{"id":11204,"date":"2008-05-21T18:00:00","date_gmt":"2008-05-21T18:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11204"},"modified":"2008-05-21T18:00:00","modified_gmt":"2008-05-21T18:00:00","slug":"partidos-sindicatos-movimentos-associacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/partidos-sindicatos-movimentos-associacoes\/","title":{"rendered":"Partidos, sindicatos, movimentos, associa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica levantou, no dia 25 de Abril, um problema que n\u00e3o deixou mais de ser falado nos jornais, na r\u00e1dio, na televis\u00e3o, nos encontros partid\u00e1rios e outros. Sinal de que o tema \u00e9 actual e sobre ele h\u00e1 muitas opini\u00f5es. Disse, ent\u00e3o, o Presidente do pouco interesse dos jovens pela vida pol\u00edtica. Multiplicaram-se as explica\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o t\u00eam terminado, sobretudo por parte dos partidos pol\u00edticos que vieram agora dizer n\u00fameros e afirmar que, nos grandes partidos, cinquenta por cento dos aderentes inscritos s\u00e3o jovens. <\/p>\n<p>Talvez fosse mais honesto e s\u00e9rio, em vez de se tentarem justifica\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio, pensar na gente jovem que conhecemos e interrogarmo-nos sobre o que julgamos que comanda as suas vidas, o seu mundo e os valores que a norteiam, os seus interesses e o modo como se concretiza. Ver se \u00e9 s\u00f3 a pol\u00edtica que os deixa mais ou menos insens\u00edveis, como muitos deles afirmam de si e dos seus amigos e colegas, ou se o mesmo se passa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida associativa em geral, sindicatos, movimentos v\u00e1rios e associa\u00e7\u00f5es de todo o g\u00e9nero.<\/p>\n<p>Todos os adultos falam dos jovens, normalmente sem os ouvir, e multiplicam opini\u00f5es sem confronto com o seu pensar e o seu agir. Por mim, penso que os jovens est\u00e3o mais desinteressados dos adultos e do seu mundo de interesses, que das realidades sociais fundamentais. Frequentemente, s\u00e3o cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o a esse mundo que lhes diz pouco, pelas teias que o tecem e os enredos em que se desenvolve.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos, ouvindo um dirigente sindical que lamentava, num encontro de crist\u00e3os militantes oper\u00e1rios, o pouco interesse dos jovens pela vida e pelas lutas sindicais, n\u00e3o foi dif\u00edcil chegar-se a acordo sobre algumas raz\u00f5es: o seu problema era ent\u00e3o e continua a ser o primeiro emprego e a preocupa\u00e7\u00e3o dos sindicatos andava mais na defesa dos direitos dos que j\u00e1 trabalhavam e, tamb\u00e9m, as experi\u00eancias de contactos havidos, sem que se lhes desse tempo para questionar e opinar, n\u00e3o fora de molde a criar la\u00e7os.<\/p>\n<p>Todos sabemos que os jovens, em geral, reagem \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. A afirma\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, a reac\u00e7\u00e3o a formalidades e a mundos fechados e o seu sentir pr\u00f3prio, n\u00e3o se coadunam muito com eles. Mas n\u00e3o \u00e9 assim a cem por cento. Quando vivem ou frequentam, com regularidade, ambientes que lhes ajudam a ter um sentido na vida, quando podem ser protagonistas e n\u00e3o meros s\u00fabditos de normas vindas de fora, quando t\u00eam com eles, lado a lado, adultos que os respeitam e os tomam a s\u00e9rio, os jovens aderem a movimentos din\u00e2micos e vivos, s\u00e3o criativos, descobrem em si, com a alegria, capacidades que nem imaginavam, v\u00eaem os outros com olhos novos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, muitos deles n\u00e3o s\u00e3o constantes, nem persistentes nos seus projectos e nos deveres assumidos. Cultivam os seus humores, gostam de navegar no vento, s\u00e3o propensos a ir, de vez em quando, dar uma volta, movidos por afectos imediatos. \u00c9 a normal inconst\u00e2ncia e a fragilidade da idade, que tamb\u00e9m atinge adultos de quem \u00e9 leg\u00edtimo esperar mais maturidade.<\/p>\n<p>Os movimentos e associa\u00e7\u00f5es de jovens, normalmente t\u00eam menos  estabilidade e est\u00e3o a\u00ed bem alguns adultos, pacientes e s\u00e1bios, para garantir a sequ\u00eancia dos projectos e a reflex\u00e3o, mais serena e menos emotiva, quando se torna necess\u00e1rio. Mais para ajudar a pensar, que para substituir o pensamento.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica partid\u00e1ria as coisas s\u00e3o diferentes. O contacto com jovens pol\u00edticos mostrou-me, em casos concretos, que o poder \u00e9 mais uma ambi\u00e7\u00e3o, que um servi\u00e7o. Se isto \u00e9 projecto para uns, \u00e9 enjoo para outros.<\/p>\n<p>\u00c9 errado dizer que os jovens s\u00e3o o futuro. Se n\u00e3o forem j\u00e1 valores no presente, o futuro da sociedade pouco poder\u00e1 esperar deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica levantou, no dia 25 de Abril, um problema que n\u00e3o deixou mais de ser falado nos jornais, na r\u00e1dio, na televis\u00e3o, nos encontros partid\u00e1rios e outros. Sinal de que o tema \u00e9 actual e sobre ele h\u00e1 muitas opini\u00f5es. Disse, ent\u00e3o, o Presidente do pouco interesse dos jovens pela vida pol\u00edtica. 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