{"id":11175,"date":"2007-12-12T12:14:00","date_gmt":"2007-12-12T12:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11175"},"modified":"2007-12-12T12:14:00","modified_gmt":"2007-12-12T12:14:00","slug":"o-dia-mundial-da-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-dia-mundial-da-televisao\/","title":{"rendered":"O dia mundial da televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 treze anos, a ONU proclamou o dia 21 de Novembro como o Dia Mundial da Televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2003, o ent\u00e3o Secret\u00e1rio-Geral da ONU, Kofi Annan dizia que \u201cvivemos cada vez mais numa mesma sociedade da informa\u00e7\u00e3o, na era da aldeia global, na qual a televis\u00e3o, o nosso meio de comunica\u00e7\u00e3o mais poderoso, \u00e9 um elemento fundamental\u201d.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o televisiva pode ser considerado globalmente positivo. De facto, a televis\u00e3o tem sido uma ferramenta de desenvolvimento. Hoje entra-nos pela casa dentro e faz-nos descobrir o mundo que nos rodeia e o que temos de comum ou diferente com os outros. Permite-nos alargar horizontes e compreender as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o revolucionou as comunica\u00e7\u00f5es, influenciando tamb\u00e9m profundamente a vida familiar: Hoje, a televis\u00e3o \u00e9 uma fonte prim\u00e1ria de not\u00edcias, de informa\u00e7\u00f5es e de distrac\u00e7\u00e3o para inumer\u00e1veis fam\u00edlias, a ponto de modelar as suas atitudes e as suas opini\u00f5es, os seus valores e os prot\u00f3tipos de comportamento. <\/p>\n<p>Mas a televis\u00e3o pode, tamb\u00e9m, prejudicar a vida social e familiar; difundindo descontroladamente valores (ou falta deles) e modelos de comportamento falseados ou degradantes, divulgando pornografia e imagens de viol\u00eancia brutal; dando tempo de antena \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o e banaliza\u00e7\u00e3o do mal e do terrorismo, inculcando o relativismo e o facilitismo e a apologia da cultura do vazio e do nada; explorando at\u00e9 \u00e0 n\u00e1usea o \u201cmercado da privacidade\u201d; transmitindo publicidade explorat\u00f3ria ligada aos mais cretinos instintos; exaltando falsas vis\u00f5es da vida que impedem a autua\u00e7\u00e3o do respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Em Portugal e com as guerras das audi\u00eancias, \u00e9 cada vez mais d\u00e9bil a liga\u00e7\u00e3o entre o sucesso de mercado e a \u00e9tica na comunica\u00e7\u00e3o audio-visual. Com honrosas excep\u00e7\u00f5es, a televis\u00e3o teima em espremer, at\u00e9 aos ossos da alma, os sentimentos das pessoas. Uma esp\u00e9cie de nacionaliza\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>Para se compreender este uniformismo castrador, basta dar um ou dois exemplos: o espa\u00e7o reservado \u00e0s telenovelas \u00e9 absolutamente injustificado e pateticamente perigoso. H\u00e1 dias, resolvi fazer a \u201ccontabilidade hor\u00e1ria\u201d das novelas: entre as 14 horas e as 2 horas da madrugada, dois dos canais generalistas emitiram treze (!) telenovelas, correspondendo igualmente a treze (!) horas de emiss\u00e3o. Mais de 50% de antena!<\/p>\n<p>Se a isto juntarmos os pastel\u00f5es dos notici\u00e1rios (que chegam a ter noventa minutos de dura\u00e7\u00e3o), com alinhamentos anacr\u00f3nicos, o futebol e seus bastidores divulgados at\u00e9 \u00e0 n\u00e1usea mesmo para quem gosta deste desporto (que \u00e9 o meu caso), e uns concursos que, na maioria, s\u00e3o um atestado de estupidifica\u00e7\u00e3o dos portugueses, o que resta? Quase nada!&#8230;<\/p>\n<p>Por isso, torna-se cada vez mais imperativo que, no desempenho das suas pr\u00f3prias responsabilidades, a ind\u00fastria da televis\u00e3o desenvolva e observe um s\u00f3lido e saud\u00e1vel c\u00f3digo de \u00e9tica. Os canais de televis\u00e3o, geridos pela ind\u00fastria da televis\u00e3o p\u00fablica ou privada, s\u00e3o um instrumento p\u00fablico ao servi\u00e7o do bem comum; n\u00e3o s\u00e3o somente um terreno marcado por interesses comerciais ou um instrumento de poder econ\u00f3mico ou pol\u00edtico. <\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 que potenciar, respeitar e valorizar o papel e a influ\u00eancia das associa\u00e7\u00f5es de espectadores, como express\u00e3o adequada da sociedade civil.<\/p>\n<p>Recordo uma das reflex\u00f5es que li h\u00e1 anos sobre esta efem\u00e9ride, e que, em tom caricatural, nos faz reflectir sobre a for\u00e7a que a sociedade ainda (pode) ter: \u201cO dia mundial da televis\u00e3o \u00e9 uma excelente oportunidade para a manter desligada durante todo o dia!\u201d <\/p>\n<p>Infelizmente, as novelas, as guerras, o mal, a viol\u00eancia, o voyeurismo t\u00eam um mercado aparentemente cada vez mais poderoso. E, se assim \u00e9, a responsabilidade \u00e9 da sociedade que consome sofregamente esta overdose televisiva. Ou seja, de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>E, ao mesmo tempo que a televis\u00e3o se torna totalizante, o livro torna-se uma express\u00e3o de resist\u00eancia \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o alienante. Um combate muito desigual\u2026Como dizia Jean Guitton, em jeito provocativo, o bom livro traduz a supremacia do esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria, ao passo que a m\u00e1 televis\u00e3o representa a vit\u00f3ria da mat\u00e9ria sobre o esp\u00edrito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 treze anos, a ONU proclamou o dia 21 de Novembro como o Dia Mundial da Televis\u00e3o. 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