{"id":11255,"date":"2008-01-03T14:59:00","date_gmt":"2008-01-03T14:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11255"},"modified":"2008-01-03T14:59:00","modified_gmt":"2008-01-03T14:59:00","slug":"os-jovens-nao-tem-paciencia-para-tantos-servicos-reunioes-propostas-a-colidir-umas-com-as-outras-em-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-jovens-nao-tem-paciencia-para-tantos-servicos-reunioes-propostas-a-colidir-umas-com-as-outras-em-tudo\/","title":{"rendered":"\u201cOs jovens n\u00e3o t\u00eam paci\u00eancia para tantos servi\u00e7os, reuni\u00f5es, propostas a colidir umas com as outras em tudo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Oliveira de Sousa, ap\u00f3s 12 anos na Pastoral Juvenil Nacional <!--more--> Manuel Oliveira de Sousa deixou o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil no dia 11 de Dezembro de 2007, ap\u00f3s 12 anos de trabalho no \u00f3rg\u00e3o dependente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa que tem como compet\u00eancia a coordena\u00e7\u00e3o do trabalho da Igreja com os jovens a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Presidente do Conselho Executivo da Escola Secund\u00e1ria Dr. Jo\u00e3o Carlos Celestino Gomes, de \u00cdlhavo, Manuel Oliveira de Sousa, que tamb\u00e9m colabora no Correio do Vouga, faz um balan\u00e7o da sua actividade e aponta algumas lacunas que n\u00e3o poder\u00e3o ser ignoradas na pastoral juvenil.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 Trabalhou 12 anos no Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, de 1995 a 11 de Dezembro de 2007, primeiro como membro da equipa e desde 2000 como director. Que balan\u00e7o faz destes 12 anos?<\/p>\n<p>MANUEL OLIVEIRA DE SOUSA &#8211; Desenvolver qualquer projecto com jovens \u00e9 sempre fascinante. Quando somos jovens, como aconteceu comigo, o fasc\u00ednio est\u00e1 na capacidade de nos ultrapassar-mos, de vencermos os obst\u00e1culos, porque estamos repletos do idealismo que nos caracteriza, a responsabilidade maior com os pares. Por\u00e9m, depois, com os anos, a maturidade inverte o percurso \u2013 com o mesmo fasc\u00ednio, na minha perspectiva; parte-se da responsabilidade para o idealismo, para o discernimento.<\/p>\n<p>Portanto, s\u00f3 ganhei! Tal como o referi quando deixei o SDPJ de Aveiro, tamb\u00e9m agora tenho uma mistura de tr\u00eas sentimentos: dever cumprido (fui at\u00e9 onde as for\u00e7as, todas as for\u00e7as, mesmo algumas de bloqueio, e o Senhor permitiram); maturidade na f\u00e9 (para mim e para os jovens com quem estive) e no\u00e7\u00e3o de que este servi\u00e7o, em Igreja e de maneira particular com os jovens, \u00e9 sempre uma sementeira maior, muito mais densa. Este terreno, \u00e0 imagem da par\u00e1bola do semeador que os sin\u00f3pticos nos apresentam, para al\u00e9m da natureza da terra, tem tamb\u00e9m, passe a compara\u00e7\u00e3o, muitos acidentes, \u00e9 muito imprevis\u00edvel! Na pastoral juvenil pouco pode ser linear e, quando o \u00e9, \u00e9-o por pouco tempo!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Afirmou num comunicado que a sua principal preocupa\u00e7\u00e3o \u201ccentrou-se na constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o entre todos\u201d. Em que se concretizou esse esfor\u00e7o? Comunh\u00e3o dos que trabalham com jovens? Foi alcan\u00e7ada? Com que iniciativas?<\/p>\n<p>Com os jovens no cora\u00e7\u00e3o (a sua forma\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o dos animadores), a principal preocupa\u00e7\u00e3o, foi dar continuidade ao excelente trabalho dos meus antecessores, centrando a aten\u00e7\u00e3o, primeira est\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o entre todos: todos de Jesus Cristo! <\/p>\n<p>As raz\u00f5es s\u00e3o simples. Primeiro, porque depois dos cinco anos sem respons\u00e1vel nacional (1990-95), o DNPJ tinha de reunir o que andava disperso (e descrente, diga-se!); depois, para desenvolver um trabalho com tanta diversidade de carismas foi preciso congregar todos na comunh\u00e3o das diversidades e sensibilidades; terceiro, por raz\u00f5es eclesiol\u00f3gicas; sendo a Igreja na Diocese, na Igreja Particular, reunir em termos nacionais implica ter no\u00e7\u00e3o precisa do que uma proposta nacional comporta no respeito por todos e por todas as Igrejas.