{"id":11179,"date":"2007-12-12T12:19:00","date_gmt":"2007-12-12T12:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11179"},"modified":"2007-12-12T12:19:00","modified_gmt":"2007-12-12T12:19:00","slug":"conflitualidade-laboral-em-dois-patamares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/conflitualidade-laboral-em-dois-patamares\/","title":{"rendered":"Conflitualidade laboral, em dois patamares"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A sociedade portuguesa, como as outras, vive em conflitualidade permanente; mais vis\u00edvel nuns casos, e apenas latente nos outros. As manifesta\u00e7\u00f5es e as greves constituem momentos fortes da conflitualidade vis\u00edvel, enquanto o descontentamento difuso e a revolta contida figuram entre os ind\u00edcios da conflitualidade latente. Os conflitos verificam-se entre o capital e o trabalho, o Estado e a sociedade civil, a direita e a esquerda, as \u00abclasses\u00bb sociais, o norte e o sul do pa\u00eds, o litoral e o interior&#8230;<\/p>\n<p>Limitando-nos \u00e0 conflitualidade laboral, pode afirmar-se que ela consiste nas lutas entre os trabalhadores, com seus sindicatos, e as entidades patronais, com suas associa\u00e7\u00f5es. O seu patamar mais vis\u00edvel tem como objecto central as lutas relativas a sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, estabilidade no emprego, erradica\u00e7\u00e3o do desemprego&#8230;O seu \u00e2mago consiste na luta entre o capital e o trabalho; nuns casos ganha o trabalho, noutros o capital.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva de longo prazo, deparamos com o patamar dos conflitos menos vis\u00edveis; o seu \u00e2mago consiste na  luta do \u00abtecnocapital\u00bb contra o emprego; o \u00abtecnocapital\u00bb \u00e9 o \u00abvelho\u00bb capital enriquecido com o poder da ci\u00eancia, da tecnologia e da inova\u00e7\u00e3o. Com este refor\u00e7o, ele responde \u00e0s arremetidas mais fortes do trabalho, diminuindo a necessidade de trabalhadores e aumentando as taxas de desemprego.<\/p>\n<p>A luta do \u00abtecnocapital\u00bb contra o emprego aproveita e estimula o desenvolvimento tecnol\u00f3gico; e os seus efeitos devastadores poder\u00e3o atingir n\u00edveis de gravidade quase impens\u00e1veis por ora. Nesta luta, o \u00abtecnocapital\u00bb disp\u00f5e de tr\u00eas recursos poderos\u00edssimos: o aumento da produtividade, com melhor equipamento, organiza\u00e7\u00e3o condizente e menos emprego, como j\u00e1 foi referido; depois, a deslocaliza\u00e7\u00e3o de estabelecimentos produtivos para pa\u00edses com sal\u00e1rios mais baixos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho menos dignificantes; e, ainda, a venda de estabelecimentos produtivos, transferindo-se os respectivos capitais para aplica\u00e7\u00f5es  financeiras mais ou menos especulativas. <\/p>\n<p>Esta evolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 se encontra bastante generalizada, e tudo leva a admitir que se intensifique no futuro. Nela, o emprego e os trabalhadores ficam a perder; ao mesmo tempo aumentar\u00e1 o poder financeiro e nada garante que os direitos sociais possam manter-se nos n\u00edveis necess\u00e1rios. Talvez se evitasse a derrocada social, se os trabalhadores, os empres\u00e1rios e as demais entidades empenhadas na produ\u00e7\u00e3o, no emprego, no bem-estar e na justi\u00e7a social se aliassem no esfor\u00e7o de viabiliza\u00e7\u00e3o das empresas e de toda a economia, a favor do bem comum. <\/p>\n<p>Esta alian\u00e7a n\u00e3o implicaria a nega\u00e7\u00e3o de interesses divergentes de trabalhadores, de empres\u00e1rios e de outras entidades, mas corresponderia \u00e0 consci\u00eancia de que tamb\u00e9m existem interesses comuns e ao correspondente sentido de responsabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11179\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}