{"id":11194,"date":"2008-04-09T14:54:00","date_gmt":"2008-04-09T14:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11194"},"modified":"2008-04-09T14:54:00","modified_gmt":"2008-04-09T14:54:00","slug":"um-pais-desencontrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-pais-desencontrado\/","title":{"rendered":"Um pa\u00eds desencontrado"},"content":{"rendered":"<p>Um pa\u00eds desencontrado da sua hist\u00f3ria, dos seus valores, dos seus projectos e capacidades, acaba por ser um pa\u00eds que se move aos encontr\u00f5es e se governa por imediatos.<\/p>\n<p>Cada dia se nos deparam contradi\u00e7\u00f5es entre o que se diz querer para o bem deste pa\u00eds e o que, de facto, se faz por ele. N\u00e3o sei se ser\u00e1 uma fatalidade, uma inconsci\u00eancia ou apenas, como \u00e9 frequente entre n\u00f3s, uma tend\u00eancia facilitadora ante os problemas em campo e a dificuldade de os equacionar e lhes dar solu\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Nos sectores alargados da justi\u00e7a, da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, da economia, da seguran\u00e7a, da humaniza\u00e7\u00e3o social e da cidadania, h\u00e1 problemas que, mesmo a olho nu, todos nos apercebemos da sua gravidade. Assim, parece-nos ver que andam por outros lados as maiores preocupa\u00e7\u00f5es de quem nos governa democraticamente.<\/p>\n<p>Prometi voltar ao tema fam\u00edlia, um problema muito grave, ao lado de outros igualmente graves e urgentes. As mudan\u00e7as sociais e culturais acabam por afectar sempre mais as institui\u00e7\u00f5es, sobretudo quando marcadas pela estabilidade natural e normal que as acompanha ao longo do tempo. Estas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o modas que passam depressa, mas algo que p\u00f5e \u00e0 prova a firmeza das ra\u00edzes e a capacidade de resist\u00eancias das pessoas afectadas. Trata-se de for\u00e7as, muitas vezes orientadas e interessadas, que s\u00e3o dif\u00edceis de controlar e muitas vezes arrasam a pr\u00f3pria fam\u00edlia, minando os seus fundamentos e rela\u00e7\u00f5es. Mas nem tudo \u00e9 mau, porque o que se est\u00e1 passando pode ter alguns aspectos positivos que fa\u00e7am reflectir as fam\u00edlias e quem luta pela sua dignifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre a fam\u00edlia foi considerada, da\u00ed a sua for\u00e7a natural e o seu valor social, como uma comunidade de vida e de amor, como c\u00e9lula fundamental da sociedade. Uma fam\u00edlia normal nasce em clima de liberdade e de responsabilidade, numa cerim\u00f3nia oficial e p\u00fablica, num contexto de festa, presentes familiares e amigos, que podem testemunhar depois a concretiza\u00e7\u00e3o deste projecto de amor e a esperan\u00e7a que dele prov\u00e9m.<\/p>\n<p>Logo, ent\u00e3o, o Estado lhe reconhece direitos e deveres e conta, a partir da\u00ed, com uma nova entidade, indispens\u00e1vel pela rede de novas rela\u00e7\u00f5es que provoca e por ser, no contexto que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, raz\u00e3o de esperan\u00e7a e garantia de futuro, fecundo e auspicioso. Assim ser\u00e1, de facto, numa fam\u00edlia a s\u00e9rio, ao contr\u00e1rio de muitas que j\u00e1 nascem mortas. <\/p>\n<p>A modernidade, a que n\u00e3o faltam aspectos positivos, exacerbou o individualismo pessoal e sublinhou os direitos individuais de modo redutor. Logo a fam\u00edlia se ressentiu deste novo clima de uma viv\u00eancia pouco respons\u00e1vel. A natalidade diminuiu vertiginosamente, n\u00e3o apenas por raz\u00f5es econ\u00f3micas, e novas formas de conviv\u00eancia foram surgindo com estabilidade nula ou muito reduzida. O direito de cada um querer ser feliz, segundo o seu agrado e vontade sem peias, de reivindicar direitos pessoais sem deveres ou com um m\u00ednimo de deveres, de proclamar, de modo unilateral, independ\u00eancia pessoal \u00e0 revelia dos que dele dependem, passou a palavra de ordem para muita gente. Ent\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que seria normal, as for\u00e7as de influ\u00eancia positiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia dispersaram-se e passaram a agir desunidas e em sinal contr\u00e1rio. O Estado corre atrav\u00e9s de leis a satisfazer gostos pessoais, a comunica\u00e7\u00e3o social aproveita-se do marasmo e atira para o p\u00fablico modelos de vida irrespons\u00e1veis, a pr\u00f3pria fam\u00edlia desnorteada embarca em esquemas de facilidade. Na pra\u00e7a p\u00fablica aparece a Igreja a dizer que o caminho n\u00e3o \u00e9 este e a proclamar, contra ventos e mar\u00e9s, que vida e amor s\u00e3o valores e projectos que v\u00e3o al\u00e9m de gostos e emo\u00e7\u00f5es fugazes.<\/p>\n<p>Em nome de um laicismo que nada tem a ver com uma laicidade correcta e com um pluralismo esclarecido e construtivo, o Estado legisla \u00e0 margem de exig\u00eancias, p\u00f5e-se do lado de quem adultera e despreza valores e princ\u00edpios, sem pensar que est\u00e1 a caminhar para a sua ru\u00edna e a arrastar no mesmo sentido muita gente. O que est\u00e1 a acontecer, por for\u00e7a de leis, em rela\u00e7\u00e3o ao casamento e \u00e0 fam\u00edlia, parece-nos de uma inconsci\u00eancia sem limites. Outros n\u00e3o pensam assim. Mas, se a fam\u00edlia tem o valor social que tem, torna-se urgente um di\u00e1logo construtivo e n\u00e3o uma toler\u00e2ncia vazia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pa\u00eds desencontrado da sua hist\u00f3ria, dos seus valores, dos seus projectos e capacidades, acaba por ser um pa\u00eds que se move aos encontr\u00f5es e se governa por imediatos. Cada dia se nos deparam contradi\u00e7\u00f5es entre o que se diz querer para o bem deste pa\u00eds e o que, de facto, se faz por ele. 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