{"id":11260,"date":"2008-01-03T15:09:00","date_gmt":"2008-01-03T15:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11260"},"modified":"2008-01-03T15:09:00","modified_gmt":"2008-01-03T15:09:00","slug":"lima-vidal-pedagogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/lima-vidal-pedagogo\/","title":{"rendered":"Lima Vidal, pedagogo"},"content":{"rendered":"<p>Completam-se no dia 5 de Janeiro 50 anos sobre a morte de D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, Bispo de Aveiro entre 1938 e 1958.<\/p>\n<p>Neste texto do Pe Doutor Filipe Rocha, publicado em 1996, real\u00e7a-se a faceta de pedagogo do bispo que restaurou a Diocese de Aveiro e a liderou nas duas primeira d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>No presente projecto, pretendemos colocar-nos do ponto de vista dos educadores. \u00c9 nossa inten\u00e7\u00e3o recordar (e analisar) o pensamento pedag\u00f3gico de conhecidas ( e recentes) personagens aveirenses: para j\u00e1, Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, Homem-Christo (pai) e Jaime de Magalh\u00e3es Lima. Ser\u00e1 um modesto contributo para que os nomes destes ilustres aveirenses n\u00e3o se percam no olvido da hist\u00f3ria, mas permane\u00e7am no cora\u00e7\u00e3o de uma cultura e de uma cidade que eles tanto amaram. (\u2026)<\/p>\n<p>Lima Vidal \u2013 de seu nome completo Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal &#8211; nasceu em Aveiro a 2 de Abril de 1874 e faleceu na mesma cidade em 5 de Janeiro de 1958.<\/p>\n<p>Possuidor de uma personalidade extremamente rica e multifacetada, foi, deveras, marcado pelo ambiente natural e humano da regi\u00e3o que o viu nascer. Ao longo da vida, entregou-se a grandes causas que considerava os seus amores (\u00e0 terra natal, aos deserdados da fortuna, \u00e1s quest\u00f5es sociais, \u00e1s criancinhas sobretudo as mais abandonadas, \u00e0 Igreja com sua vida interna e projec\u00e7\u00e3o externa, \u00e1s dioceses que governou &#8230;).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disto ( e muito mais!), Lima Vidal amava profundamente a sabedoria, ou seja, um amplo leque de conhecimentos que ajudem a viver a vida em profundidade e lhe confiram um sentido pessoal duradoiro. \u00c9 disso que vamos tratar seguidamente. \u00c0 laia de abertura, por\u00e9m, pod\u00edamos tudo resumir no coment\u00e1rio que ele mesmo teceu a um vers\u00edculo da B\u00edblia: \u201cSine fictione didici, et sine invidia comnunico\u201d ( Aprender com sinceridade, ensinar sem inveja). E explica:<\/p>\n<p>\u201c N\u00e3o aprende com sinceridade, isto \u00e9, pelo puro amor do saber, aquele cujos principais cuidados e mais altos ideais n\u00e3o s\u00e3o precisamente ouvir com aten\u00e7\u00e3o os mestres e entrar com profundidade na intelig\u00eancia dos livros (&#8230;); n\u00e3o aprende com sinceridade aquele que, ao lan\u00e7ar-se ao estudo, j\u00e1 leva o firme prop\u00f3sito de encontrar nele a confirma\u00e7\u00e3o dos seus erros ou das suas doutrinas, que \u00e9 capaz de for\u00e7ar a raz\u00e3o, de a apertar numa forma, para a adaptar, \u00e0 for\u00e7a, \u00e0s suas preconcebidas idealiza\u00e7\u00f5es (&#8230;); n\u00e3o aprende com sinceridade aquele para quem a sabedoria \u00e9 s\u00f3 um ar de encher um bal\u00e3o, de estender um monco pelo peito abaixo, de abrir \u00e0 cauda um insolente leque(&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>Ensinar sem inveja: \u201cO avarento, em vez de espalhar \u00e0 sua volta, em benef\u00edcio de todos, os dobr\u00f5es escondidos do seu tesouro, ainda inveja o que os outros t\u00eam e o que ele mais quereria era que, num caix\u00e3o, enterrado \u00e0 raiz de uma \u00e1rvore, a chave dele nas suas m\u00e3os, todo o bem do mundo se concentrasse a dormir e a apodrecer. Ele se sentaria sobre essa campa como um rei de lodo a escorrer no p\u00e2ntano (&#8230;). A luz da verdade, quando entra por algum orif\u00edcio na escurid\u00e3o, \u00e9 para entrar por ele em todas as escurid\u00f5es; n\u00e3o \u00e9 para ficar escondida debaixo de algum alguidar, \u00e9 para subir aos telhados de maneira que todos possam ver e ao seu esplendor alegrar-se\u201d.