{"id":11130,"date":"2007-12-12T10:26:00","date_gmt":"2007-12-12T10:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11130"},"modified":"2007-12-12T10:26:00","modified_gmt":"2007-12-12T10:26:00","slug":"veiros-inaugurou-museu-de-arte-sacra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/veiros-inaugurou-museu-de-arte-sacra\/","title":{"rendered":"Veiros inaugurou museu de Arte Sacra"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEstimar, guardar, conservar o que os nossos antepassados nos deixaram \u00e9 um dever, mesmo que isto custe dinheiro. Penso que o povo de Veiros se deve orgulhar pelo que tem como patrim\u00f3nio que nos deixaram os nossos antepassados\u201d, afirmou Pe Jos\u00e9 Henriques da Silva, na inaugura\u00e7\u00e3o do museu de Arte Sacra de Veiros, no dia 25 de Novembro.<\/p>\n<p>O Museu Padre Jos\u00e9 Henriques da Silva \u2013 assim se chama o museu, por insist\u00eancia dos paroquianos, apesar da resist\u00eancia do p\u00e1roco (entretanto o Pe Jos\u00e9 Henriques saiu de Veiros e assumiu a paroquialidade o Pe Tom\u00e1s Afonso) \u2013 re\u00fane pinturas, alfaias lit\u00fargicas, imagens, paramentos, entre outras pe\u00e7as de valor art\u00edstico, religioso, cultural e hist\u00f3rico. Entre as pe\u00e7as de grande valor art\u00edstico, est\u00e1 um quadro de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, do s\u00e9c. XVII, que quase ia parar ao lixo (ver texto em caixa). J\u00e1 o \u201cRol dos Confessados\u201d, um conjunto de livros onde se registava quem se confessava e comungava cada ano, e que foram descobertos quando se reparavam uns arm\u00e1rios, tem grande valor cultural e hist\u00f3rico. \u201cEstes livros \u2013 afirmou Pe Jos\u00e9 Henriques durante a inaugura\u00e7\u00e3o \u2013, para quem quer fazer um estudo sobre as popula\u00e7\u00f5es de cada freguesia tem um interesse muito grande. Como no s\u00e9c. XIX toda a gente nas aldeias se confessava e comungava uma vez no ano, estes dados s\u00e3o muito rigorosos sobre a popula\u00e7\u00e3o. Tem no fim um apanhado geral de quantas pessoas havia em cada terra\u201d.<\/p>\n<p>Parte das pe\u00e7as em exposi\u00e7\u00e3o foram alvo da interven\u00e7\u00e3o de Catarina Silva. Durante alguns anos, esta especialista dedicou-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e restauro. O museu acolhe ainda pe\u00e7as como um orat\u00f3rio e uma c\u00f3moda, que \u201cn\u00e3o estavam a ser aproveitadas em casa de particulares\u201d. \u201cEsperamos que v\u00e1rios outros objectos possam ser vistos no museu, oferecidos por particulares\u201d, afirmou Pe Jos\u00e9 Henriques.<\/p>\n<p>O museu tem como curador Victor Bandeira, que \u201cdesde a primeira hora se empenhou, quer no cortejo para angaria\u00e7\u00e3o de fundos em que afinal todo o povo participou e foi muito generoso, quer nos trabalhos que se foram fazendo\u201d, afirmou o antigo p\u00e1roco de Veiros. Victor Bandeira, jovem licenciado em Biologia, tem ainda outra miss\u00e3o em m\u00e3os: continuar e concluir o invent\u00e1rio, isto \u00e9, fotografar, medir, apontar caracter\u00edsticas, etc., das pe\u00e7as que est\u00e3o na igreja e nas capelas da freguesia.