<\/p>\n<p>Cimentado este elemento base, encet\u00e1mos esfor\u00e7os para chegar a um documento definidora da Pastoral Juvenil em Portugal (as Bases para a Pastoral Juvenil, em 2002); trabalh\u00e1mos com a alegria de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o em muitas iniciativas (Festival Nacional da Can\u00e7\u00e3o, F\u00e1tima Jovem, Jornadas Mundiais, etc); foment\u00e1mos forma\u00e7\u00e3o; constitu\u00edmos o Conselho Nacional da Pastoral Juvenil; surgiram grupos de trabalho para inventar novos itiner\u00e1rios (destacam-se o \u201cMais Dez\u201d e o \u201cGPS\u201d); demos express\u00e3o ao ecumenismo entre os jovens (F\u00f3rum Ecum\u00e9nico Jovem, sobretudo); tivemos a Cruz da Jornada Mundial em Portugal, o encontro Europeu de Taiz\u00e9 em Lisboa, etc.<\/p>\n<p>Penso que foram anos sobriamente frutuosos.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do\u00a0trabalho pastoral n\u00e3o se mede pelos sucessos, mas, se tiver de escolher um facto, acontecimento ou iniciativa mais importante, qual escolhe?<\/p>\n<p>Sem fugir \u00e0 ess\u00eancia da quest\u00e3o, o \u201cacontecimento\u201d mais marcante destes anos foi Jo\u00e3o Paulo II! Por tudo. Inaugurou um caminho que n\u00e3o terminar\u00e1. <\/p>\n<p>N\u00e3o gostaria de dar \u00e0 Igreja o que n\u00e3o \u00e9 seu \u2013 como acontece ao longo da Hist\u00f3ria com a cristianiza\u00e7\u00e3o do profano &#8211; , dizer algo como o Ano Internacional da Juventude e a inaugura\u00e7\u00e3o das Jornadas Mundiais, o que elas representam, foi uma esp\u00e9cie de \u201cMaio de 68\u201d, na perspectiva de descobrir os jovens no seio da Igreja, n\u00e3o \u00e9 correcto nem no conte\u00fado nem na forma. H\u00e1, no Minist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II com os jovens, sementes de revela\u00e7\u00e3o (no sentido mesmo apocal\u00edptico); revela\u00e7\u00e3o dos jovens que Jo\u00e3o Paulo II faz \u00e0 Igreja, sobretudo a inspira\u00e7\u00e3o que s\u00e3o os itiner\u00e1rios catequ\u00e9ticos para as Jornadas e o que delas emana para o Mundo.<\/p>\n<p>Depois tivemos o F\u00e1tima Jovem 1998! Penso que foi pendular. Marcou indelevelmente a gera\u00e7\u00e3o do Jubileu do ano 2000 e o compromisso da Confer\u00eancia Episcopal com os Jovens (recordo a carta bel\u00edssima que os nossos bispos escreveram aos Jovens!).<\/p>\n<p>Mais recentemente, o Conselho Nacional da Pastoral Juvenil.<\/p>\n<p>E qual julga ser a maior lacuna da Pastoral Juvenil nacional nestes \u00faltimos anos? <\/p>\n<p>Ainda recentemente faz\u00edamos esta reflex\u00e3o em reuni\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p>Primeira lacuna. H\u00e1 a ideia (e a pr\u00e1tica) de os jovens que perdemos! A tenta\u00e7\u00e3o da estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Os jovens, na diversidade da ac\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja, que t\u00eam contacto com Jesus Cristo de forma continuidade s\u00e3o, em Portugal, \u00e0 volta de meio milh\u00e3o (entre os 15 e os 29 anos), dos cerca de 2 milh\u00f5es que c\u00e1 residem, na express\u00e3o do estudo do IPJ, de 2006.  <\/p>\n<p>O modelo de ac\u00e7\u00e3o da Igreja n\u00e3o \u00e9 econ\u00f3mico, de ganhos e percas, \u00e9 pastoral, de an\u00fancio. <\/p>\n<p>Associada a esta preocupa\u00e7\u00e3o, como complemento, h\u00e1 ainda a outra face, o acento nos  jovens ditos \u201cfora da Igreja\u201d! <\/p>\n<p>Na minha perspectiva est\u00e3o aqui as duas maiores lacunas na ac\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja. A ideia medieval de \u201cfora\u201d e \u201cdentro\u201d n\u00e3o deve ser mote para a ac\u00e7\u00e3o da Igreja. O an\u00fancio que se faz \u00e9 cat\u00f3lico (universal, portanto). Com isto quero dizer que n\u00e3o h\u00e1 jovens dentro ou fora da Igreja. Devemos partir, em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, de S. Paulo: \u201cv\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u201d. Assim, pode e deve servir de inspira\u00e7\u00e3o para o processo evangelizador dos jovens o itiner\u00e1rio do \u201cAd gentes\u201d, uma etapa mission\u00e1ria, uma etapa catecumenal, uma etapa pastoral. Todos s\u00e3o de Cristo, independentemente da dist\u00e2ncia a que se encontram!