{"id":11347,"date":"2008-01-16T16:17:00","date_gmt":"2008-01-16T16:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11347"},"modified":"2008-01-16T16:17:00","modified_gmt":"2008-01-16T16:17:00","slug":"o-diacono-testemunha-e-guia-da-caridade-e-da-justica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-diacono-testemunha-e-guia-da-caridade-e-da-justica-2\/","title":{"rendered":"O di\u00e1cono, testemunha e guia da caridade e da justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Os di\u00e1conos permanentes da Diocese de Aveiro re\u00fanem-se no Semin\u00e1rio de Santa Joana, no dia 22 de Janeiro (Dia de S. Vicente e dos di\u00e1conos permanentes), para, entre outros assuntos, debaterem as conclus\u00f5es do II Simp\u00f3sio nacional, que decorreu em F\u00e1tima, tendo como tema \u201cO Di\u00e1cono, Testemunha e Guia da Caridade e da Justi\u00e7a\u201d, nos dias 30 de Novembro e 1 de Dezembro de 2007. O Pe Georgino Rocha acompanhou o Simp\u00f3sio e elaborou uma s\u00edntese que o Correio do Vouga agora retoma nas suas principais afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aspectos da Teologia <\/p>\n<p>do minist\u00e9rio diaconal<\/p>\n<p>(\u2026) \u201c\u00c9 preciso reflectir e aprofundar o ser diaconal com um sacramento da dimens\u00e3o servidora da Igreja a favor do povo de Deus, naquilo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio em seu agir diaco-nal\u201d. Nem agente pastoral promovido como suplente do presb\u00edtero em momentos de \u00abcongestionamento\u00bb pastoral, nem cl\u00e9rigo de segunda \u00e0 espera do que h\u00e1-de fazer ou \u201cmendigando licen\u00e7as\u201d para o desempenho das fun\u00e7\u00f5es que o bispo diocesano lhe confia. O exerc\u00edcio destas fun\u00e7\u00f5es deve fazer-se sempre em comunh\u00e3o com os agentes pastorais, sobretudo os do minist\u00e9rio ordenado, designadamente se est\u00e3o ao servi\u00e7o da mesma comunidade: par\u00f3quia, unidade pastoral ou outra. <\/p>\n<p>A gra\u00e7a sacramental da ordena\u00e7\u00e3o confere-lhe um car\u00e1cter especial, quer \u00e0 sua pessoa, quer ao seu minist\u00e9rio, consagra uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que plasma a sua identidade na Igreja de Cristo.<\/p>\n<p>Por op\u00e7\u00e3o do II Simp\u00f3sio, a reflex\u00e3o sobre este minist\u00e9rio est\u00e1 polarizada na caridade e na justi\u00e7a e na fun\u00e7\u00e3o do di\u00e1cono como testemunha e guia. \u00c9 um minist\u00e9rio que d\u00e1 forma ao rosto e express\u00e3o ao agir da Igreja serva num mundo de pobres. Est\u00e1 em sintonia com a afirma\u00e7\u00e3o do Vaticano II: a pobreza e a fraternidade constituem a gl\u00f3ria e o testemunho da Igreja (GS 88). A miss\u00e3o dos di\u00e1conos \u2013 \u201csinceros na caridade, sol\u00edcitos para com os pobres e fracos, humildes no servi\u00e7o\u201d, segundo o Pontifical da Ordena\u00e7\u00e3o \u2013 tem pleno cabimento. As novas fronteiras da pobreza alargam os horizontes da sua interven\u00e7\u00e3o e real\u00e7am a urg\u00eancia da sua ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Di\u00e1conos com um cora\u00e7\u00e3o grande para amar e servir a todos e por todos sofrerem. Di\u00e1conos que vivem o seu minist\u00e9rio como testemunho vocacional. Di\u00e1conos que, conscientes das limita\u00e7\u00f5es, aceitam os riscos que todo o compromisso comporta e se afirmam pela capacidade de saber propor, despertando e formando outros crist\u00e3os para o servi\u00e7o volunt\u00e1rio em todas as suas especifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Perspectivas de futuro<\/p>\n<p>Tendo em conta a tem\u00e1tica e interpela\u00e7\u00f5es deste II Simp\u00f3sio e ouvindo os \u201cecos\u201d que muitos di\u00e1conos foram emitindo, ouso propor uma s\u00e9rie de perspectivas que podem ajudar a configurar o futuro do diaconado em Portugal. Enuncio apenas algumas:<\/p>\n<p>1) Suscitar e animar uma vis\u00e3o ampla e fundamentada do minist\u00e9rio diaconal tanto no ser como no agir da Igreja mist\u00e9rio de comunh\u00e3o e sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o. A ministerialidade da Igreja necessita de ser reavaliada na pr\u00e1tica pastoral \u2013 o que exige articula\u00e7\u00e3o entre a compreens\u00e3o da Igreja como corpo de Cristo, templo do Esp\u00edrito e povo de Deus. Como corpo acentua a organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica; como templo destaca a multiplicidade de gra\u00e7as e carismas; como povo de Deus privilegia o amor do Pai que a todos irmana na dignidade de filhos. <\/p>\n<p>2) Apreciar o que une e o que diversifica o minist\u00e9rio diaconal \u2013 fruto da ordena\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o can\u00f3nica atribu\u00edda \u2013 do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros