{"id":11326,"date":"2008-01-09T16:56:00","date_gmt":"2008-01-09T16:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11326"},"modified":"2008-01-09T16:56:00","modified_gmt":"2008-01-09T16:56:00","slug":"cabazes-do-nosso-egoismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cabazes-do-nosso-egoismo\/","title":{"rendered":"&#8220;Cabazes&#8221; do nosso ego\u00edsmo?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Acha-se muito difundida a pr\u00e1tica de distribui\u00e7\u00e3o de \u00abcabazes de Natal\u00bb \u00e0s fam\u00edlias mais necessitadas. Muito difundida se encontra tamb\u00e9m a cr\u00edtica a esta pr\u00e1tica; critica-se o facto de ela s\u00f3 existir no Natal e de n\u00e3o actuar nas causas dos problemas sociais, mantendo os pobres na depend\u00eancia de d\u00e1divas assistenciais. As cr\u00edticas mais virulentas chegam at\u00e9 ao ponto de considerar que as pr\u00e1ticas assistenciais, exemplificadas nos \u00abcabazes de Natal\u00bb, servem exactamente para manter a injusti\u00e7a social, preservando os interesses das classes dominantes que, na melhor das hip\u00f3teses, d\u00e3o por \u00abesmola\u00bb o que \u00e9 devido por justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Estas cr\u00edticas s\u00e3o, geralmente, incorrectas. Na verdade, a presta\u00e7\u00e3o de ajudas \u00e0s pessoas mais necessitadas verifica-se ao longo de todo o ano; as confer\u00eancias vicentinas, os grupos C\u00e1ritas e tantos outros s\u00e3o exemplos eloquentes de tal esfor\u00e7o permanente, que os bancos alimentares contra a fome vieram refor\u00e7ar, e at\u00e9 qualificar. \u00c9 tamb\u00e9m not\u00e1vel o trabalho realizado para que os pobres deixem de o ser, e ultrapassem as situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia; os mesmos grupos de volunt\u00e1rios, os centros sociais paroquiais, as miseric\u00f3rdias e in\u00fameras outras institui\u00e7\u00f5es ilustram diariamente o labor destinado \u00e0 supera\u00e7\u00e3o e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o daquelas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que devemos salientar este enorme trabalho social, imp\u00f5e-se-nos reconhecer que ele ainda se encontra num est\u00e1dio correspondente \u00e0 ac\u00e7\u00e3o assistencial da Idade M\u00e9dia. Esta ac\u00e7\u00e3o foi not\u00e1vel, sem d\u00favida, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para os dias de hoje, sob pena de, ao contr\u00e1rio dos nossos antepassados desse tempo, n\u00e3o estarmos \u00e0 altura das responsabilidades actuais. Em termos de objectivos, imp\u00f5e-se completar a assist\u00eancia social com a promo\u00e7\u00e3o e com o desenvolvimento: a promo\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 se vem realizando em par-te, consiste basicamente no processo de passagem da depend\u00eancia para a autonomia, atrav\u00e9s do trabalho ou de presta\u00e7\u00f5es sociais regulares; o desenvolvimento consiste, simplificadamente, na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para se evitarem situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e para se superarem as que existem.<\/p>\n<p>Em termos de actividades recomend\u00e1veis, tamb\u00e9m se podem assinalar-se tr\u00eas, fundamentalmente: a an\u00e1lise, a coopera\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o: a an\u00e1lise consiste na aprecia\u00e7\u00e3o dos problemas sociais existentes em cada localidade, e na defini\u00e7\u00e3o de linhas orientadoras para as respectivas solu\u00e7\u00f5es; a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 o relacionamento com as pessoas necessitadas, traduzido na presta\u00e7\u00e3o de apoios e no respeito pela iniciativa de cada uma na  procura das solu\u00e7\u00f5es; a  interven\u00e7\u00e3o respeita \u00e0 actua\u00e7\u00e3o junto de outras entidades p\u00fablicas ou privadas, sempre que tal seja indispens\u00e1vel. <\/p>\n<p>Parecendo simples conjugar a ac\u00e7\u00e3o assistencial com as de promo\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, n\u00e3o abundam as respectivas  pr\u00e1ticas. Nota-se mesmo uma certa apatia face aos imperativos de promo\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. At\u00e9 se esquece que, h\u00e1 pelo menos quarenta anos atrav\u00e9s da enc\u00edclica \u00abPopulorum Progressio\u00bb, foram apontadas orienta\u00e7\u00f5es bastante claras nesta direc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11326","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11326\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}