<\/p>\n<p>Segunda lacuna. A org\u00e2nica pastoral (dos jovens).<\/p>\n<p>Os jovens n\u00e3o t\u00eam paci\u00eancia, nem a juventude tempo, para tantos servi\u00e7os, reuni\u00f5es, propostas a colidir umas com as outras em tudo: no conte\u00fado, nos destinat\u00e1rios, nos dinamizadores. Todos se esgotam a fazer o mesmo e sem resultado para al\u00e9m de pequenos momentos de sobreviv\u00eancia factual.<\/p>\n<p>A riqueza da Igreja est\u00e1 na diversidade, mas essa n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de dispers\u00e3o inconsequente.<\/p>\n<p>Coloca-se em causa a organiza\u00e7\u00e3o administrativa da Igreja (fala-se muito das par\u00f3quias e da revis\u00e3o dessas). Estou de acordo. Por\u00e9m, tudo parece objecto de reflex\u00e3o por reac\u00e7\u00e3o (\u00e0 falta de sacerdotes, por exemplo) e n\u00e3o uma proposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Terceira lacuna. \u00c9 imposs\u00edvel trabalhar na pastoral juvenil nacional se n\u00e3o h\u00e1 fundamento eclesiol\u00f3gico para esse servi\u00e7o e, a agravar, sem um plano nacional assumido transversalmente. Pouco vale dizer que estamos preocupados com os jovens, se ainda pensamos que s\u00f3 o h\u00e1bito identifica o monge. A Igreja \u00e9 j\u00e1 um desconhecido entre os jovens. Portanto, quem melhor se organiza e identifica, tem mais hip\u00f3teses de apresentar uma proposta cred\u00edvel.<\/p>\n<p>Quarta lacuna. Os jovens ainda s\u00e3o um inc\u00f3modo e n\u00e3o a ess\u00eancia da ac\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja. Est\u00e1 ali a alegria, a sedu\u00e7\u00e3o, a criatividade, que faz a Igreja atraente. O modelo cultural que as sociedades adoptaram nestes tempos \u00e9 o da eterniza\u00e7\u00e3o da juventude. N\u00f3s temos esse tesouro em grande dep\u00f3sito, apenas temos de o assumir na integridade. Todas as comunidades que centram a sua ac\u00e7\u00e3o nos jovens t\u00eam tudo, mesmo propostas sedutoras para os que est\u00e3o \u201cfora\u201d \u2013 com todas as aspas \u2013 porque esses tamb\u00e9m t\u00eam salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas lacunas s\u00e3o as minhas tamb\u00e9m, s\u00e3o o que gostaria de ter feito.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos tempos ter-se-\u00e1 de trabalhar na organiza\u00e7\u00e3o de um direct\u00f3rio nacional ou no plano. Sou defensor ac\u00e9rrimo da m\u00e1xima de que ningu\u00e9m d\u00e1 o que n\u00e3o tem ou nem sabe que existe! H\u00e1 menos disponibilidades, menos voca\u00e7\u00f5es\u2026 temos de nos organizar ainda melhor na forma, no conte\u00fado e na ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os jovens de 1995 s\u00e3o diferentes dos de 2007? Em qu\u00ea?<\/p>\n<p>S\u00e3o totalmente outros. De forma intercruzada na mobilidade, na concentra\u00e7\u00e3o e na comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a urbaniza\u00e7\u00e3o da cultura, as ideias e as pessoas circulam muito mais r\u00e1pido para todo o lado. Ningu\u00e9m est\u00e1 muito tempo em lado nenhum, tudo \u00e9 m\u00f3vel, at\u00e9 os telefones!<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o tem um duplo sentido. Por um lado, por consequ\u00eancia da mobilidade, podem juntar-se muitos no mesmo s\u00edtio por causa nenhuma, s\u00f3 porque apetece. Por outro lado, a reflex\u00e3o, a pondera\u00e7\u00e3o, a abstrac\u00e7\u00e3o s\u00e3o diferentes, mais pragm\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 o reflexo das duas anteriores. Por\u00e9m, note-se a grande facilidade para intuir, para as novas linguagens, para novos modelos de conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Oliveira de Sousa, ap\u00f3s 12 anos na Pastoral Juvenil Nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-11255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}