{"id":11357,"date":"2008-01-16T16:36:00","date_gmt":"2008-01-16T16:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11357"},"modified":"2008-01-16T16:36:00","modified_gmt":"2008-01-16T16:36:00","slug":"viagem-pela-geopolitica-do-mundo-actual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viagem-pela-geopolitica-do-mundo-actual\/","title":{"rendered":"Viagem pela geopol\u00edtica do mundo actual"},"content":{"rendered":"<p>Com os dotes de comunica\u00e7\u00e3o que lhe s\u00e3o reconhecidos e uma cultura admir\u00e1vel sobre rela\u00e7\u00f5es internacionais, Nuno Rogeiro dissertou acerca da \u201cdignidade humana das na\u00e7\u00f5es\u201d e principalmente sobre os grandes problemas geopol\u00edticos da actualidade. Assistiu uma plateia que lotou totalmente o sal\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 9 de Janeiro. Aqui ficam as ideias principais de mais uma sess\u00e3o mensal do F\u00f3rum::Universal, <\/p>\n<p>por Jorge Pires Fereira<\/p>\n<p>Dignidade das Na\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>As l\u00ednguas modernas t\u00eam dificuldade em traduzir o termo latino \u201cdignitas\u201d, que tem a ver com cidadania, humanidade e reputa\u00e7\u00e3o de honra. \u201cNa\u00e7\u00e3o\u201d, por seu turno, tem a ver com nascer, s\u00edtio do nascimento e ideia de uma determinada ra\u00e7a. Mas h\u00e1 comunidades nacionais que se constituem independentemente do s\u00edtio: comunidades da di\u00e1spora; comunidades multinacionais.<\/p>\n<p>O que define uma na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Dizemos que Portugal \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o quer dizer que seja uma ra\u00e7a, ou um territ\u00f3rio. O que faz uma na\u00e7\u00e3o? A cultura? A tradi\u00e7\u00e3o? A transmiss\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f3nio espiritual? Na verdade, muitos conflitos come\u00e7am com a viola\u00e7\u00e3o de um determinado patrim\u00f3nio de tradi\u00e7\u00f5es. Mas isso ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para definir uma na\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 a l\u00edngua, a qual n\u00e3o se pode separar da cultura? \u201cA minha p\u00e1tria \u00e9 a l\u00edngua\u201d \u2013 dizia Fernando Pessoa. Ser\u00e3o os valores? De facto, podem definir uma na\u00e7\u00e3o, mas dentro dela h\u00e1 fam\u00edlias e grupos com valores diferentes, por vezes opostos. Ser\u00e1 a exist\u00eancia de um projecto? Mas numa comunidade nacional h\u00e1 v\u00e1rios projectos&#8230;<\/p>\n<p>Espa\u00e7o de liberdade<\/p>\n<p>A na\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 discutida quando faz falta. Quem a perde, perde um espa\u00e7o de liberdade. \u00c9 como a falta de oxig\u00e9nio. S\u00f3 quando n\u00e3o se tem \u00e9 que se d\u00e1 por ele.<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00e3o e Estado<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 coincid\u00eancia entre na\u00e7\u00e3o e Estado. H\u00e1 Estados plurinacionais. No caso da Jugosl\u00e1via, o Estado plurinacional dissolveu-se em conflito. A separa\u00e7\u00e3o da Republica Checa e da Eslov\u00e1quia foi pac\u00edfica. No caso da B\u00e9lgica, se acontecer a dissolu\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 pac\u00edfica. A Espanha \u00e9 um Estado multinacional que tem problemas internos. Sem querer ser futur\u00f3logo, ser\u00e3o agravados nos pr\u00f3ximos tempos. Em Portugal, na\u00e7\u00e3o e Estado coincidem. A Alb\u00e2nia \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o repartida por dois estados (Alb\u00e2nia e Kosovo). A na\u00e7\u00e3o h\u00fangara tem comunidades tamb\u00e9m na Rom\u00e9nia e na B\u00f3snia. A na\u00e7\u00e3o Sikh est\u00e1 espalhada pela \u00cdndia e pelo Paquist\u00e3o. Os curdos s\u00e3o uma na\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios Estados (Iraque, Ir\u00e3o, S\u00edria e Turquia). Os palestinianos n\u00e3o t\u00eam Estado. A rela\u00e7\u00e3o Estado\/na\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa e amb\u00edgua.