela perde identidade. Nos meios rurais desertificados, \u00e9 uma mem\u00f3ria sem sonhos nem projectos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dezenas de anos, as dioceses com muitos padres criavam par\u00f3quias para os ocupar. N\u00e3o se pensava em ajudar outras que os n\u00e3o tinham. Ir para as miss\u00f5es implicava sair da diocese e o padre dizia ao bispo que se ordenara para a sua diocese e n\u00e3o para outras.<\/p>\n<p>Nos meios urbanos, a crescer demograficamente, a solu\u00e7\u00e3o mais normal foi criar novas par\u00f3quias, sem uma reflex\u00e3o que as tornasse operativas j\u00e1 no tempo que corria. Nasciam com o destino tra\u00e7ado de serem o que outras sempre foram, com alguma cosm\u00e9tica de imagina\u00e7\u00e3o e cheiro de juventude. Mas, por vezes, j\u00e1 nasceram velhas.<\/p>\n<p>Se a solu\u00e7\u00e3o de \u201cum novo estilo de organiza\u00e7\u00e3o\u201d come\u00e7ar pela par\u00f3quia, o diagn\u00f3stico da realidade \u00e9 t\u00e3o simples, como inconsequente. Neste pa\u00eds de dois palmos, h\u00e1 zonas populacionais onde faltam par\u00f3quias, zonas onde elas abundam, apesar de mortas, zonas interm\u00e9dias, em que nem se sabe bem quem s\u00e3o os paroquianos. O resto pouco conta.<\/p>\n<p>As \u00faltimas sondagens \u00e0 pr\u00e1tica dominical mostram que, mesmo em zonas n\u00e3o urbanas, a igreja da par\u00f3quia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o para alguns paroquianos ainda residentes.<\/p>\n<p>Exig\u00eancias can\u00f3nicas e planos pastorais da Diocese passam at\u00e9 agora pelas par\u00f3quias. Por\u00e9m, em muitos casos, n\u00e3o passam de facto. A ferrugem do tempo sedimentou formas de individualismo pastoral, hoje sem qualquer futuro. A mobilidade, ainda que apenas verificada e lamentada, gera crist\u00e3os que, se ainda cumprem o preceito dominical, n\u00e3o t\u00eam qualquer v\u00ednculo comunit\u00e1rio. N\u00e3o se sentem bem na sua par\u00f3quia da resid\u00eancia, porque n\u00e3o v\u00e3o l\u00e1. N\u00e3o s\u00e3o da par\u00f3quia ou da igreja onde v\u00e3o, dos religiosos ou outra, porque n\u00e3o residem l\u00e1 e n\u00e3o querem nada que os prenda. Apenas la\u00e7os de amizade pessoal ou mesmo nenhuns. Numa Igreja, Povo de Deus e Comunh\u00e3o respons\u00e1vel, isto n\u00e3o chega.<\/p>\n<p>Muitas par\u00f3quias j\u00e1 s\u00e3o pouco mais que inst\u00e2ncias can\u00f3nicas obrigat\u00f3rias para actos de jurisdi\u00e7\u00e3o paroquial: baptizados, comunh\u00f5es solenes, confirma\u00e7\u00f5es, processos de casamento, funerais\u2026 Mesmo assim, o sistema de licen\u00e7as pagas para transfer\u00eancias e de excep\u00e7\u00f5es aceites para lugares especiais, como col\u00e9gios e santu\u00e1rios, debilita ou mata a vida comunit\u00e1ria ainda poss\u00edvel, e deixa as pessoas, no presente e para o futuro, sem ra\u00edzes e refer\u00eancias vis\u00edveis e sens\u00edveis. O anonimato nunca responsabiliza.<\/p>\n<p>Deste modo, torna-se dif\u00edcil a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de adultos, continuada e diferenciada. Quando as par\u00f3quias, e s\u00e3o muitas, pouco ou nada oferecem de v\u00e1lido neste campo, os que n\u00e3o se resignam a ser apenas crist\u00e3os rotineiros e ignorantes procuram noutros espa\u00e7os eclesiais o alimento da sua f\u00e9 e do seu compromisso apost\u00f3lico. Ser\u00e1 este o caminho? Em tempo de reflex\u00e3o e de procura n\u00e3o se pode excluir nenhuma hip\u00f3tese v\u00e1lida.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia estar\u00e1 ent\u00e3o condenada a desaparecer? As institui\u00e7\u00f5es seguem as leis da vida. Renovar n\u00e3o \u00e9 matar, sem mais, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 ced\u00eancia, de modo habitual e acr\u00edtico, a situa\u00e7\u00f5es que empatam e impedem uma renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e urgente. <\/p>\n<p>Onde se justifica a par\u00f3quia, e justifica-se ainda em muitos casos, ela e o seu respons\u00e1vel devem ter consci\u00eancia de que, por mais apetrechados que estejam, necessitam de integra\u00e7\u00e3o complementar em novas formas e espa\u00e7os pastorais, que melhor sirvam a vida e potenciem a ac\u00e7\u00e3o da Igreja. Estruturas interm\u00e9dias alargadas tornaram-se necess\u00e1rias, porque a vida e as rela\u00e7\u00f5es das pessoas passam-se em espa\u00e7os novos e abertos. Equipas eclesiais arciprestais e vicariais, unidades pastorais comunit\u00e1rias, novos modos de servir e assistir os fi\u00e9is, podem e devem ser caminho renovador.  <\/p>\n<p>Se for s\u00f3 o clero a procurar este caminho, depressa ele se tornar\u00e1 velho. Os leigos s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as que interpelam a Igreja. Sofrem-nas mais. H\u00e1 que ouvi-los, interrogar-se em comum, e decidir solidariamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou partir da par\u00f3quia para que a recomenda\u00e7\u00e3o do Papa seja melhor compreendida. A par\u00f3quia, que \u00e9 ainda uma institui\u00e7\u00e3o importante na Igreja, tornou-se uma realidade muito diferenciada e complexa. No meio urbano, ela mostra que falar de limites de territ\u00f3rio \u00e9 estar fora do tempo. Nos meios de transi\u00e7\u00e3o e de mobilidade, por raz\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11116\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}