e dos bispos, cultivando a espiritualidade da comunh\u00e3o hier\u00e1rquica. Em que consiste a singularidade do seu minist\u00e9rio numa Igreja a necessitar sempre de renova\u00e7\u00e3o e num minist\u00e9rio ordenado carecido de revigoramento e de reequil\u00edbrio? \u00c9 not\u00f3ria a necessidade de \u201cdescongestionamento\u201d pastoral e da reorganiza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os na Igreja. <\/p>\n<p>A mensagem de Bento XVI aos nossos Bispos na recente \u201cvisita ad sacra limina\u201d \u00e9 bem expressiva e interpelante. Tudo continuar\u00e1 na mesma, sem uma s\u00e9ria e fundamentada convers\u00e3o \u00e0 eclesiologia da comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis da configura\u00e7\u00e3o eclesial. <\/p>\n<p>3) Articular, em jeito de sinfonia, o minist\u00e9rio diaconal com as fun\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os feitos por leigos, sobretudo quando lhes \u00e9 atribu\u00eddo o cuidado pastoral de comunidades: cooperar em servi\u00e7os que envolvam o exerc\u00edcio de jurisdi\u00e7\u00e3o (c\u00e2n. 129 &#038; 2); confiar uma par\u00f3quia a um di\u00e1cono ou a outra pessoa que n\u00e3o tenha o car\u00e1cter sacerdotal ou a uma comunidade, embora a actividade pastoral seja dirigida por um presb\u00edtero, com as faculdades de p\u00e1roco (c\u00e2n. 517 &#038; 2). <\/p>\n<p>4) Cuidar mais a selec\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, tanto inicial como cont\u00ednua, de modo a surgir um perfil correspondente ao diaconado que o magist\u00e9rio \u2013 int\u00e9rprete das exig\u00eancias da Igreja e das interpela\u00e7\u00f5es da sociedade \u2013 define e prescreve. O tema deste II Simp\u00f3sio \u00e9 deveras expressivo e exige mais concretiza\u00e7\u00e3o e aprofundamento.<\/p>\n<p>5) Destacar tanto na forma\u00e7\u00e3o como no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio o pensamento social crist\u00e3o ou a doutrina social da Igreja com os respectivos princ\u00edpios de reflex\u00e3o, normas para julgar e directrizes para a ac\u00e7\u00e3o (OA 4). A mudan\u00e7a cultural em curso repercute-se profundamente em todos os \u00e2mbitos da vida e carece de uma profunda evangeliza\u00e7\u00e3o. As interven\u00e7\u00f5es no Simp\u00f3sio, na sua pluralidade de tons e sons, s\u00e3o esclarecedoras e convincentes. <\/p>\n<p>6) Situar o minist\u00e9rio do di\u00e1cono no quadro familiar e envolver, cada vez mais, a esposa, de modo que, sem confus\u00f5es, mas com grande compreens\u00e3o da gra\u00e7a da conjugalidade, o casal possa avan\u00e7ar no caminho da santifica\u00e7\u00e3o vivendo o seu amor em Cristo, realizando a miss\u00e3o que lhes \u00e9 confiada, apreciando a gra\u00e7a da ordena\u00e7\u00e3o e valorizando o minist\u00e9rio diaconal recebido.<\/p>\n<p>7) Definir, por meio de direct\u00f3rios ou de outras formas, as regras fundamentais da situa\u00e7\u00e3o do di\u00e1cono em cada diocese ao longo do exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, do seu itiner\u00e1rio existencial, quer na sa\u00fade quer na doen\u00e7a; ter igualmente em conta a fase da cessa\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio do minist\u00e9rio por raz\u00f5es fundamentadas: perda not\u00f3ria de capacidades, senilidade precoce, op\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao estatuto diaconal (div\u00f3rcio e recasamento ou outras).<\/p>\n<p>8) Aceitar ir caminhando como testemunha e guia da caridade e da justi\u00e7a, mesmo sem ter todas as certezas, melhorando cada dia o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, a qualidade da perten\u00e7a ao col\u00e9gio diaconal, os la\u00e7os da comunh\u00e3o eclesial e as formas de presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia e na sociedade.<\/p>\n<p>Em resumo, como a \u00e1rvore est\u00e1 na semente, assim o futuro est\u00e1 no presente. O diaconado \u00e9 j\u00e1 uma realidade consistente na maioria das dioceses portuguesas e precisa de novas condi\u00e7\u00f5es para desabrochar plenamente. A aceita\u00e7\u00e3o do seu minist\u00e9rio constitui uma ineg\u00e1vel riqueza pastoral e facilitar\u00e1 uma reorganiza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es no minist\u00e9rio ordenado e nos servi\u00e7os confiados aos leigos. Contribuir\u00e1 tamb\u00e9m para uma configura\u00e7\u00e3o da Igreja mais plural nas formas de servi\u00e7o e de di\u00e1logo com o mundo da pobreza que continuamente apresenta \u201cnovas fronteiras\u201d. <\/p>\n<p>P.e  Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os di\u00e1conos permanentes da Diocese de Aveiro re\u00fanem-se no Semin\u00e1rio de Santa Joana, no dia 22 de Janeiro (Dia de S. 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