<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00e3o e nacionalismo<\/p>\n<p>O nacionalismo, ap\u00f3s as guerras mundiais, ficou com m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o no Ocidente. Mas tem boa reputa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses do Terceiro Mundo. O nacionalismo libert\u00e1rio, indenpendentista, \u00e9 bem visto. J\u00e1 o nacionalismo agressivo, impondo-se aos outros, perturba a mem\u00f3ria das diferentes comunidades de Estados.<\/p>\n<p>Mem\u00f3ria de 1808<\/p>\n<p>O ano de 2008 devia ser de mem\u00f3ria dos que morreram em 1808. Foi praticado um aut\u00eantico genoc\u00eddio sobre a popula\u00e7\u00e3o portuguesa, a quando das invas\u00f5es napole\u00f3nicas. O que levou os lisboetas a revoltarem-se quando viram a bandeira francesa no Castelo de S. Jorge? Talvez por se intuir que n\u00e3o seria poss\u00edvel uma consci\u00eancia nacional [portuguesa] sem Estado [portugu\u00eas].<\/p>\n<p>O que fazer com a Turquia?<\/p>\n<p>Em 2008, na Europa, o problema maior \u00e9: o que fazer com a Turquia? Sou favor\u00e1vel \u00e0 entrada da Turquia na Uni\u00e3o Europeia, por raz\u00f5es de ordem hist\u00f3rica, pol\u00edtica e de bom senso. A Turquia faz parte da Hist\u00f3ria da Europa: obrigou a Europa a definir-se [contra o Imp\u00e9rio Otomano, antecessor da Turquia, desde o s\u00e9c. XVI]; esteve do lado da Europa durante a Guerra Fria; promoveu uma revolu\u00e7\u00e3o laica, que foi uma aplica\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa ao mu\u00e7ulmanismo. \u00c9 muito importante que a Turquia mantenha o equil\u00edbrio entre a religi\u00e3o isl\u00e2mica e pol\u00edtica e n\u00e3o se transforme nem na Alemanha de 1933 [ascens\u00e3o do totalitarismo] nem na no Ir\u00e3o actual [poder religioso]. A garantia de isso n\u00e3o acontecer \u00e9 estar ancorada na Europa. A Turquia \u00e9 um Estado interessante.<\/p>\n<p>Outro problema Europeu<\/p>\n<p>Assistimos a um div\u00f3rcio ente os desejos dos povos e o desejo dos que os dirigem. Muitas pessoas come\u00e7am a perceber que h\u00e1 uma perda de soberania a partir do est\u00f4mago! J\u00e1 n\u00e3o se pode matar o porco? J\u00e1 n\u00e3o podemos comer jaquinzinhos? Todos os restaurantes t\u00eam de ser iguais aos belgas? H\u00e1 normas que ultrapassam os limites do razo\u00e1vel. Penso que os povos recusar\u00e3o certas uniformiza\u00e7\u00f5es impostas pela Europa.<\/p>\n<p>Guerra ao terrorismo<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma guerra convencional, porque n\u00e3o h\u00e1 ex\u00e9rcitos. Mas h\u00e1 um problema grave. N\u00e3o ceder ao terrorismo \u00e9 n\u00e3o deixar que ele influencie a nossa vida.<\/p>\n<p>Imigra\u00e7\u00e3o ilegal<\/p>\n<p>Aos olhos de \u00c1frica, a Europa \u00e9 um para\u00edso de ruas luminosas, lojas, progresso. Os imigrantes olham para a Europa como muitos europeus olharam para a Est\u00e1tua da Liberdade. N\u00e3o devemos confundir entre os intermedi\u00e1rios que metem 40 pessoas num barco e recebem 1000 euros por cada uma e as pessoas que procuram uma vida melhor. \u00c9 necess\u00e1rio promover a prosperidade em \u00c1frica.