{"id":11192,"date":"2008-04-09T14:50:00","date_gmt":"2008-04-09T14:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11192"},"modified":"2008-04-09T14:50:00","modified_gmt":"2008-04-09T14:50:00","slug":"aliancas-e-hostilidades-traicoeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aliancas-e-hostilidades-traicoeiras\/","title":{"rendered":"Alian\u00e7as e hostilidades trai\u00e7oeiras"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A forte competitividade econ\u00f3mica, interna e externa, deu origem ao aparecimento de alian\u00e7as e hostilidades que est\u00e3o a marcar fortemente as tend\u00eancias econ\u00f3micas e sociais. N\u00e3o se trata de alian\u00e7as nem de hostilidades formalizadas; tal facto, por\u00e9m, n\u00e3o lhes retira for\u00e7a, bem pelo contr\u00e1rio, uma vez que tudo resulta de converg\u00eancias de interesses mais eficazes do que as decis\u00f5es formais.<\/p>\n<p>Uma das alian\u00e7as \u00e9 a que se observa entre os grandes grupos econ\u00f3micos e os consumidores. Tais grupos procuram manter pre\u00e7os relativamente baixos nalguns produtos, e s\u00e3o pressionados pela concorr\u00eancia e pelos  consumidores para os baixarem cada vez mais, ou aumentarem menos. Em ordem \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o deste objectivo, disp\u00f5em de um terceiro aliado de peso &#8211; o conhecimento, que resulta da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica e que \u00e9 aproveitado na inova\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Os consumidores desejam pre\u00e7os baixos e alta qualidade, os grupos econ\u00f3micos respondem-lhes com mais inova\u00e7\u00e3o, maior produtividade e, da\u00ed, com menos trabalhadores, para as mesmas produ\u00e7\u00f5es, e sal\u00e1rios mais baixos. Muito simplesmente, raciocina-se deste modo: &#8211; haver\u00e1 tanto mais vantagens, para os grandes grupos econ\u00f3micos e para os consumidores, quanto menor for o n\u00famero de postos de trabalho e mais baixos os sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esta alian\u00e7a hostiliza as empresas menos competitivas, incluindo as agr\u00edcolas, que se v\u00eaem for\u00e7adas a reduzir o n\u00famero de trabalhadores ou a \u00abfechar as portas\u00bb. Hostiliza tamb\u00e9m os trabalhadores mais \u00abdispens\u00e1veis\u00bb e que, em geral, auferem sal\u00e1rios mais baixos. Estes trabalhadores s\u00e3o, ali\u00e1s, duplamente prejudicados (em termos de emprego e de sal\u00e1rios): &#8211; s\u00e3o prejudidados enquanto v\u00edtimas directas daquela alian\u00e7a e, ao mesmo tempo, porque sofrem os efeitos que ela provoca nas empresas menos competitivas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores acha-se marcada por uma contradi\u00e7\u00e3o insan\u00e1vel, at\u00e9 agora: &#8211; na qualidade de consumidores, interessa-lhes que a competitividade baixe os pre\u00e7os dos diferentes bens; e, na qualidade de  trabalhadores, interessa-lhes que ela n\u00e3o destrua os postos de trabalho nem implique baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Existe alguma via de supera\u00e7\u00e3o destas alian\u00e7as e hostilidades? &#8211; Por ora n\u00e3o se conhece nenhuma, que seja minimamente satisfat\u00f3ria; e isto \u00e9 tanto mais preocupante quanto est\u00e3o em causa algumas quest\u00f5es nucleares relativas ao sistema econ\u00f3mico e \u00e0 pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da sociedade em condi\u00e7\u00f5es dignificantes. A \u00abalian\u00e7a\u00bb de grandes empresas, dos consumidores e do conhecimento revela uma pujan\u00e7a impressionante. Do outro lado, pelo contr\u00e1rio, existem divis\u00f5es entre os trabalhadores e as empresas menos competitivas; e existem mesmo divis\u00f5es, dentro de cada pessoa, enquanto consumidora e enquanto trabalhadora. Alguns movimentos, como o terceiro sector (\u00absem fins lucrativos\u00bb), o \u00abcom\u00e9rcio justo\u00bb, a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento e a defesa do ambiente ainda n\u00e3o atingiram a amplitude necess\u00e1ria nem se posicionaram claramente em termos de alian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11192","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11192\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}