<\/p>\n<p>Eis um espelho onde pode ver-se, em contra-luz, a alma de Lima Vidal! <\/p>\n<p>(\u2026) A Diocese de Aveiro, que havia sido extinta em 1881-82 \u201cpor inconfessados motivos de ordem pol\u00edtica (mais) do que propriamente por considera\u00e7\u00f5es ou imperativos de ordem religiosa\u201d, \u2013 um dos tristes frutos da uni\u00e3o da Igreja e do Estado! \u2013 foi restaurada por Pio XI em 1938, sendo Lima Vidal nomeado seu Administrador Apost\u00f3lico e, mais tarde (1940), Bispo residencial. Tamb\u00e9m aqui foi preciso come\u00e7ar muitas coisas (quase) a partir do zero; e, mais uma vez, foram postos \u00e0 prova a clarivid\u00eancia, o arrojo e tenacidade de Lima Vidal: organizou a c\u00faria diocesana, participou nas negocia\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 Concordata e ao Acordo Mission\u00e1rio (1940), incentivou Congressos Eucar\u00edsticos (Vagos, Anadia, Estarreja, \u00c1gueda, Sever do Vouga), reestruturou a vida religiosa na diocese (S\u00ednodo Diocesano, 1944), socorreu os desfavorecidos da fortuna (Florinhas do Vouga), promoveu semanas de Estudos Pastorais e Sociais, etc.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a sua preocupa\u00e7\u00e3o maior era a forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes e consequentemente a cria\u00e7\u00e3o de Semin\u00e1rios. Estes estiveram sempre no caminho de Lima Vidal. Quando ainda em Coimbra, havia ele escrito: \u201cO Semin\u00e1rio tem qualquer coisa de grave e de majestoso, de divino, que surpreende ao primeiro encontro os atrasos da alma, nos transporta acima das nossas tenta\u00e7\u00f5es e dos nossos defeitos; os pulm\u00f5es sentem-se bem com o ar puro e tranquilo que se respira dentro dos seus muros (&#8230;). O Semin\u00e1rio \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de uma diocese, e o cora\u00e7\u00e3o todos sabem que \u00e9 o grande \u00f3rg\u00e3o da vida\u201d (16).<\/p>\n<p>No ano lectivo de 1938-39, j\u00e1 n\u00e3o havia tempo de preparar quanto se torna minimamente necess\u00e1rio para uma institui\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero; no ano seguinte, come\u00e7ou a funcionar, em edif\u00edcios alugados, o Semin\u00e1rio de Preparat\u00f3rios. A sess\u00e3o solene de abertura teve lugar a 8 de Outubro de 1939. J\u00e1 nessa data Lima Vidal tinha preparado um Regulamento Provis\u00f3rio. Nele se estabelecem (\u2026)<\/p>\n<p>Descendo \u00e0 praxis vivida nos Semin\u00e1rios criados ou fortemente estruturados por Lima Vidal, diremos que a preocupa\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, nos seus alunos, de personalidades humanas evolu\u00eddas dentro da perspectiva de uma mundivid\u00eancia crist\u00e3. E nem se estranhe que falemos em personalidades evolu\u00eddas: \u00e9 que se parte do princ\u00edpio fundamental de que a mensagem crist\u00e3, designadamente a evang\u00e9lica, constitui uma luz que aponta linhas de rumo tamb\u00e9m para os nossos dias.<\/p>\n<p>Filipe Rocha, in \u201cPedagogos Aveirenses, Lima Vidal\u201d, 1996<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Completam-se no dia 5 de Janeiro 50 anos sobre a morte de D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, Bispo de Aveiro entre 1938 e 1958. Neste texto do Pe Doutor Filipe Rocha, publicado em 1996, real\u00e7a-se a faceta de pedagogo do bispo que restaurou a Diocese de Aveiro e a liderou nas duas primeira d\u00e9cadas. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-11260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}