<\/p>\n<p>ONU<\/p>\n<p>Como tornar a ONU mais activa? Como tornar eficazes as suas resolu\u00e7\u00f5es? \u00c9 necess\u00e1rio reformar o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, com mais membros. Todos est\u00e3o de acordo. Mas quem entra? Um grande pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina. O Brasil? Outro da \u00c1sia. A \u00cdndia? Outro de \u00c1frica. Angola? \u00c1frica do Sul? A ONU \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de Estados e reflecte as diverg\u00eancias entre Estados.<\/p>\n<p>Globaliza\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>e governo mundial<\/p>\n<p>N\u00e3o parece vi\u00e1vel um governo mundial. O que seria uma regulamenta\u00e7\u00e3o para o mundo inteiro? A globaliza\u00e7\u00e3o tem revelado o que podemos fazer em conjunto, mas \u00e9 igualmente respons\u00e1vel pelo multi-culturalismo. A diferen\u00e7a cultural \u2013 o choque \u2013 \u00e9 evidente. A globaliza\u00e7\u00e3o diz-nos que o mundo \u00e9 mais complicado. Um governo mundial seria um retrocesso. A ideia de ter um disciplinador das rela\u00e7\u00f5es internacionais nunca resultou.<\/p>\n<p>\u201cPor qu\u00e9 no te callas?\u201d<\/p>\n<p>O \u201cpor qu\u00e9 no te callas?\u201d do rei espanhol foi dito no sentido de \u201ccala-te para ouvir o que os outros t\u00eam a dizer\u201d, entre pessoas que se reconhecem como iguais, e n\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o colonialista. Mas foi interpretado como tal. Ao contr\u00e1rio de Espanha, Portugal encerrou os contenciosos com as ex-col\u00f3nias. A CPLP \u00e9 uma prova. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma comunidade desse tipo de l\u00edngua espanhola.<\/p>\n<p>Direito de inger\u00eancia<\/p>\n<p>A soberania \u00e9 entendida como sagrada. Est\u00e1 na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mas sou a favor do princ\u00edpio de inger\u00eancia humanit\u00e1ria, no caso de genoc\u00eddio, por exemplo. Justifica-se a interven\u00e7\u00e3o de um Estado noutro, como a de um vizinho numa fam\u00edlia que maltrata os filhos. <\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00f5es nos EUA<\/p>\n<p>Como \u00e9 que uma sociedade sofisticada foi capaz de eleger um homem como George W. Bush? Ele n\u00e3o subiu ao poder por golpe de Estado. A sua elei\u00e7\u00e3o entende-se por reac\u00e7\u00e3o ao mandato de Bill Clinton e a sua reelei\u00e7\u00e3o deveu-se ao 11 de Setembro, que teve um impacto na Am\u00e9rica mil vezes superior ao ataque japon\u00eas a Pearl Harbour. Um ataque como o de 11 de Setembro de 2001 foi previsto em 1998. Espero trazer a Lisboa o autor desse relat\u00f3rio, que nunca chegou a ser p\u00fablico, porque foi considerado alarmista. N\u00e3o tenho a certeza que o pr\u00f3ximo presidente seja democrata. Se eu votasse, votava Obama.<\/p>\n<p>Oliven\u00e7a \u00e9 nossa?<\/p>\n<p>Oliven\u00e7a \u00e9 um problema de Direito Internacional por resolver. Dev\u00edamos pelo menos salvaguardar que o patrim\u00f3nio n\u00e3o seja destru\u00eddo. Algum j\u00e1 foi. Para mim, um dos grandes portugueses \u00e9 o escriv\u00e3o de Oliven\u00e7a que recusou escrever que Oliven\u00e7a \u00e9 Espanha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com os dotes de comunica\u00e7\u00e3o que lhe s\u00e3o reconhecidos e uma cultura admir\u00e1vel sobre rela\u00e7\u00f5es internacionais, Nuno Rogeiro dissertou acerca da \u201cdignidade humana das na\u00e7\u00f5es\u201d e principalmente sobre os grandes problemas geopol\u00edticos da actualidade. Assistiu uma plateia que lotou totalmente o sal\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 9 de Janeiro. 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