<\/p>\n<p>O museu, funcionando nas divis\u00f5es anexas \u00e0 igreja matriz, custou cerca de 20 mil euros. Parte desse dinheiro foi angariado atrav\u00e9s de um cortejo, em Agosto de 2004, que mobilizou os veirenses e rendeu mais de 8 mil euros. Os principais gastos, at\u00e9 agora, foram na recupera\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as (13 mil euros), nas obras (2 500 euros) e no mobili\u00e1rio para expor os objectos (1 700 euros).<\/p>\n<p>O Museu dever\u00e1 estar aberto duas vezes por m\u00eas, em hor\u00e1rio que ser\u00e1 anunciado em breve, mas Victor Bandeira presta-se a mostr\u00e1-lo desde que se combine previamente a visita. Durante os dias em que se encontrar aberto, o Museu ter\u00e1 sempre algo diferente para ver, conforme afirmou o curador ao Correio do Vouga: \u201cProcurar-se-\u00e1 ter sempre uma novidade para expor, a fim de criar uma certa apet\u00eancia a todos quando queiram visit\u00e1-lo com alguma regularidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se p\u00f5e nada para o lixo\u201d<\/p>\n<p>\u00abQuando no ano 2000 tomei conta da par\u00f3quia de Veiros, encontrei dentro de uma caixa 9 ex-votos do Senhor da Ribeira. Como eram de madeira, verifiquei que alguns estavam cheios de bicho, que ia destruindo, quer a madeira, quer a pintura. Alguns apresentavam mesmo uma grande quantidade de farinha \u00e0 volta, sinal de que o bicho estava em franca actividade. Havia v\u00e1rias outras coisas, como os casti\u00e7ais que apresentavam tamb\u00e9m o mesmo estado de destrui\u00e7\u00e3o pelo bicho. Aparecia tamb\u00e9m um quadro encaixilhado, mas n\u00e3o se sabia se a tela tinha alguma coisa, em virtude do p\u00f3 se ter acumulado ao longo de v\u00e1rios s\u00e9culos. Havia um outro caixilho que parecia ser de um outro quadro, mas n\u00e3o havia vest\u00edgio de haver mais nenhuma tela. Fomos perguntando se mais ningu\u00e9m sabia da pintura do outro caixilho. Disseram que talvez a Sr.\u00aa Armanda soubesse onde estava. Uns tempos antes, quando se andava a fazer limpeza, apareceu uma esp\u00e9cie de serapilheira enrolada, partida aos bocados. Ainda algu\u00e9m disse para se p\u00f4r ao lixo. Foi mesmo a Sr.\u00aa Armanda que disse para quem fez a pergunta: \u201cN\u00e3o se p\u00f5e nada para o lixo\u201d. A dita serapilheira era a tela do caixilho a que fiz refer\u00eancia acima. Passados dias apareceu. \u00c9 um quadro bel\u00edssimo de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, que deve ser do s\u00e9c. XVII, tendo \u00e0 volta de 300 anos. Por pouco que ia mesmo para o lixo.<\/p>\n<p>Havia um Menino Jesus com uma perna partida. Era necess\u00e1rio lev\u00e1-lo ao \u201cortopedista\u201d, por causa da dita perna partida. Mas o \u201cortopedista\u201d, que tamb\u00e9m era \u201ccostureiro\u201d descobriu que por debaixo de uma roupa de mau gosto, de cor vermelha, j\u00e1 muito desbotada, havia uma outra roupa e esta era dourada, tendo al\u00e9m disso pun\u00e7\u00f5es variadas. Quando descobrimos que o Menino era dourado, tratamos de lhe tirar a roupa velha para poder cantar-se: \u201cO meu Menino \u00e9 d\u2019ouro\u201d\u2026 Foi de facto com uma pin\u00e7a, que aos bocadinhos, se lhe tirou a roupa de mau gosto\u2026\u00bb<\/p>\n<p>Excerto das palavras proferidas pelo Pe Jos\u00e9 Henriques da Silva, a quando a inaugura\u00e7\u00e3o do Museu de Veiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstimar, guardar, conservar o que os nossos antepassados nos deixaram \u00e9 um dever, mesmo que isto custe dinheiro. 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